Na madrugada de 25 de Abril, o MFA ocupou o aeroporto da Portela e fechou o espaço aéreo. Daqui partiram Caetano e Tomás para o Funchal, e aqui chegaram do exílio, a 30 de abril, Álvaro Cunhal e Conceição Matos, no «avião da Liberdade».
A 20 de dezembro de 1953, ao regressar de uma reunião do Conselho Mundial da Paz, Maria Lamas foi presa pela PIDE no aeroporto, e com ela cerca de cinquenta pessoas que a esperavam — entre elas a pintora Maria Keil e o marido, o arquiteto Francisco Keil do Amaral, Sofia Dias Coelho, Antónia Lapa e Maria Machado.712 Quase vinte anos depois, a 26 de novembro de 1972, foi a vez de Maria Antónia Fiadeiro: voltava do exílio no Brasil com os filhos, foi presa aqui e levada para Caxias, onde ficou um mês.8913
No plano de operações do MFA, o aeroporto era um objetivo a ocupar: era preciso cortar as comunicações com o exterior, impedir a fuga de responsáveis do regime e a chegada de reforços por via aérea.1 Cerca de duzentos militares da Escola Prática de Infantaria, de Mafra, comandados pelo capitão Rui Rodrigues, chegaram de madrugada; lá dentro já estava o capitão da Força Aérea José Costa Martins. A PSP, a Guarda Fiscal e a DGS foram desarmadas e detidas, e Costa Martins subiu à torre de controlo com homens armados para mandar interditar o espaço aéreo português e desviar o tráfego para Madrid e Las Palmas.2 Às 04h25, Rui Rodrigues comunicou ao Posto de Comando: «NOVA IORQUE foi ocupada e encontra-se sob controlo». Com o aeroporto tomado, pôde dar-se a ordem para ler o primeiro comunicado do MFA no Rádio Clube Português.12
Ao fim da tarde, a força de Mafra saiu daqui para o RAL 1, onde libertou os oficiais presos desde 16 de março. Às 23h00 aterraram duas companhias de paraquedistas vindas de Tancos: uma rendeu os soldados da Escola Prática de Infantaria, esgotados; a outra seguiu para o forte de Caxias. Na manhã de 26, pelas 07h00, Américo Tomás e Marcelo Caetano, com os ex-ministros Silva Cunha e Moreira Baptista, embarcaram aqui num avião da Força Aérea para o Funchal, onde ficaram com residência vigiada.2
A 30 de abril, Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP, chegou ao aeroporto da Portela depois de 14 anos de exílio, no voo AF501 da Air France, vindo de Paris, que aterrou pelas 13h50.4314 Esperava-o uma multidão emocionada; Mário Soares estava a poucos metros do avião, à espera de o abraçar, e Cunhal falou à multidão de cima de uma chaimite.3No mesmo avião, o «avião da Liberdade», vinham Conceição Matos e Domingos Abrantes, que em fevereiro tinham partido clandestinos para Paris.10
A 11 de março de 1975, durante a tentativa de golpe spinolista, o COPCON ocupou o aeroporto.6 Desde 15 de maio de 2016, o aeroporto tem o nome de Humberto Delgado, em homenagem ao general que combateu a ditadura e ajudou a criar a aviação comercial portuguesa e a TAP.11
Testemunho de Luís Cília recolhido pelo Museu do Aljube em janeiro de 2024. A biografia que o museu publica com ele lembra a deserção, o exílio em Paris a partir de 1964 e o regresso a Portugal a 30 de abril de 1974.
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Peça da Câmara de Lisboa, publicada a 16 de maio de 2016, sobre o novo nome do aeroporto da Portela: Aeroporto Humberto Delgado. A Câmara lembra o general que ajudou a criar a aviação comercial portuguesa e a TAP, candidato contra o regime em 1958 e assassinado pela PIDE em 1965.
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Que Maria Antónia Fiadeiro foi presa no aeroporto de Lisboa: a Wikipédia e o Correio da Manhã (2023) dizem que foi presa «no aeroporto» a 26 de novembro de 1972, ao regressar do Brasil, e levada para Caxias, mas nenhuma das duas nomeia o aeroporto; a CIG diz só que foi presa em 1972, quando regressava do Brasil.
A hora a que o aeroporto ficou controlado na madrugada de 25 de abril: 04h00 (Comissão Comemorativa) ou 04h25, a hora da mensagem ao Posto de Comando (Associação 25 de Abril).
12Catálogo do fundo Francisco Keil do Amaral. Câmara Municipal de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, 2026 — consultado a 4 de outubro de 2026Keil do Amaral foi preso pela PIDE a 20 de dezembro de 1953 «no aeroporto de Lisboa», quando esperava a chegada de Maria Lamas, e só foi solto cerca de um mês depois.
13Jornalista e escritora Maria Antónia Fiadeiro morreu aos 81 anos. Correio da Manhã, 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026A 26 de novembro de 1972 regressou a Portugal, foi detida pela PIDE no aeroporto e levada para a prisão de Caxias, onde ficou um mês.
14Álvaro Cunhal, revolução e ressaca. Visão (série «50 anos do 25 de Abril», Visão Biografia), 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026A 30 de abril de 1974, pelas 13h50, o voo AF501 da Air France, vindo de Paris, aterrou na Portela com Álvaro Cunhal.
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.