No consultório de Adelaide Cabete, nesta praça, nasceu em 1914 o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — «a mais importante e duradoura associação feminista portuguesa da primeira metade do século XX». Teve aqui a sede durante 32 anos.
Hoje: Praça dos Restauradores, 13Localização aproximada
Adelaide Cabete, obstetra e ginecologista formada em 1900, abriu consultório na Baixa em 1907 e, a partir de 1910, aqui, no 2.º andar do n.º 13 da Praça dos Restauradores, com a sobrinha, a dentista Maria Brazão. Dava consultas gratuitas a mulheres pobres.111
Em 1914, por iniciativa sua, nasceu no consultório o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas; o processo da associação no Governo Civil de Lisboa dá como data da constituição o dia 24 de abril.12 Apresentava-se como «uma instituição feminina, apolítica e não religiosa», e queria proteger mulheres e crianças desfavorecidas e acabar com a prostituição regulamentada. Para a historiadora Rosa de Lurdes Correia, foi «a mais importante e duradoura associação feminista portuguesa da primeira metade do século XX». A sede ficou aqui durante 32 anos.2
O Conselho publicou o «Boletim Oficial» e a revista «Alma Feminina», dirigidos por Maria Clara Correia Alves,3 e organizou em Lisboa os congressos feministas e de educação de 1924 e 1928. Passaram por ele mulheres que viriam a ser figuras da oposição ao Estado Novo: Elina Guimarães, Isabel Aboim Inglez, Maria Alda Nogueira.2
A comissão organizadora do I Congresso Feminista e de Educação, o primeiro do país, tinha aqui a sua morada: a brochura que o anunciava, para março de 1924, pedia que as teses fossem entregues na sede do Conselho e que toda a correspondência fosse dirigida à comissão, na «Praça dos Restauradores, 13, 2.º» — o andar do consultório, segundo Isabel Lousada; a NOVA FCSH põe o Conselho no 1.º, mas a morada impressa pelo próprio Conselho é a que aqui se segue. A comissão juntava dez mulheres — Adelaide Cabete, Aurora de Castro e Gouveia, Angélica Viana Porto, Domingas Lazary Amaral, Albertina Gamboa, Laura Corte Real, Maria O'Neill, Deolinda Lopes Vieira, Vitória Pais Madeira e Elisa Lima — e dois homens, e a maior parte delas era também relatora de teses.10 O congresso fez-se de 4 a 9 de maio, na Associação de Socorros Mútuos dos Empregados no Comércio.2 Outras sócias do Conselho levaram-lhe teses, como as professoras Ilda Pinto de Lima e Regina do Carmo, Julieta Ribeiro de Carvalho e Maria Isabel Correia Manso.9
Com Maria Lamas na presidência, a partir de 1945, o Conselho ganhou projeção nacional e abriu delegações pelo país.5 Em 1946 mudou-se para as Amoreiras — onde a polícia o fecharia no ano seguinte.2
O que ocupa hoje o n.º 13 da Praça dos Restauradores, e se o prédio é o mesmo (a paragem fica na praça).
O parentesco de Maria Brazão com Adelaide Cabete: sobrinha, segundo a Toponímia de Lisboa; irmã, segundo a NOVA FCSH e a Wikipédia.
As teses de Ilda Pinto de Lima, Regina do Carmo, Julieta Ribeiro de Carvalho e Maria Isabel Correia Manso só foram lidas na Wikipédia; a brochura de 1924 atribui «Bibliotecas infantis» e «Escolas ao ar livre», que a Wikipédia dá às duas primeiras, ao Instituto Feminino de Educação e Trabalho.
11Isabel Lousada, Adelaide Cabete (1867–1935). Comissão para a Cidadania e Igualdade de Género (coleção «Fio de Ariana»); Repositório da Universidade NOVA de Lisboa (RUN), 2010 — consultado a 4 de outubro de 2026Dá o consultório de Adelaide Cabete na «Praça dos Restauradores, n.º 13, 2.º», morada que era também a da sede da Liga Portuguesa Abolicionista, e a da projetada Associação de Mulheres Universitárias («Praça dos Restauradores, 13, 2.º», segundo O Povo).
12Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (processo de associação do Governo Civil de Lisboa, PT/SGMAI/GCLSB/H-B/001/13330). Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, arquivo do Governo Civil de Lisboa (Archeevo) — consultado a 4 de outubro de 2026Processo de 1914-04-24 a 1947-11-20 (93 f., caixa 734, cota antiga «1487/A. Extintas»). A descrição dá a data da constituição, 24 de abril de 1914; a sede na Rua da Ilha Terceira, n.º 44, rés-do-chão, e, «anteriormente», na Travessa da Fábrica das Sedas, n.º 1.
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.