Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina

Mulheres da resistência

Maria Teresa Horta

1937–2025

Maria Teresa de Mascarenhas Horta

Poeta e jornalista, uma das «Três Marias». A PIDE apreendeu-lhe «Minha Senhora de Mim» e três homens espancaram-na na rua; com Maria Isabel Barreno e Maria Velho da Costa escreveu as «Novas Cartas Portuguesas», que as levaram a tribunal — e à absolvição, a 7 de maio de 1974.

Cultura e censurapoetajornalistauma das «Três Marias»coautora das Novas Cartas Portuguesascofundadora do MLM
Nasceu
20 de maio de 1937, Lisboa
Morreu
4 de fevereiro de 2025, Lisboa
Ver no mapa

Biografia

Nasceu em Lisboa em 1937. Frequentou a Faculdade de Letras, dirigiu o ABC Cine-Clube e foi jornalista em muitos títulos — A Capital, Diário de Notícias, Diário de Lisboa, O Século, República, Seara Nova, Vértice.13

Em 1971 publicou «Minha Senhora de Mim», nos Cadernos de Poesia da Dom Quixote: poemas na forma das cantigas de amigo, a defender o direito das mulheres a viver a sua sexualidade. A PIDE apreendeu o livro por ofensa «da moral tradicional da nação», o secretário de Estado da Informação ameaçou fechar a editora de Snu Abecassis se voltasse a publicá-la, e a autora foi espancada na rua por três homens e levada ao Hospital de Santa Maria.9

No dia seguinte havia o almoço semanal com Maria Velho da Costa e Maria Isabel Barreno. Foi aí que Velho da Costa perguntou: «Se uma mulher sozinha causa toda esta confusão, este burburinho, este escândalo, o que aconteceria se fôssemos três?»9 As «Novas Cartas Portuguesas» saíram em 1972, a partir das cartas atribuídas a Mariana Alcoforado. A primeira edição foi destruída pela censura três dias depois, e as autoras acusadas de uma obra de «conteúdo insanavelmente pornográfico e atentatório da moral pública». Interrogadas separadamente, nunca disseram quem escrevera o quê. Simone de Beauvoir, Marguerite Duras, Doris Lessing e Iris Murdoch estiveram entre as vozes da campanha internacional de solidariedade.1

O julgamento começou a 25 de outubro de 1973 no Tribunal da Boa-Hora. A 7 de maio de 1974, já em liberdade, as três foram absolvidas.2 Segundo o Diário de Lisboa, saíram com cravos vermelhos ao peito, e Teresa Horta anunciou ali um movimento de libertação da mulher; o mesmo jornal chama «advogado de Maria Teresa Horta» ao dr. Ataíde Ferreira (a Wikipédia dá-lhe Duarte Vidal, que o jornal apresenta como advogado de Maria Isabel Barreno).6

Em 1975 publicou com Célia Metrass e Helena de Sá Medeiros «Aborto, direito ao nosso corpo», o primeiro livro sobre o aborto em Portugal.8 Militou no PCP entre 1975 e 1989 e foi chefe de redação da revista Mulheres; em 2022 foi feita grande-oficial da Ordem da Liberdade.5 Morreu em Lisboa a 4 de fevereiro de 2025, a última das Três Marias.4

Notas sobre as fontes1
  • A data da agressão na rua: o Museu do Aljube põe-na na véspera do almoço semanal das três escritoras em que nasceu, em maio de 1971, a ideia das «Novas Cartas Portuguesas», sem dar o dia; o Observador fala de violência «nas ruas», sem data nem local.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes13
  1. 1Novas Cartas Portuguesas. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2“As três Marias foram absolvidas”. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Maria Teresa Horta (Q2624628). Wikidata — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Morreu a escritora e poetisa Maria Teresa Horta, aos 87 anos (4/2/2025). Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6«As Três Marias foram absolvidas» / «Absolvição para as Novas Cartas Portuguesas» (Diário de Lisboa, 8 de maio de 1974). Hemeroteca Municipal de Lisboa – Livros que foram notícia — consultado a 2 de outubro de 2026O ficheiro da Hemeroteca chama-se «04Mai1974», mas a página diz que as «Novas Cartas Portuguesas» passaram «ontem» de tabu a «best-seller», e a absolvição foi a 7 de maio — é o número de 8 de maio.
  7. 7Movimento de Libertação das Mulheres. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8A manifestação feminista que não chegou a acontecer, 45 anos depois (Rafaela Cortez, 26/4/2020). Comunidade Cultura e Arte — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Itinerário «Novas Cartas Portuguesas». Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Novas Cartas Portuguesas. Wikipédia (ponto de partida) — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Processo “Novas Cartas Portuguesas”. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  13. 13Maria Teresa Horta. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026

Menu

Aspeto