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Em Cada Esquina
Fotografia antiga de uma mulher de cabelo apanhado, sentada numa poltrona junto a uma mesa com uma toalha bordada, com um vestido escuro de mangas tufadas; apoia a cabeça na mão e olha para a câmara.

Mulheres da resistência

Domitila de Carvalho

1871–1966

Autor desconhecido, Domínio público

Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho

Primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, formou-se em Matemática, Filosofia e Medicina e foi professora e reitora do primeiro liceu feminino. Monárquica e conservadora, apoiante do salazarismo nascente, foi uma das três primeiras deputadas, eleitas em 1934 nas listas da União Nacional.

Estudantesprimeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbramédicaprofessora e reitora do Liceu D. Maria Piapoetisadeputada à Assembleia Nacional (1935–1942)
Nasceu
10 de abril de 1871, Travanca (Santa Maria da Feira)
Morreu
11 de novembro de 1966, Lisboa (Prazeres)
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Biografia

Nasceu em Travanca, no concelho de Santa Maria da Feira, em 1871.2 Foi a primeira mulher a frequentar a Universidade de Coimbra, onde se licenciou em Matemática, Filosofia e Medicina.1 Em 1906 aderiu, com outras quatro médicas — Adelaide Cabete, Carolina Beatriz Ângelo, Emília Patacho e Maria do Carmo Lopes —, ao comité português da associação francesa La Paix et le Désarmement par les Femmes.3

Exerceu clínica em Lisboa, na Assistência Nacional aos Tuberculosos, mas escolheu o ensino: foi professora e reitora do Liceu D. Maria Pia, o primeiro liceu feminino do país, que viria a chamar-se Liceu Maria Amália Vaz de Carvalho.2

Monárquica, amiga da rainha D. Amélia, católica convicta, admiradora de Salazar e «descrente do feminismo», segundo o perfil dos deputados da Assembleia Nacional,4 aderiu aos princípios do Estado Novo e destacou-se na pequena elite feminina que apoiava o salazarismo nascente; por ser monárquica, foi a interlocutora entre Salazar e a antiga rainha D. Amélia, com quem se correspondia.2 Nas eleições de 16 de dezembro de 1934 foi eleita nas listas da União Nacional e, com Maria Cândida Parreira e Maria Guardiola, tornou-se uma das três primeiras deputadas portuguesas. Esteve na Assembleia Nacional durante duas legislaturas, de 1935 a 1942.1 Não foi a I República, que negara às mulheres o direito de votar e de ser eleitas, a abrir-lhes o Parlamento: foi o regime de Salazar, ainda que de forma muito condicionada, por ver nelas um meio de edificar e propagar a ideologia do Estado Novo.1

Na Assembleia, interveio sobre a mortalidade infantil e esteve na origem dos cursos obrigatórios de higiene geral e de puericultura nos liceus femininos.2 Na discussão da reforma do ensino de Carneiro Pacheco, em 1936, defendeu o crucifixo obrigatório nas escolas primárias, contra o ensino laico.2 Morreu em Lisboa, na freguesia dos Prazeres, em 1966.2

Notas sobre as fontes2
  • Os anos em que foi reitora do Liceu D. Maria Pia: da fundação, em 1906, a novembro de 1912, segundo a Wikipédia; as outras fontes não dão datas.
  • O papel de interlocutora entre Salazar e a antiga rainha D. Amélia e a defesa do crucifixo nas escolas, em 1936, vêm só da Wikipédia. O perfil da Assembleia da República confirma o resto do retrato político e regista que interveio, na sessão de 1935–1936, na discussão da proposta que reorganizava o Ministério da Instrução — falta ver o Diário das Sessões.

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Fontes4
  1. 1Um olhar sobre a participação feminina na Assembleia Nacional: a deputada Virgínia Faria Gersão (Faces de Eva, n.º 47). Susana Fontes e Sónia Coelho / Faces de Eva (SciELO Portugal) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Domitila de Carvalho. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3A rua lisboeta da primeira mulher que votou em Portugal. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Domitila Hormizinda Miranda de Carvalho (Os Deputados da Assembleia Nacional, 1935-1974). Assembleia da República — consultado a 4 de outubro de 2026Legislaturas I e II; dirigiu o Liceu Maria Pia; perfil — «Monárquica (amiga da Rainha D. Amélia); Católica convicta; […] Devotada admiradora de Salazar; Descrente do feminismo».

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