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O Terminal 1 do Aeroporto Humberto Delgado, na Portela, em 2021. Sharon Hahn Darlin, CC BY 2.0

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Edifício de aeroporto com uma torre cilíndrica envidraçada e fachadas de pedra clara, com o logótipo «ana», diante de uma via de acesso, sob céu azul.
O Terminal 1 do Aeroporto Humberto Delgado, na Portela, em 2021. Sharon Hahn Darlin, CC BY 2.0

Olivais

Aeroporto de Lisboa (Portela)

Na madrugada de 25 de Abril, o MFA ocupou o aeroporto da Portela e fechou o espaço aéreo. Daqui partiram Caetano e Tomás para o Funchal, e aqui chegaram do exílio, a 30 de abril, Álvaro Cunhal e Conceição Matos, no «avião da Liberdade».

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História

A 20 de dezembro de 1953, ao regressar de uma reunião do Conselho Mundial da Paz, Maria Lamas foi presa pela PIDE no aeroporto, e com ela cerca de cinquenta pessoas que a esperavam — entre elas a pintora Maria Keil e o marido, o arquiteto Francisco Keil do Amaral, Sofia Dias Coelho, Antónia Lapa e Maria Machado.712 Quase vinte anos depois, a 26 de novembro de 1972, foi a vez de Maria Antónia Fiadeiro: voltava do exílio no Brasil com os filhos, foi presa aqui e levada para Caxias, onde ficou um mês.8913

No plano de operações do MFA, o aeroporto era um objetivo a ocupar: era preciso cortar as comunicações com o exterior, impedir a fuga de responsáveis do regime e a chegada de reforços por via aérea.1 Cerca de duzentos militares da Escola Prática de Infantaria, de Mafra, comandados pelo capitão Rui Rodrigues, chegaram de madrugada; lá dentro já estava o capitão da Força Aérea José Costa Martins. A PSP, a Guarda Fiscal e a DGS foram desarmadas e detidas, e Costa Martins subiu à torre de controlo com homens armados para mandar interditar o espaço aéreo português e desviar o tráfego para Madrid e Las Palmas.2 Às 04h25, Rui Rodrigues comunicou ao Posto de Comando: «NOVA IORQUE foi ocupada e encontra-se sob controlo». Com o aeroporto tomado, pôde dar-se a ordem para ler o primeiro comunicado do MFA no Rádio Clube Português.12

Ao fim da tarde, a força de Mafra saiu daqui para o RAL 1, onde libertou os oficiais presos desde 16 de março. Às 23h00 aterraram duas companhias de paraquedistas vindas de Tancos: uma rendeu os soldados da Escola Prática de Infantaria, esgotados; a outra seguiu para o forte de Caxias. Na manhã de 26, pelas 07h00, Américo Tomás e Marcelo Caetano, com os ex-ministros Silva Cunha e Moreira Baptista, embarcaram aqui num avião da Força Aérea para o Funchal, onde ficaram com residência vigiada.2

A 30 de abril, Álvaro Cunhal, secretário-geral do PCP, chegou ao aeroporto da Portela depois de 14 anos de exílio, no voo AF501 da Air France, vindo de Paris, que aterrou pelas 13h50.4314 Esperava-o uma multidão emocionada; Mário Soares estava a poucos metros do avião, à espera de o abraçar, e Cunhal falou à multidão de cima de uma chaimite.3 No mesmo avião, o «avião da Liberdade», vinham Conceição Matos e Domingos Abrantes, que em fevereiro tinham partido clandestinos para Paris.10

A 11 de março de 1975, durante a tentativa de golpe spinolista, o COPCON ocupou o aeroporto.6 Desde 15 de maio de 2016, o aeroporto tem o nome de Humberto Delgado, em homenagem ao general que combateu a ditadura e ajudou a criar a aviação comercial portuguesa e a TAP.11

Notas sobre as fontes2
  • Que Maria Antónia Fiadeiro foi presa no aeroporto de Lisboa: a Wikipédia e o Correio da Manhã (2023) dizem que foi presa «no aeroporto» a 26 de novembro de 1972, ao regressar do Brasil, e levada para Caxias, mas nenhuma das duas nomeia o aeroporto; a CIG diz só que foi presa em 1972, quando regressava do Brasil.
  • A hora a que o aeroporto ficou controlado na madrugada de 25 de abril: 04h00 (Comissão Comemorativa) ou 04h25, a hora da mensagem ao Posto de Comando (Associação 25 de Abril).

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes14
  1. 1Aeroporto de Lisboa (Lugares de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Operação Viragem Histórica. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4O regresso dos exilados. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5A chegada de Álvaro Cunhal do exílio. RTP Ensina — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6RAL 1 – Lisboa. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Maria Lamas. MDM – Movimento Democrático de Mulheres — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Maria Antónia Fiadeiro. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Domingos Abrantes e Maria da Conceição Matos (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Aeroporto de Lisboa passa a chamar-se Humberto Delgado no dia 15. XXI Governo Constitucional – República Portuguesa, 2016 — consultado a 3 de outubro de 2026
  12. 12Catálogo do fundo Francisco Keil do Amaral. Câmara Municipal de Lisboa, Arquivo Municipal de Lisboa, 2026 — consultado a 4 de outubro de 2026Keil do Amaral foi preso pela PIDE a 20 de dezembro de 1953 «no aeroporto de Lisboa», quando esperava a chegada de Maria Lamas, e só foi solto cerca de um mês depois.
  13. 13Jornalista e escritora Maria Antónia Fiadeiro morreu aos 81 anos. Correio da Manhã, 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026A 26 de novembro de 1972 regressou a Portugal, foi detida pela PIDE no aeroporto e levada para a prisão de Caxias, onde ficou um mês.
  14. 14Álvaro Cunhal, revolução e ressaca. Visão (série «50 anos do 25 de Abril», Visão Biografia), 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026A 30 de abril de 1974, pelas 13h50, o voo AF501 da Air France, vindo de Paris, aterrou na Portela com Álvaro Cunhal.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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