Sobre o projeto
Lisboa está cheia de lugares onde se resistiu à ditadura — e quase nenhum o diz. A cadeia do Aljube tornou-se museu, e a sede da polícia política tem uma placa; mas muitas das casas, cafés, redações e tribunais onde a história aconteceu não dizem nada a quem passa. Esta app junta esses lugares em percursos que se fazem a pé, com a história contada onde ela se passou.
O foco é a história das mulheres. Não por quota, mas porque é a parte da história da resistência que ficou mais por contar: as sufragistas da I República, as mulheres que organizaram o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, as presas políticas, as escritoras julgadas pelo que escreveram, as militantes que viveram anos na clandestinidade. Dos 117 nomes desta app, 71 são de mulheres.
Quem a faz
Em Cada Esquina é um projeto de Fábio Salgado.
O nome
«Em cada esquina um amigo» é um verso da «Grândola, Vila Morena», de José Afonso — a canção que passou na rádio como segunda senha do 25 de Abril.
Como foi feita
Cada lugar, pessoa e data tem fontes: museus, arquivos, estudos, jornais, leis publicadas no Diário da República. Os textos são escritos de novo a partir delas — não copiados — e cada um diz de onde vem; onde as fontes divergem, as notas de cada página dizem-no. O método está em Fontes e método.
As fotografias têm todas licença livre (domínio público ou Creative Commons) e o crédito ao lado. O mapa é feito a partir do OpenStreetMap e é servido por este sítio, sem serviços de mapas de terceiros. Os vídeos de arquivo — testemunhos, reportagens, gravações — vêm com o leitor das próprias instituições que os guardam, e só carregam quando se carrega em «Ver». São 50 vídeos, destas instituições: Museu do Aljube Resistência e Liberdade, Câmara Municipal de Lisboa, Assembleia da República, Associação José Afonso, Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril, Edições Valentim de Carvalho, Museu Nacional Resistência e Liberdade (Peniche), Museu da Presidência da República, Universidade Aberta, Fundação Mário Soares e Maria Barroso, RTP, Sérgio Godinho (canal oficial), Warner Music Portugal (canal «José Mário Branco – Topic», do YouTube) e World Music Records (canal «Manuel Freire – Topic», do YouTube). A RTP Arquivos não deixa ver os seus vídeos fora do sítio da RTP: os 96 que aqui se indicam aparecem como ligações, em «Noutros arquivos», e abrem lá. Aparecem do mesmo modo os documentos de outros arquivos: Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso; Hemeroteca Municipal de Lisboa.
O que não faz
Não recolhe dados de quem a usa. Não há contas, publicidade, nem contadores de visitas de terceiros. A localização, quando a pede, fica no telemóvel: as distâncias são calculadas lá. O progresso dos percursos e os percursos guardados também ficam só no telemóvel.
Levar no telemóvel
Pode instalar esta app no ecrã do telemóvel (no menu do navegador, «Adicionar ao ecrã principal») e, em cada percurso, descarregar as páginas, as fotografias e o mapa de Lisboa antes de sair.
Ajudar
Encontrou um erro, conhece uma história, tem um documento ou uma fotografia? Conte-nos. A memória da resistência fez-se de testemunhos — e continua a fazer-se.