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Em Cada Esquina
O Quartel do Carmo, comando-geral da GNR, no Largo do Carmo, em 2017. Marcin Latka, CC BY-SA 2.0

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Fachada clara com janelas em arco, uma bandeira portuguesa ao alto e duas guaritas listradas à porta; à frente, visitantes no largo.
O Quartel do Carmo, comando-geral da GNR, no Largo do Carmo, em 2017. Marcin Latka, CC BY-SA 2.0

Santa Maria Maior

Largo do Carmo e Quartel do Carmo

O mais simbólico dos lugares de Abril. No Quartel do Carmo refugiou-se Marcelo Caetano na madrugada de 25 de abril de 1974; cercado pela coluna de Salgueiro Maia e por milhares de pessoas, entregou o poder ao general Spínola ao fim da tarde.

Hoje: Comando-Geral da GNR e Museu da Guarda Nacional RepublicanaHá uma marca no local
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História

Às cinco da manhã de 25 de abril de 1974, o diretor da polícia política, Silva Pais, telefonou a Marcelo Caetano: «Senhor Presidente, a Revolução está na rua!» — e aconselhou-o a ir para o quartel da GNR no Largo do Carmo. O presidente do Conselho chegou com o seu adjunto militar e juntaram-se-lhe o ministro Moreira Baptista e o almirante Henrique Tenreiro.2 Segundo a cronologia de Jofre Alves, foi Maria de Lurdes Rocha, chefe da limpeza e da lavandaria do quartel, quem preparou à pressa cinco quartos para o governo cercado.6

Cerca das 12h30, a coluna de Salgueiro Maia, que subira do Rossio pela Rua do Carmo entre a multidão, cercou o quartel. As pessoas levavam comida, leite e cigarros aos soldados. Ao início da tarde, forças fiéis ao regime tentaram envolver o dispositivo a partir do Largo de Camões, da Misericórdia e do Chiado; a chegada do Regimento de Cavalaria 3, de Estremoz, desfez a manobra.3

Às 15h10, por megafone, Maia deu dez minutos para a rendição; às 15h25, uma chaimite disparou rajadas contra o alto da fachada. Às 16h00 chegou um emissário com uma mensagem do general Spínola, e Caetano decidiu render-se — «assim o poder não cai na rua» —, pedindo que o poder fosse entregue a um oficial-general.1

Spínola chegou ao fim da tarde, de automóvel, entre a multidão que cantava o hino. Pouco depois das 18h30, a chaimite «Bula» entrou de marcha-atrás pela porta de armas e levou Caetano, Rui Patrício e Moreira Baptista para o quartel da Pontinha. O cerco foi levantado às 19h30.5 Já depois da rendição, a poucas centenas de metros, a DGS disparou sobre a multidão na Rua António Maria Cardoso.5

O quartel tinha sido, logo a seguir ao golpe de 1926, a primeira casa da censura à imprensa: os serviços funcionaram aqui de 22 de junho de 1926 a 1934.9 A 11 de março de 1975, oficiais da GNR prenderam aqui o comandante-geral e outros oficiais fiéis ao Movimento das Forças Armadas, e o largo voltou a encher-se de gente.78

O quartel ocupa o antigo Convento do Carmo, que Nuno Álvares Pereira mandou construir depois de Aljubarrota e que o terramoto de 1755 arruinou. Hoje acolhe o Museu da GNR, aberto ao público desde maio de 2015.14 Na primavera de 2025, abriram-se ao público, de graça, o Salão Nobre, os gabinetes do comando e uma varanda sobre o Rossio.13

Notas sobre as fontes6
  • Hora de chegada de Caetano ao Carmo: 05h30 (Jofre Alves) ou 06h00 (Associação 25 de Abril).
  • Chegada de Spínola: 17h45 (Comissão Comemorativa, CD25A) ou 18h00 (Associação 25 de Abril); a entrega do poder é situada «pelas 18h30» na página Lugares de Abril.
  • Saída da «Bula»: 19h30 (CD25A) ou 19h35 (Associação 25 de Abril).
  • O pormenor sobre Maria de Lurdes Rocha só consta da cronologia de Jofre Alves.
  • O número de polícia do quartel: o Museu da GNR dá só «Largo do Carmo, 1200-092 Lisboa».
  • Outras marcas de memória do 25 de Abril no largo, além da placa dos «Lugares de Abril» (calçada, outras placas): não verificadas.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes14
  1. 1Largo e Quartel do Carmo (Lugares de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Salgueiro Maia. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5O 25 de Abril para os mais novos – Cronologia hora a hora. Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Cronologia do 25 de Abril, por Jofre Alves (blogue Abril de Novo, 2010), na Biblioteca Digital do CD25A. Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7RAL 1 – Lisboa. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8A defesa do RAL1 e a resposta do MFA. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Os censores da imprensa (Joaquim Cardoso Gomes), JJ – Jornalismo & Jornalistas n.º 57, jan./jun. 2014. Clube de Jornalistas (PDF no Centro de Documentação 25 de Abril, Univ. Coimbra) — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10O 25 de Abril e a queda do regime no Largo do Carmo. Toponímia de Lisboa – CML (25/4/2019) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11João Guilherme Rego Arruda (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
  13. 13Quartel do Carmo está aberto a visitas até 10 de Maio (e é grátis). Time Out Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  14. 14Museu (Museu da Guarda Nacional Republicana, Quartel do Carmo). Arquivo Histórico da Guarda Nacional Republicana — consultado a 3 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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