Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina

Avenidas Novas

Avenida Barbosa du Bocage, n.º 96 (capela particular de Josué Trocado)

Aqui rebentou, a 4 de julho de 1937, a bomba com que anarquistas quiseram matar Salazar quando chegava à missa na capela do amigo Josué Trocado. O ditador saiu ileso; a polícia prendeu e torturou quem nada tinha a ver com o caso.

Hoje: Avenida Barbosa du BocageLocalização aproximada
Ver no mapa

História

Aos domingos, Salazar ia à missa na capela particular da casa do amigo Josué Trocado, no n.º 96 desta avenida, no quarteirão entre as avenidas da República e 5 de Outubro.2 Na manhã de 4 de julho de 1937, quando o ditador saía do automóvel, rebentou uma bomba de dinamite colocada num coletor de esgotos. Um erro de escassos centímetros fê-la explodir para o lado errado: abriu uma enorme cratera, destruiu os esgotos em volta, estilhaçou as vidraças e fez voar as pedras da calçada. Salazar saiu ileso e seguiu para a missa.1 A crer nos jornais do dia seguinte, sacudiu a terra do fato e disse ao chefe de gabinete: «Vamos assistir à missa.»2

O atentado, preparado sob o signo da guerra civil de Espanha, é normalmente atribuído a anarquistas como Emídio Santana, que terão agido em ligação com outros elementos da Frente Popular, nomeadamente do PCP.1 O regime capitalizou a comoção: rezaram-se missas de ação de graças por toda a parte, e a imagem providencial de Salazar saiu reforçada.3

A investigação foi outra violência. Logo no dia seguinte, a polícia começou a prender militantes comunistas que nada tinham a ver com o atentado — entre eles uma mulher da Secção Feminina do PCP, Deolinda da Conceição Barreiros —, e a violência dos interrogatórios arrancou-lhes longas declarações sobre a vida do partido.2 Dois dos presos, José Lopes da Silva e Jacinto Estêvão de Carvalho, e talvez um terceiro, Augusto Martins, morreram em consequência das torturas.1 A própria direção da PVDE acabou por admitir que perseguira, prendera e condenara quem nada tivera que ver com o caso, e que o atentado fora planeado e executado por Emídio Santana, Jaime Duarte, António Granja, Francisco Damião, Raul Pimenta e Vaz Rodrigues.2

Notas sobre as fontes2
  • A hora da explosão: «cerca das 10 horas da manhã» (António de Araújo), 10h25 (Diário de Notícias) ou «pelas 10 horas e meia» (acusação do processo, de 1938, transcrita no blogue Cidadãos por Abrantes, sem cota de arquivo).
  • Se o prédio do n.º 96 ainda existe e que número tem hoje: as coordenadas marcam a avenida, não o edifício.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes6
  1. 1Atentado a Salazar. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2O atentado de 1937 contra Salazar e as consequências para o PCP (pré-publicação de «Os Anos Esquecidos»). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Salazar. A história e os detalhes do atentado à bomba de 1937 de que o ditador escapou (excerto de «Matar o Salazar», de António Araújo). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4O dia em que Salazar sofreu um atentado. Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Retratos do atentado a Salazar. RTP Ensina — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Emídio Santana. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

Menu

Aspeto