Capitão de 29 anos, comandou a coluna da Escola Prática de Cavalaria que ocupou o Terreiro do Paço, enfrentou sem disparar as forças do regime e cercou o Quartel do Carmo até obter a rendição de Marcelo Caetano.
Revoluçãocapitão de Cavalariamembro da Comissão Coordenadora do Movimento dos Capitãescomandante da coluna da Escola Prática de Cavalaria a 25 de abril de 1974
Nasceu em Castelo de Vide a 1 de julho de 1944, filho de um ferroviário; a profissão do pai levou-o, em criança e jovem, de Coruche a Tomar, Pombal e Leiria. Entrou na Academia Militar em outubro de 1964 e, acabado o curso, foi colocado para tirocínio na Escola Prática de Cavalaria (EPC), em Santarém, como aspirante, a 1 de fevereiro de 1967 (o Centro de Documentação 25 de Abril diz 1966, mas segue-se a Comissão Comemorativa, que dá as datas da carreira dia a dia), e combateu em Moçambique e na Guiné.12 Na reunião de Óbidos do Movimento dos Capitães, a 1 de dezembro de 1973, entrou para a Comissão Coordenadora como um dos representantes da Cavalaria.4 A 17 de abril de 1974, Otelo Saraiva de Carvalho entregou-lhe a missão operacional da EPC, e os oficiais da escola escolheram-no, aos 29 anos, para comandar a coluna que havia de marchar sobre Lisboa.1
A coluna saiu de Santarém às 3h30 de 25 de abril e ocupou o Terreiro do Paço.5 Na Avenida da Ribeira das Naus, Maia caminhou de lenço branco ao encontro das forças do brigadeiro Junqueira dos Reis. O brigadeiro mandou abrir fogo sobre ele, mas o aspirante Fernando Sottomayor e os apontadores dos carros de combate recusaram, e as tropas passaram para o lado do MFA. «Foi ali que se ganhou o 25 de Abril», diria Maia.3
Às 12h30, entre uma multidão que gritava «Vitória!», a coluna cercou o Quartel do Carmo, onde se refugiara Marcelo Caetano. Maia negociou durante horas. Pelas 17h00 foi levado até Caetano, que se disse disponível para se render e pediu que o poder fosse entregue a um oficial-general; Maia acompanhou depois o general António de Spínola até ele. Às 18h30 fez entrar de marcha atrás, na porta de armas do quartel, a chaimite «Bula», para que Caetano e os seus ministros saíssem em segurança.31
Não aceitou cargos políticos depois do 25 de Abril.2 No 11 de março de 1975, a sua ida a Tancos com o 2.º comandante da EPC ajudou a fazer fracassar a tentativa de golpe em que Spínola se envolvera. No 25 de Novembro manteve as suas forças em reserva, na zona oriental de Lisboa.1
Em novembro de 1976 foi afastado para funções burocráticas em Lisboa e, em março de 1977, para os Açores. Licenciou-se em Ciências Políticas e Sociais e em Ciências Antropológicas e Etnológicas.1 Morreu de cancro em Lisboa, no Hospital Militar, a 3 de abril de 1992 — a notícia passou no Telejornal desse dia — e está sepultado em Castelo de Vide.189
A Câmara de Lisboa atribuiu a Salgueiro Maia, «rosto do 25 de Abril de 1974», a título póstumo, a Chave de Honra da Cidade, a mais alta distinção do município, entregue a Natércia Salgueiro Maia.
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No Largo do Carmo, durante o cerco ao quartel, Salgueiro Maia fala ao microfone do repórter Adelino Gomes: o cerco está a ser feito, a coluna de Infantaria 1, da Amadora, juntou-se ao Movimento e a diferença de forças é tão grande que não espera reação da GNR. O som da reportagem passa sobre fotografias de Alfredo Cunha, Álvaro Tavares e Eduardo Baião, numa montagem publicada pela Associação 25 de Abril em 2011.
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O coronel Rodrigo Sousa e Castro fala do caminho de Salgueiro Maia «do Terreiro do Paço ao Largo do Carmo» e da PIDE/DGS, da tomada da sede à extinção da polícia política. É a segunda sessão do «Roteiro Didáctico e Pedagógico», um curso da Associação 25 de Abril publicado no canal da associação em 2021.
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Excerto do relato do jornalista Adelino Gomes no dia 25 de abril de 1974, sobre a coluna de Salgueiro Maia a caminho do Quartel do Carmo pela Rua Augusta e pelo Rossio, onde os militares começavam a ser apoiados pela população. Publicado pela Associação 25 de Abril com imagens cedidas pelos Arquivos da RTP.
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8Morte de Salgueiro Maia. e-cultura (Centro Nacional de Cultura) — consultado a 4 de outubro de 2026«Castelo de Vide, 1 de julho de 1944 – Lisboa, 3 de abril de 1992».
9Morte de Salgueiro Maia (Telejornal). RTP Arquivos, 1992 — consultado a 4 de outubro de 2026Notícia da morte emitida no Telejornal de 3 de abril de 1992.