Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina
O percurso e as 9 paragens. Ruas e rio: © contribuidores do OpenStreetMap.

Percurso · Repressão · a pé

O Estado Novo, explicado

Como uma ditadura durou 48 anos: o chefe, a fachada, o partido único, a família, o trabalho e a propaganda — de São Bento aos Restauradores

Distância
4,6 km
Duração
2 h 20 min
Paragens
9
Dificuldade:
Média
Começar o percurso

Paragens

Mapa do percurso «O Estado Novo, explicado», com 9 paragens numeradas. A lista das paragens está a seguir ao mapa.

As paragens

  1. Paragem 1: : O chefeHoje: Residência oficial do primeiro-ministro

    Rua da Imprensa à Estrela, 1200-684 Lisboa (nas traseiras do Palácio de São Bento)

    Um palacete branco de telhado escuro, entre palmeiras, por trás de um muro alto de pedra clara com um portão e uma porta; no alto, duas bandeiras hasteadas contra o céu azul.
    O Palacete de São Bento, residência oficial do primeiro-ministro, visto da rua, por trás do muro. Koshelyev, CC BY-SA 3.0

    António de Oliveira Salazar, professor de Economia e Finanças em Coimbra, foi chamado pelos militares para pôr em ordem as contas públicas: tomou posse como ministro das Finanças a 27 de abril de 1928, com fama de «mago das finanças», e no discurso de posse disse que sabia muito bem o que queria e para onde ia.45 A 5 de julho de 1932 chegou a presidente do Conselho, o chefe do Governo, e assim ficou 36 anos.56 Concebeu, com um pequeno grupo de colaboradores, a Constituição de 1933, que lhe dava o poder: os ministros respondiam perante o presidente do Conselho, e este só perante o Presidente da República; a Assembleia não tinha qualquer poder sobre o Governo.3

    Em 1937, o ano em que Salazar escapou a uma bomba na Avenida Barbosa du Bocage, o Estado expropriou este palacete, nas traseiras do Parlamento, para residência oficial do presidente do Conselho.78 Salazar mudou-se em maio de 1938. Nas obras, o arquiteto Cristino da Silva desenhou uma escadaria monumental que liga o parque da residência ao Parlamento, para facilitar a comunicação entre os dois edifícios.8

    Em 1968, uma queda de uma cadeira deixou-o incapaz de governar, e Marcelo Caetano substituiu-o. Salazar continuou a viver aqui até julho de 1970, o mês em que morreu — «sem chegar a desconfiar que já não era Presidente do Conselho», escreveu o Diário de Notícias.689 Depois do 25 de Abril, o palacete continuou a ser a residência oficial dos chefes de Governo — em 1979–1980, a da primeira mulher a chefiar um, Maria de Lourdes Pintasilgo, que no entanto não viveu aqui.810

    No 25 de Abril de 2017, os jardins da residência oficial do primeiro-ministro, onde Salazar viveu mais de trinta anos, abriram-se ao público. Vê-se o primeiro-ministro, António Costa, na inauguração de uma escultura de Vhils, e os visitantes nos jardins.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial do Governo da República Portuguesa

    Governo da República Portuguesa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

    Até à paragem 2470 m · 7 min a pé

  2. Paragem 2: : A fachadaHoje: Assembleia da República

    Palácio de São Bento, Largo das Cortes, Lisboa

    Fachada neoclássica branca com uma escadaria larga, colunata e frontão triangular ao centro e a bandeira portuguesa no alto, sob céu azul com nuvens.
    O Palácio de São Bento, sede da Assembleia da República, em junho de 2014. Albarubescens, CC BY-SA 4.0

    Logo a seguir ao golpe de 28 de maio de 1926, uma força militar comandada pelo tenente Vilhena fechou este Parlamento.5 Só voltou a reunir em janeiro de 1935, como Assembleia Nacional do Estado Novo. A Constituição de 1933 foi plebiscitada a 19 de março: as abstenções e os votos em branco contaram como «sim», e o «não» tinha de ser escrito no boletim.3 Incorporou o Acto Colonial de 1930, para o qual era «da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos».11 O império tem o seu percurso, Do Padrão ao cais.

    A Assembleia Nacional tinha uma só câmara e pouco poder. Todos os deputados vinham da lista da União Nacional, o partido único, e as leis fazia-as, na prática, o Governo, por decreto-lei: em 1945, um parecer da Câmara Corporativa — o órgão de consulta onde pesavam os interesses económicos e locais — reconheceu que «o Governo é órgão legislativo normal e a Assembleia órgão legislativo excepcional».3 A Assembleia Nacional reuniu pela última vez na manhã de 25 de abril de 1974, sem quórum. Um ano depois, sentava-se aqui a Assembleia Constituinte, eleita em liberdade — é o fim do percurso Os dias da liberdade.3

    Foi este parlamento de fachada que recebeu as primeiras mulheres. Na eleição de 1934 só puderam votar as que tinham um curso especial, secundário ou superior; aos homens bastava saber ler e escrever ou pagar pelo menos 100$ de certos impostos.3121 As outras mulheres chefes de família — viúvas, divorciadas, solteiras com família própria — só votavam para as juntas de freguesia.1 Em janeiro de 1935 sentaram-se aqui as três primeiras deputadas, Domitila de Carvalho, Maria Cândida Parreira e Maria Guardiola, todas com curso superior; as deputadas do regime ficaram sobretudo nas comissões de trabalho, assistência e educação, assuntos que se julgavam «mais ligados aos interesses da mulher».13 Em 1946, a deputada Maria Luísa van Zeller apoiou o voto das mulheres casadas, mas sem a «absoluta igualdade» com o homem, que contrariaria «o espírito da política de regresso da mulher ao lar».14

    O que se vê hoje

    Bustos de duas deputadas: Maria Alda Nogueira, no claustro (CIG; escultor António Trindade, segundo a Wikipédia), e Natália Correia (segundo a Wikipédia, as duas únicas deputadas com busto na Assembleia).

    Peça curta da série «Cápsula do Tempo», do Parlamento, dedicada às mulheres na Assembleia Constituinte de 1975–1976.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Assembleia da República

    Assembleia da República, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

    Até à paragem 3860 m · 15 min a pé

  3. Paragem 3: : Duas ideias de mulherHoje: Palácio Lançada, Rua de O Século

    Rua de O Século, 41-59 e 61-63, 1200-433 Lisboa

    Rua comprida e ligeiramente inclinada entre prédios de três e quatro andares pintados de amarelo, verde e branco, com carros estacionados de um dos lados, sob céu nublado.
    A Rua de O Século, onde funcionou a redação do jornal, em dezembro de 2019. Sergei Gussev, CC BY 2.0

    Para o regime, o lugar da mulher era a casa. Em 1936 deu estatutos à Obra das Mães pela Educação Nacional, para «orientar as mãis portuguesas» na criação dos filhos e «defender os bons costumes, designadamente no que respeita ao vestuário, à leitura e aos divertimentos».15 Difundia o papel que o Estado Novo lhes destinava: mães zelosas da família e das tarefas domésticas, esposas obedientes ao marido, o «chefe» da família.16

    Outra ideia de mulher tinha Maria Lamas, que dirigia «Modas e Bordados», o suplemento de O Século. Em 1947, presidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas, organizou uma exposição de livros escritos por mulheres de trinta países; o regime não gostou, e ela foi obrigada a escolher entre a revista e o Conselho. Escolheu o Conselho, que a polícia fechou em junho.1718 Em 1952 foi dissolvida a Associação Feminina Portuguesa para a Paz, a que Lamas também presidira.1920

    Depois do fecho do Conselho, Maria Lamas percorreu o país durante dois anos e publicou, em fascículos, para contornar a censura, «As Mulheres do Meu País» (1948–1950): uma grande reportagem sobre a vida e o trabalho das camponesas, das mulheres do mar, das operárias, das domésticas e das empregadas.21

    Programa da Antena 1, feito em parceria com o Clube dos Jornalistas, em que duas jornalistas contam o seu 25 de Abril — Maria Antónia Palla, que trabalhava então n'O Século, e Fernanda Mestrinho, do Diário de Lisboa, que esteve na libertação dos presos políticos de Caxias. No YouTube, o som corre sobre uma imagem fixa.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Antena 1 (RTP)

    RTP – Antena 1, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ouvir».

    Até à paragem 4650 m · 10 min a pé

  4. Paragem 4: : O partido único e o seu jornalHoje: Associação 25 de Abril

    Rua da Misericórdia, 95, 1200-271 Lisboa

    Aqui se fez, de 1931 a 1971, o «Diário da Manhã». No primeiro editorial dizia-se «jornal republicano», mas era o órgão oficioso e de doutrinação da União Nacional, o partido único, e foi-se tornando um jornal de culto a Salazar.22 O regime era «anti-partidário, anti-liberal e anti-parlamentar»: os partidos da oposição foram ilegalizados, e só a União Nacional apresentava candidatos.3

    Até 1945 nunca houve outra lista. Nas eleições de 1942, por exemplo, os boletins de voto chegaram a casa pelo correio ou pela mão da polícia e da própria União Nacional, as assembleias de voto abriram das 9 às 14 horas, e o eleitor só podia riscar nomes, sem os substituir; a fraude servia sobretudo para inflacionar o número de votantes.23 Em frente ficava o República, jornal da oposição; e, a partir de 1969, mais acima na mesma rua, no n.º 125, a censura, que cortava a lápis azul o que os jornais podiam dizer — a história está no percurso A máquina da repressão.2425

    Com Marcelo Caetano, a União Nacional passou a chamar-se Ação Nacional Popular, e em 1971 o «Diário da Manhã» deu lugar ao «Época».322 A 26 de abril de 1974, a população destruiu as sedes do «Época», da Ação Nacional Popular e da censura.26 Desde 2001, este prédio é a sede da Associação 25 de Abril, que junta a grande maioria dos militares que fizeram a revolução.27

    Até à paragem 5320 m · 5 min a pé

  5. Paragem 5: : 1968–1974 — Caetano, até ao fimHoje: Comando-Geral da GNR e Museu da Guarda Nacional Republicana

    Largo do Carmo, 1200-092 Lisboa

    Fachada clara com janelas em arco, uma bandeira portuguesa ao alto e duas guaritas listradas à porta; à frente, visitantes no largo.
    O Quartel do Carmo, comando-geral da GNR, no Largo do Carmo, em 2017. Marcin Latka, CC BY-SA 2.0

    Quando substituiu Salazar, em setembro de 1968, Marcelo Caetano — que nos anos 40 fora comissário nacional da Mocidade Portuguesa — trouxe uma «tímida abertura».2829 Algumas mudanças tocaram a vida das mulheres: em 1968, a lei passou a pedir a homens e mulheres o mesmo para votar — saber ler e escrever, quando, no início dos anos 70, uma em cada três mulheres não sabia; em 1969, a mulher casada deixou de precisar de autorização do marido para ter passaporte, e as professoras primárias deixaram de precisar de licença do ministro para casar; em 1970, Maria Teresa Cárcomo Lobo foi a primeira mulher num governo.3031323334

    Outras coisas só mudaram de nome: a PIDE passou a chamar-se DGS, a União Nacional, Ação Nacional Popular, e a censura, «exame prévio» — Caetano manteve-a, com o argumento da guerra colonial.35336 Para a Assembleia da República, as tentativas de mudança das eleições de 1969 «evidenciaram a rigidez do regime e a sua incapacidade de abertura e renovação».3

    Foi aqui, no quartel da GNR, que Caetano se refugiou na madrugada de 25 de abril de 1974. Ao fim da tarde, cercado pela coluna de Salgueiro Maia e por milhares de pessoas, entregou o poder ao general Spínola — «assim o poder não cai na rua».3738 O regime acabou no mesmo quartel onde, em junho de 1926, se tinha instalado a censura.25 O dia inteiro conta-o o percurso O dia inicial.

    O que se vê hoje

    Uma das placas dos «Lugares de Abril», da Câmara de Lisboa e da Associação 25 de Abril, assinala o largo.37

    Com as cinco últimas placas, inauguradas a 24 de março de 2024, Lisboa passou a ter 25 a assinalar os lugares da ação do MFA no 25 de abril de 1974 — o projeto «Lugares de Abril», da Câmara e da Associação 25 de Abril. A Câmara destaca o Largo do Carmo, «o local mais simbólico» de Abril.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Câmara Municipal de Lisboa

    Câmara Municipal de Lisboa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

    Até à paragem 6460 m · 7 min a pé

  6. Paragem 6: : Deus, Pátria, FamíliaHoje: Palácio da Independência (Sociedade Histórica da Independência de Portugal)

    Largo de São Domingos, 10, 1169-060 Lisboa

    Palácio de fachada vermelha e janelas de moldura branca, parcialmente escondido por grandes árvores, com gente a passar no largo em frente.
    O Palácio da Independência (dos Condes de Almada), no Largo de São Domingos, em 2006. Vitor Oliveira, CC BY-SA 2.0

    A partir de 1936, os rapazes e as raparigas foram enquadrados pela Mocidade Portuguesa, que teve a sede neste palácio até 1974.3940 Na escola primária, a inscrição era obrigatória e ficava averbada na caderneta escolar.41 Fazia-se exercício físico numa lógica militarista e aprendia-se a disciplina e o respeito pela hierarquia.16 Em 1938, para o décimo aniversário da entrada de Salazar para as Finanças, fizeram-se sete quadros que serviram de propaganda nas escolas. Um cartaz desse ano, «A lição de Salazar», desenhado por Martins Barata, resumia o programa: «Deus, Pátria, Família — a trilogia da educação nacional».442

    As raparigas tinham a sua organização, a Mocidade Portuguesa Feminina, que dependia da Obra das Mães e queria formar uma «mulher nova» pela «educação moral, cívica, física e social»; as filiadas faziam a saudação romana. Em 1940 abrangia 93% das alunas dos liceus e do ensino técnico, mas só 5,2% das da escola primária. De 1938 a 1968 foi sua comissária nacional Maria Guardiola, reitora do Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho e deputada; Maria Luísa van Zeller foi comissária-adjunta. O comissariado ficava na Praça Marquês de Pombal.28

    A Igreja abençoava: a 13 de maio de 1939, em Fátima, o cardeal patriarca de Lisboa, Manuel Gonçalves Cerejeira — antigo professor em Coimbra, como Salazar —, benzeu as bandeiras da Mocidade Portuguesa Feminina.28435 No ano seguinte, a Concordata com a Santa Sé tirou o divórcio a quem casasse pela Igreja.44 No próprio dia 25 de abril de 1974, o Decreto-Lei n.º 171/74 extinguiu as duas Mocidades, e o palácio foi ocupado, por imposição do MFA, pela Associação dos Deficientes das Forças Armadas.3940

    Até à paragem 7320 m · 5 min a pé

  7. Paragem 7: : O Estado corporativoHoje: Sede da Fundação INATEL

    Calçada de Santana, 180, 1169-062 Lisboa

    No mesmo dia de setembro de 1933, o Governo publicou o Estatuto do Trabalho Nacional e as leis dos grémios dos patrões, dos sindicatos nacionais e das Casas do Povo.45 «O Estado português é uma república unitária e corporativa», dizia o Estatuto: a propriedade, o capital e o trabalho deviam cooperar, e a greve e o lock-out passavam a ser puníveis.45 Os sindicatos passaram a ser «nacionais»: um só por profissão, com estatutos que repudiavam a «luta de classes» e direções que o Governo tinha de homologar.46 A resposta operária foi a greve geral de 18 de janeiro de 1934.47

    Para os tempos livres, o regime criou em 1935 a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho (FNAT), que devia «fortalecer, educar e distrair o corpo e o espírito dos que trabalham»; os beneficiários tinham de ser sócios de um sindicato nacional, de uma Casa do Povo ou de uma Casa de Pescadores.4849 Em 1946, a FNAT instalou a sede aqui, no antigo Palácio Camarido; organizava excursões, colónias de férias, desporto e espetáculos.5049 Outro cartaz de «A lição de Salazar», também de 1938, prometia: «com o Estado Novo Corporativo inicia-se uma era de dignificação de trabalho e de justiça social».51

    O Estatuto também dizia onde ficavam as mulheres: o trabalho delas e dos menores fora de casa seria regulado «conforme as exigências da moral, da defesa física, da maternidade, da vida doméstica, da educação e do bem social».45 Depois do 25 de Abril, o estádio da FNAT passou a chamar-se Estádio 1.º de Maio, a greve voltou a ser um direito e, em 1975, a FNAT deu lugar ao INATEL, hoje Fundação INATEL, que ainda tem a sede neste palácio.38524950

    A Fundação INATEL conta em sete minutos a sua própria história, da criação da FNAT em 1935 — inspirada, diz o filme, na Dopolavoro italiana — até 2019, com imagens de arquivo, algumas da RTP. O palácio da Calçada de Santana foi a sede da FNAT desde 1946 e é hoje a da fundação.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Fundação INATEL

    Fundação INATEL, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

    Até à paragem 8520 m · 8 min a pé

  8. Paragem 8: : As enfermeiras que não podiam casarHoje: Hospital de São José

    Rua José António Serrano, 1150-199 Lisboa

    Portão de pedra clara em arco, coroado por esculturas, entre muros cor de salmão; lá dentro, um pátio com árvores.
    O portão barroco do Hospital de São José, em novembro de 2025. Vitor Oliveira, CC BY-SA 4.0

    Em 1938, um decreto que reorganizou os Hospitais Civis de Lisboa, a que este hospital pertencia, mandou que nos lugares de enfermagem e de serviço doméstico ocupados por mulheres só entrassem «solteiras e viúvas, sem filhos, as quais serão substituídas logo que deixem de verificar-se estas condições»: a enfermeira que casasse perdia o lugar.53 Começaram aí 25 anos de luta das enfermeiras.54 Na Assembleia Nacional, a deputada Maria Luísa van Zeller defendia em 1947 que a enfermagem fosse confiada a mulheres — «Ninguém como a mulher sabe debruçar-se delicadamente sobre a dor» —, e um deputado contou mais tarde que havia enfermeiras que casavam e, para não serem despedidas, não registavam o novo estado no bilhete de identidade.55

    A proibição só caiu em março de 1963, e mesmo então o decreto lembrava que o lugar da mulher casada era o lar, «onde lhe está reservada a mais nobre missão».56 As professoras primárias passaram por coisa parecida: desde 1936, só podiam casar com autorização do ministro da Educação Nacional, dada se o noivo tivesse «bom comportamento moral e civil» e rendimentos «em harmonia com os vencimentos da professora». A exigência só acabou em dezembro de 1969, por um decreto de Marcelo Caetano que lhe chamava «formalidade burocrática».4133

    E o Código Civil de 1966 ainda dizia: «O marido é o chefe da família, competindo-lhe nessa qualidade representá-la e decidir em todos os actos da vida conjugal comum.» Fora das profissões liberais e da função pública, se não tivesse dado o seu consentimento, o marido podia fazer cessar a qualquer altura o contrato de trabalho da mulher.5712 O «chefe de família» só desapareceu com a Constituição de 1976 e a revisão do Código Civil de 1977.58

    Peça do Parlamento sobre a revisão do Código Civil de 1977, que entrou em vigor a 1 de abril de 1978 e mudou os direitos das mulheres na família e no trabalho.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Assembleia da República

    Assembleia da República, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

    Até à paragem 91 km · 15 min a pé

  9. Paragem 9: : A propagandaHoje: Palácio Foz: serviços públicos e o Museu Nacional do Desporto

    Praça dos Restauradores, 25, Lisboa (fachada posterior na Calçada da Glória)

    Palácio comprido de fachada rosada, com três andares de janelas, telhado de mansarda escuro e um frontão ao centro, diante de uma praça larga.
    O Palácio Foz, na Praça dos Restauradores, em 2011. Gerd Eichmann, CC BY-SA 4.0

    Em 1933, o regime criou o Secretariado da Propaganda Nacional para, entre outras coisas, «combater por todos os meios ao seu alcance a penetração no nosso País de quaisquer ideas perturbadoras e dissolventes da unidade e interêsse nacional».59 Dirigiu-o o jornalista António Ferro, que ficou à frente da propaganda até 1949 e chamou «Política do Espírito» ao seu programa: reeducar os portugueses segundo a ideologia oficial, com cartazes, rádio, cinema, exposições e prémios, juntando uma linguagem moderna ao conservadorismo e ao ruralismo do regime.60 Em 1940, o Estado comprou este palácio para lhe dar sede;61 em 1944, o Secretariado Nacional de Informação, que lhe sucedeu, juntou nas mesmas mãos a propaganda, o turismo, a imprensa e a censura.62

    A propaganda também falava às mulheres. Um cartaz do Secretariado Nacional de Informação, de 1945 ou 1946, dizia: «Mulher portuguesa, graças ao Estado Novo tens a estabilidade da família, a liberdade religiosa…: a Salazar o deves» — e pedia: «mães, espôsas, noivas de Portugal votai por Salazar».63

    A 28 de maio de 1974, quando se cumpriam 48 anos do golpe de 1926, uma centena de artistas entrou no pátio deste palácio e tapou com um pano preto e uma faixa verde e vermelha a estátua de Salazar que lá estava. Queriam-na guardada num museu: «A arte fascista faz mal à vista», dizia o pintor Vespeira.64

    Apresentação, no Museu do Aljube, do livro de Maria do Carmo Piçarra sobre o Cinema do Povo (1935–1954), o cinema ambulante do SPN/SNI que levou filmes de propaganda do Estado Novo às aldeias. O livro é apresentado pela realizadora Susana de Sousa Dias; segundo o museu, a imagem do regime ali projetada era a concebida por António Ferro.

    Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial do Museu do Aljube

    Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».

Notas sobre as fontes2
  • Se os dois cartazes de «A lição de Salazar» citados — o da «trilogia da educação nacional» e o do «Estado Novo Corporativo» — são dos sete quadros feitos em 1938 para o décimo aniversário de Salazar nas Finanças: o Tribunal de Contas fala dos sete quadros e ilustra-os com outro cartaz da mesma série «A lição de Salazar», o da restauração financeira; a Biblioteca Nacional regista os dois cartazes como de 1938, desenhados por Martins Barata e editados pela «Escola Portuguesa». Tudo aponta para a mesma série, mas nenhuma fonte lida diz que eram sete nem enumera os quadros.
  • O ano em que o cartaz do Secretariado Nacional de Informação dirigido às mulheres foi feito: 1945 ou 1946, segundo a Biblioteca Nacional.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes64
  1. 1Decreto-Lei n.º 23 406, de 27 de dezembro de 1933 (Diário do Governo, I série, n.º 295): recenseamento eleitoral. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1933 — consultado a 4 de outubro de 2026Art. 1.º: as juntas de freguesia são eleitas pelos chefes de família, entre eles as mulheres viúvas, divorciadas, separadas ou solteiras com família própria; art. 2.º, n.º 5, e art. 4.º: para a Assembleia Nacional e a Presidência só votam, entre as mulheres, as maiores ou emancipadas com curso especial, secundário ou superior.
  2. 2Golpe Militar de 28 de maio de 1926. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3O Parlamento na história constitucional – O Estado Novo (1926-1974). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Da ditadura nacional ao Estado Novo (exposição virtual). Tribunal de Contas — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5Ditadura militar e ascensão do salazarismo. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 627 de Julho de 1970: Morte de Salazar — bibliografia temática. Arquivo Nacional Torre do Tombo, 2011 — consultado a 3 de outubro de 2026
  7. 7Atentado a Salazar. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Residência Oficial do Primeiro-Ministro — História. Governo de Portugal — consultado a 3 de outubro de 2026Página do sítio do Governo, lida na cópia do Internet Archive de 29 de novembro de 2009; inclui o quadro dos chefes de Governo que residiram no palacete.
  9. 9O dia em que Salazar sofreu um atentado. Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Exposição «Mulheres que mudaram a vida política em Portugal». Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Ato Colonial. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12A mulher portuguesa na legislação civil (Elina Guimarães), Análise Social, vol. XXII (92-93), 1986. Instituto de Ciências Sociais da Universidade de Lisboa – Análise Social — consultado a 2 de outubro de 2026
  13. 13Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47). Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal) — consultado a 2 de outubro de 2026
  14. 14O voto das mulheres casadas (1946). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  15. 15Decreto n.º 26 893, de 15 de agosto de 1936 (Diário do Governo, I série, n.º 191): estatutos da Obra das Mães pela Educação Nacional. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1936 — consultado a 3 de outubro de 2026
  16. 16Associação dos Professores de História / Mariana Lagarto, Organizações repressivas e de controlo do Estado Novo. RTP Ensina, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  17. 17Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  18. 18Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  19. 19Associação Portuguesa Feminina para a Paz (PT/SGMAI/GCLSB/H-B/001/00114). Secretaria-Geral do MAI – Arquivo do Governo Civil de Lisboa (Archeevo) — consultado a 2 de outubro de 2026
  20. 20Maria Lamas, a ativista pelos direitos das mulheres (Virgínia Baptista, IHC – NOVA FCSH). RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  21. 21As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  22. 22Diário da Manhã / Garcia Pulido (coleção de imprensa). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 3 de outubro de 2026
  23. 23O partido único (Haverá eleições?). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
  24. 24Associação 25 de Abril (Open House Lisboa). Trienal de Arquitectura de Lisboa — consultado a 3 de outubro de 2026
  25. 25Os censores da imprensa (Joaquim Cardoso Gomes), JJ – Jornalismo & Jornalistas n.º 57, jan./jun. 2014. Clube de Jornalistas (PDF no Centro de Documentação 25 de Abril, Univ. Coimbra) — consultado a 2 de outubro de 2026
  26. 26Acção popular (pós-25 de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  27. 27Sobre Nós. Associação 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
  28. 28Helena Roldão, Mocidade Portuguesa Feminina: boletim mensal (Lisboa, 1939-1947) — ficha histórica. Hemeroteca Municipal de Lisboa, 2014 — consultado a 3 de outubro de 2026
  29. 29II Congresso Republicano de Aveiro. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  30. 30Lei n.º 2137, de 26 de dezembro de 1968 (Diário do Governo, I série, n.º 303). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1968 — consultado a 3 de outubro de 2026
  31. 31As Mulheres e o Trabalho. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  32. 32Decreto n.º 49 317, de 25 de outubro de 1969 (Diário do Governo, I série, n.º 251). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1969 — consultado a 3 de outubro de 2026
  33. 33Decreto-Lei n.º 49 473, de 27 de dezembro de 1969 (Diário do Governo, I série, n.º 301): revoga a autorização para o casamento das professoras primárias. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1969 — consultado a 3 de outubro de 2026
  34. 34Morreu a primeira mulher a integrar um Governo em Portugal (14/12/2018). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  35. 35Decreto-Lei n.º 49 401, de 24 de novembro de 1969 (Diário do Governo, I série, n.º 275). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1969 — consultado a 3 de outubro de 2026
  36. 36O Marcelismo e a Liberdade de Imprensa (Imprensa e Revolução). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
  37. 37Largo e Quartel do Carmo (Lugares de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  38. 38Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  39. 39Legislação 25A – Extinção da DGS, LP e MP (Dec.-Lei 171/74 de 25 de Abril). Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
  40. 40Palácio da Independência. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
  41. 41Decreto-Lei n.º 27 279, de 24 de novembro de 1936 (Diário do Governo, I série, n.º 276): bases do ensino primário. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1936 — consultado a 3 de outubro de 2026
  42. 42Martins Barata (design), A lição de Salazar: Deus, Pátria, Família — a trilogia da educação nacional (cartaz, [1938]). Biblioteca Nacional de Portugal — Biblioteca Nacional Digital, 1938 — consultado a 3 de outubro de 2026
  43. 43O arquivo do Cardeal Cerejeira: um legado para a história da Igreja lisbonense. Patriarcado de Lisboa — consultado a 3 de outubro de 2026
  44. 44Acórdão n.º 423/87 (Concordata e Protocolo Adicional). Tribunal Constitucional — consultado a 2 de outubro de 2026
  45. 45Decreto-Lei n.º 23 048, de 23 de setembro de 1933 (Diário do Governo, I série, n.º 217): Estatuto do Trabalho Nacional. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1933 — consultado a 3 de outubro de 2026O mesmo número do Diário do Governo publica os decretos-leis n.º 23 049 (grémios), 23 050 (sindicatos nacionais) e 23 051 (Casas do Povo).
  46. 46Sindicatos corporativos (Unidos venceremos! Protesto, greves e sindicatos no marcelismo). Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026
  47. 4718 de Janeiro de 1934. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  48. 48Decreto-Lei n.º 25 495, de 13 de junho de 1935 (Diário do Governo, I série, n.º 134): cria a Fundação Nacional para a Alegria no Trabalho. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1935 — consultado a 3 de outubro de 2026
  49. 49História (da FNAT à Fundação INATEL). Fundação INATEL — consultado a 3 de outubro de 2026
  50. 50Edifício-Sede da Fundação INATEL (Património — outras instalações). Fundação INATEL — consultado a 3 de outubro de 2026
  51. 51Martins Barata (design), A lição de Salazar: com o Estado Novo Corporativo inicia-se uma era de dignificação de trabalho e de justiça social (cartaz, [1938]). Biblioteca Nacional de Portugal — Biblioteca Nacional Digital, 1938 — consultado a 3 de outubro de 2026
  52. 52Legislação 25A – Lei da greve (Dec.-Lei 392/74 de 27 de Agosto). Centro de Documentação 25 de Abril, Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
  53. 53Decreto n.º 28 794, de 1 de julho de 1938 (Diário do Governo, I série, n.º 150): quadros dos Hospitais Civis de Lisboa. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1938 — consultado a 3 de outubro de 2026
  54. 54Luta das Enfermeiras. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  55. 55Celibato das enfermeiras no Estado Novo (Comunicar, junho de 2017). Assembleia da República, 2017 — consultado a 3 de outubro de 2026
  56. 56Decreto-Lei n.º 44 923, de 18 de março de 1963 (Diário do Governo, I série, n.º 65). Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1963 — consultado a 3 de outubro de 2026
  57. 57Decreto-Lei n.º 47 344, de 25 de novembro de 1966 (Diário do Governo, I série, n.º 274): aprova o Código Civil. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1966 — consultado a 3 de outubro de 2026
  58. 58A revisão do Código Civil e os Direitos das Mulheres (1977). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  59. 59Decreto-Lei n.º 23 054, de 25 de setembro de 1933 (Diário do Governo, I série, n.º 218): cria o Secretariado da Propaganda Nacional. Diário do Governo (Imprensa Nacional), no Diário da República Eletrónico, 1933 — consultado a 3 de outubro de 2026
  60. 60Associação dos Professores de História / André Silveira, O SPN como motor do projeto cultural do Estado Novo. RTP Ensina, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  61. 61Margarida Elias, A adaptação do Palácio Foz para sede do Secretariado Nacional de Informação: a intervenção da DGEMN e de Luís Benavente no mobiliário e decoração de interiores (1940-1953). Instituto de História da Arte – NOVA FCSH (repositório RUN), 2014 — consultado a 3 de outubro de 2026O resumo diz que em 1940 o Estado comprou o palácio e decidiu que seria ocupado pelo SPN/SNI e pela Inspeção-Geral dos Espetáculos; as obras, de Luís Benavente para a DGEMN, começaram no ano seguinte.
  62. 62A Censura no Salazarismo. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  63. 63Mulher portuguesa, graças ao Estado Novo tens a estabilidade da família, a liberdade religiosa…: a Salazar o deves (cartaz do SNI, [1945-46]). Biblioteca Nacional de Portugal — Biblioteca Nacional Digital — consultado a 3 de outubro de 2026
  64. 64A cultura ao serviço da Revolução. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 3 de outubro de 2026

Outros percursos

  • Revolução

    O dia inicial

    O 25 de abril de 1974 hora a hora, do Terreiro do Paço ao Carmo e à porta da polícia política

    Distância
    2,3 km
    Duração
    1 h 30 min
    Paragens
    7 paragens
  • Mulheres

    Graça, a colina das mulheres

    Costureiras em greve, uma propagandista republicana, uma cadeia de mulheres, um bar e uma poeta — a Graça contada por elas

    Distância
    1,7 km
    Duração
    1 h 15 min
    Paragens
    6 paragens
  • Revolução

    As figuras de Abril

    Do Aljube a São Bento, as vidas de Soares, Cunhal e Salgueiro Maia — e as de Maria Barroso, Sofia Ferreira, Natália Correia e Pintasilgo

    Distância
    3,5 km
    Duração
    1 h 40 min
    Paragens
    6 paragens

Menu

Aspeto