Jornalista e escritora, dirigiu «Modas e Bordados», presidiu ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas até o regime o fechar, em 1947, e respondeu com «As Mulheres do Meu País». Foi presa várias vezes e viveu exilada em Paris.
Oposiçãojornalistaescritorapresidente do Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas (1945–1947)presidente da Associação Feminina Portuguesa para a Pazpresa política
Nasceu em Torres Novas a 6 de outubro de 1893.4 Mãe de três filhas e divorciada, viveu do jornalismo: nos anos 1920 entrou na Agência Americana de Notícias com o apoio de Virgínia Quaresma, e foi uma das primeiras jornalistas profissionais do país.17 Publicou o primeiro livro, de versos, em 1923, e escreveu também para crianças, às vezes como «Rosa Silvestre».18
A convite de Ferreira de Castro, passou a dirigir «Modas e Bordados», o suplemento de O Século, escrito «de mulher para mulher»;13 dirigiu-o até 1947 — desde 1928, segundo Virgínia Baptista, enquanto o MDM só a dá como diretora a partir do número de 3 de agosto de 1938.14 Em 1930 organizou no jornal a exposição «Mulheres Portuguesas», sob o lema «Sejamos inteligentemente mulheres». Presidiu à Associação Feminina Portuguesa para a Paz e, a partir de julho de 1945, ao Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Assinar as listas para a fundação do MUD, nesse ano, foi para ela o primeiro ato político: «Ao fazê-lo, saí do anonimato».171
Em janeiro de 1947, o Conselho juntou na Sociedade Nacional de Belas-Artes três mil livros escritos por mulheres. Pressionado por Salazar, o diretor d'O Século obrigou-a a escolher entre o jornal e o Conselho;6 escolheu o Conselho, que a polícia fechou a 28 de junho desse ano.19 Respondeu percorrendo o país: «As Mulheres do Meu País», publicado em fascículos entre 1948 e 1950, é uma grande reportagem sobre a vida e o trabalho das mulheres portuguesas.9
Em 1949, numa sessão da candidatura de Norton de Matos, perguntou: «Será que o Estado Novo tem medo da consciência esclarecida da mulher?»1 Em dezembro desse ano foi presa pela primeira vez e levada para Caxias, onde esteve ao mesmo tempo que Virgínia Moura,422 e passou vários meses em isolamento.7 Voltaria a ser presa: na prisão de 1950, que durou seis meses, escreveu as «Cartas Políticas», e ficou-lhe uma frase: «Olhei à minha volta e comecei a reparar melhor nas outras mulheres: umas resignadas e heróicas na sua coragem e silêncio.»10 Em dezembro de 1953 foi presa no aeroporto, quando voltava de uma reunião do Conselho Mundial da Paz. Em outubro de 1960 foi, com Isabel Aboim Inglez, testemunha abonatória de Maria Alda Nogueira no Tribunal Plenário.20 Ao todo, esteve presa em Caxias em 1949, 1950–1951 e 1953.221 Exilou-se em Paris em 1962, a apoiar os refugiados portugueses, e só voltou a 3 de dezembro de 1969.422
A 1 de março de 1974, aos oitenta anos, depôs no Tribunal da Boa-Hora como testemunha de defesa de Maria Isabel Barreno, uma das «Três Marias».1 Depois do 25 de Abril foi presidente honorária do Movimento Democrático de Mulheres e diretora honorária de «Mulher – Modas e Bordados».3 Morreu em Lisboa a 6 de dezembro de 1983.418
Na Biblioteca de Arte da Gulbenkian, Ana Barata traça um retrato de Maria Lamas a propósito da exposição «As Mulheres de Maria Lamas», aberta ao público de 26 de janeiro a 28 de maio de 2024.
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O início em «Modas e Bordados»: 1928 (Virgínia Baptista; Wikipédia) ou 1930 (CIG); o MDM dá abril de 1929 para a entrada n'O Século, «pouco tempo depois» a entrada na direção do suplemento, e o nome dela como diretora a partir do número de 3 de agosto de 1938.
O número de fascículos de «As Mulheres do Meu País»: 15 (Virgínia Baptista) ou 24 (Teresa Joaquim).
Que o aeroporto onde foi presa em dezembro de 1953 é o de Lisboa: o MDM escreve só «no Aeroporto».
20Maria Alda Nogueira. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
21MUD Juvenil. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
22Maria da Conceição Vassalo e Silva da Cunha Lamas. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 4 de outubro de 2026Primeira prisão a 17 de dezembro de 1949; presa na prisão de Caxias em 1949, 1950–1951 e 1953.