Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina

Mulheres da resistência

Maria Isabel Barreno

1939–2016

Maria Isabel Barreno de Faria Martins

Escritora e investigadora, uma das «Três Marias». Julgada pelas «Novas Cartas Portuguesas» e absolvida a 7 de maio de 1974, viu a maior consequência do processo na Constituição: a igualdade de todos, «sem distinção de raça, sexo ou religião».

Cultura e censuraescritorainvestigadoracoautora das «Novas Cartas Portuguesas»cofundadora do Movimento de Libertação das Mulheres
Nasceu
10 de julho de 1939, Lisboa
Morreu
3 de setembro de 2016
Ver no mapa

Biografia

Nasceu em Lisboa a 10 de julho de 1939, filha de um comandante da Marinha Mercante e de uma doméstica. Licenciou-se em Ciências Histórico-Filosóficas na Faculdade de Letras em 1962 e foi investigadora no Instituto Nacional de Investigação Industrial, onde conheceu o mundo do trabalho e viu as mulheres «empurradas para a invisibilidade». Uma empregada da limpeza do serviço onde trabalhava morreu ao fazer o seu vigésimo quarto aborto caseiro.81

Em 1970 publicou «Os Outros Legítimos Superiores», em que denunciava o silêncio simbólico imposto às mulheres.9 Com Maria Teresa Horta e Maria Velho da Costa escreveu as «Novas Cartas Portuguesas», que a Estúdios Cor publicou em abril de 1972 e a censura apreendeu dias depois.5 As três foram julgadas no Tribunal da Boa-Hora a partir de 25 de outubro de 1973, com o editor Romeu de Melo; Maria Lamas foi testemunha de defesa de Barreno.7 A 7 de maio de 1974 foram absolvidas, e o advogado de Barreno, Duarte Vidal, disse ao Diário de Lisboa que a magistratura ficara «dignificada» com a sentença.4

Do 25 de Abril, recordava «a libertação dum peso que nos esmagava». E para ela a consequência mais importante do processo, e da atenção internacional que trouxe, estava na nova Constituição: a igualdade de direitos de todos os cidadãos, «sem distinção de raça, sexo ou religião».8 Esteve na fundação do Movimento de Libertação das Mulheres, em 1974.6

Publicou romances, contos e ensaios — «A Morte da Mãe», começado antes das Novas Cartas, «Crónica do Tempo», prémio Fernando Namora — e foi chefe de redação da revista Marie Claire de 1990 a 1993.8 Morreu a 3 de setembro de 2016, aos 77 anos.1

Notas sobre as fontes2
  • O local da morte: o Observador refere a cremação no cemitério dos Olivais, sem dizer onde morreu.
  • Se esteve na manifestação do MLM no Parque Eduardo VII, a 13 de janeiro de 1975 (as fontes lidas nomeiam-na como fundadora do movimento, não como manifestante nesse dia).

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes14
  1. 1Morreu Maria Isabel Barreno, feroz defensora dos direitos das mulheres (3/9/2016). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3«Novas Cartas Portuguesas» – Julgamento secreto (Diário de Lisboa, 25/10/1973). Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4«As Três Marias foram absolvidas» / «Absolvição para as Novas Cartas Portuguesas» (Diário de Lisboa, 8 de maio de 1974). Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia — consultado a 2 de outubro de 2026O ficheiro da Hemeroteca chama-se «04Mai1974», mas a página diz que as «Novas Cartas Portuguesas» passaram «ontem» de tabu a «best-seller», e a absolvição foi a 7 de maio — é o número de 8 de maio.
  5. 5Novas Cartas Portuguesas. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Movimento de Libertação das Mulheres. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Maria Lamas, a ativista pelos direitos das mulheres (Virgínia Baptista, IHC – NOVA FCSH). RUN – Repositório da Universidade Nova de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Maria Isabel Barreno. MDM – Movimento Democrático de Mulheres — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Itinerário «Novas Cartas Portuguesas». Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10“As três Marias foram absolvidas”. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Processo “Novas Cartas Portuguesas”. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  13. 13Maria Isabel Barreno. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  14. 14Novas Cartas Portuguesas. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026

Menu

Aspeto