Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina

Mulheres da resistência

Maria Lamas

1893–1983

Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas

Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.

Oposiçãojornalistaescritorapresidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1945–1947)presidente da Associação Feminina Portuguesa para a Pazpresa política
Nasceu
6 de outubro de 1893, Torres Novas
Morreu
6 de dezembro de 1983, Lisboa
Ver no mapa

Biografia

Nasceu em Torres Novas a 6 de outubro de 1893.4 Mãe de três filhas e divorciada, viveu do jornalismo: nos anos 1920 entrou na Agência Americana de Notícias com o apoio de Virgínia Quaresma, e foi uma das primeiras jornalistas profissionais do país.17 Publicou o primeiro livro, de versos, em 1923, e escreveu também para crianças, às vezes como «Rosa Silvestre».18

A convite de Ferreira de Castro, passou a dirigir «Modas e Bordados», o suplemento de O Século, escrito «de mulher para mulher»;13 dirigiu-o até 1947 — desde 1928, segundo Virgínia Baptista, enquanto o MDM só a dá como diretora a partir do número de 3 de agosto de 1938.14 Em 1930 organizou no jornal a exposição «Mulheres Portuguesas», sob o lema «Sejamos inteligentemente mulheres». Presidiu à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e, a partir de julho de 1945, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Assinar as listas para a fundação do MUD, nesse ano, foi para ela o primeiro ato político: «Ao fazê-lo, saí do anonimato».171

Em janeiro de 1947, o Conselho juntou na Sociedade Nacional de Belas-Artes três mil livros escritos por mulheres. Pressionado por Salazar, o diretor d'O Século obrigou-a a escolher entre o jornal e o Conselho;6 escolheu o Conselho, que a polícia fechou a 28 de junho desse ano.19 Respondeu percorrendo o país: «As Mulheres do Meu País», publicado em fascículos entre 1948 e 1950, é uma grande reportagem sobre a vida e o trabalho das mulheres portuguesas.9

Em 1949, numa sessão da candidatura de Norton de Matos, perguntou: «Será que o Estado Novo tem medo da consciência esclarecida da mulher?»1 Em dezembro desse ano foi presa pela primeira vez e levada para Caxias, onde esteve ao mesmo tempo que Virgínia Moura,422 e passou vários meses em isolamento.7 Voltaria a ser presa: na prisão de 1950, que durou seis meses, escreveu as «Cartas Políticas», e ficou-lhe uma frase: «Olhei à minha volta e comecei a reparar melhor nas outras mulheres: umas resignadas e heróicas na sua coragem e silêncio.»10 Em dezembro de 1953 foi presa no aeroporto, quando voltava de uma reunião do Conselho Mundial da Paz. Em outubro de 1960 foi, com Isabel Aboim Inglez, testemunha abonatória de Maria Alda Nogueira no Tribunal Plenário.20 Ao todo, esteve presa em Caxias em 1949, 1950–1951 e 1953.221 Exilou-se em Paris em 1962, a apoiar os refugiados portugueses, e só voltou a 3 de dezembro de 1969.422

A 1 de março de 1974, aos oitenta anos, depôs no Tribunal da Boa-Hora como testemunha de defesa de Maria Isabel Barreno, uma das «Três Marias».1 Depois do 25 de Abril foi presidente honorária do Movimento Democrático de Mulheres e diretora honorária de «Mulher – Modas e Bordados».3 Morreu em Lisboa a 6 de dezembro de 1983.418

Notas sobre as fontes3
  • O início em «Modas e Bordados»: 1928 (Virgínia Baptista; Wikipédia) ou 1930 (CIG); o MDM dá abril de 1929 para a entrada n'O Século, «pouco tempo depois» a entrada na direção do suplemento, e o nome dela como diretora a partir do número de 3 de agosto de 1938.
  • O número de fascículos de «As Mulheres do Meu País»: 15 (Virgínia Baptista) ou 24 (Teresa Joaquim).
  • Que o aeroporto onde foi presa em dezembro de 1953 é o de Lisboa: o MDM escreve só «no Aeroporto».

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes22
  1. 1Maria Lamas, a ativista pelos direitos das mulheres (Virgínia Baptista, IHC – NOVA FCSH). RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Maria Lamas e As Mulheres do Meu País ou a deslocalização de uma intelectual (Teresa Joaquim, CEMRI). Repositório Aberto da Universidade Aberta — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Maria Lamas. MDM – Movimento Democrático de Mulheres — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Maria Lamas (18/7/2024). Museu do Aljube – Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Um olhar sobre a vida de Maria Lamas. Gerador — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Maria Lamas. Wikipédia (inglês) — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Maria Lamas, a mulher que desafiou o Estado Novo (Ana Sofia Paiva, 27/5/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9As Mulheres do Meu País, de Maria Lamas. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Maria Lamas. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Maria Lamas. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Dia Internacional da Mulher. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  13. 13Maria Lamas. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  14. 14Candidatura de Norton de Matos [...] comício de Lisboa (Voz do Operário). Maria Lamas, Manuel João da Palma Carlos e Cesina Bermudes – fotografia (cota 04654.000.026). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 2 de outubro de 2026
  15. 15Novas Cartas Portuguesas. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
  16. 16Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
  17. 17Maria Lamas: uma Mulher do seu País (6/12/2023). A Voz do Operário — consultado a 2 de outubro de 2026
  18. 18A Rua Maria Lamas no 120º aniversário da escritora. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  19. 19Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  20. 20Maria Alda Nogueira. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  21. 21MUD Juvenil. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  22. 22Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 4 de outubro de 2026Primeira prisão a 17 de dezembro de 1949; presa na prisão de Caxias em 1949, 1950–1951 e 1953.

Menu

Aspeto