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O estaleiro das obras no terreno da antiga Feira Popular, em Entrecampos, visto do alto em outubro de 2025. O Teatro Vasco Santana ficava neste recinto. Hipersyl, CC BY 4.0

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Vista do alto de uma escavação funda, com muros de contenção de betão e água parada no fundo; à esquerda passa uma avenida com trânsito, e por trás alinham-se prédios de habitação de várias cores sob um céu com nuvens.
O estaleiro das obras no terreno da antiga Feira Popular, em Entrecampos, visto do alto em outubro de 2025. O Teatro Vasco Santana ficava neste recinto. Hipersyl, CC BY 4.0

Avenidas Novas

Teatro Vasco Santana (antiga Feira Popular)

No pavilhão municipal da Feira Popular, que em 1972 passou a ser o Teatro Vasco Santana, teve casa o Teatro Estúdio de Lisboa, de Luzia Maria Martins e Helena Félix. Em 1974, o Movimento de Libertação das Mulheres lançou aqui «Mulheres Guerrilheiras», anunciado como o primeiro disco feminista português.

Hoje: Obras do empreendimento EntreCampos, no terreno da antiga Feira PopularLocalização aproximada
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História

A Feira Popular de Lisboa mudou-se para Entrecampos, para os terrenos do antigo Mercado Geral de Gados, e abriu a 24 de junho de 1961; a Câmara Municipal instalou um cinema no seu Pavilhão Municipal.1 Foi nesse pavilhão que, a 16 de dezembro de 1964, Luzia Maria Martins e Helena Félix apresentaram «Joana de Lorena», de Maxwell Anderson, o primeiro espetáculo do Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), a primeira companhia de teatro independente da cidade, que fundaram com Valentina Trigo de Sousa.123 Era um dos textos que a censura olhava com desconfiança.4 Em 1972, depois de obras, o cinema passou a ser o Teatro Vasco Santana, com o TEL como companhia permanente.1

Em 1974, Luzia Maria Martins escreveu para a companhia «Lisboa 72-74», cenas da vida de Lisboa estreadas depois do 25 de Abril, onde se ouviu pela primeira vez «Somos Livres», com letra e música da atriz Ermelinda Duarte.435 As fontes não dizem em que sala estreou a peça.

Também em 1974, ao fim da tarde e com entrada livre, o Movimento de Libertação das Mulheres fez aqui o espetáculo de lançamento de «Mulheres Guerrilheiras», que «O Século» apresentou como o primeiro disco feminista português: poema de Maria Teresa Horta, música de Pedro Jordão, na voz de Teresa Paula Brito. Na parte cultural, as artistas Leonor Poeira, Maria da Glória e Teresa Paula Brito fizeram «uma denúncia da situação actual de discriminação sexista».6

O TEL estreou aqui a sua última peça, «Habeas Corpus», a 12 de janeiro de 1989, e acabou em 1991, o ano da morte de Helena Félix.14 No Dia Internacional da Mulher de 1993, a Câmara inaugurou ali perto, junto à Avenida das Forças Armadas, uma rua com o nome dela; foi Luzia Maria Martins quem descerrou a placa.2 A Feira Popular fechou em 2003, e com ela o teatro.1 Em 2015 restavam do pavilhão as ruínas; o terreno da antiga Feira é hoje uma obra, a do empreendimento EntreCampos.7910

Notas sobre as fontes5
  • O ponto exato do teatro dentro da antiga Feira Popular: as legendas de fotografias de 1961 e de 1972 situam-no na Avenida da República, e em 2015 dizia-se que o edifício dava para a avenida; o ponto do mapa é o da Feira (Wikidata), na faixa do terreno junto à avenida.
  • Em que sala estreou «Lisboa 72-74», a peça em que se ouviu pela primeira vez «Somos Livres»: nenhuma fonte o diz, e a lista das peças em cena no Teatro Vasco Santana publicada pelo Restos de Colecção não a inclui (em 1974 regista só «O mar», em março e abril).
  • O dia do espetáculo do Movimento de Libertação das Mulheres: o recorte de «O Século» diz «ontem», mas não traz data; a Casa Comum data-o de 1974.
  • Quando fechou o teatro: em 2003, com a Feira (Restos de Colecção), ou em 2006 (Lisboa de Antigamente).
  • Se ainda resta alguma coisa do edifício: em 2015 estava em ruínas (Misérias de Lisboa), e o terreno está hoje em obras.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes11
  1. 1José Leite, Teatro Vasco Santana. Restos de Colecção (blogue), 2014 — consultado a 4 de outubro de 2026Com fotografias do Arquivo Municipal de Lisboa e da Hemeroteca Digital e uma lista das peças em cena no teatro, de 1963 a 1989.
  2. 2A Rua Helena Félix do Teatro Estúdio de Lisboa na Feira Popular. Câmara Municipal de Lisboa — Toponímia de Lisboa, 2018 — consultado a 4 de outubro de 2026
  3. 3A mãe do teatro independente num Largo da Quinta dos Barros. Câmara Municipal de Lisboa — Toponímia de Lisboa, 2013 — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Marta Brites Rosa, Luzia Maria Martins (Lisbon, 27/05/1927 – Lisbon, 13/09/2000). DramaOnline — Dramaturgia portuguesa dos séculos XX e XXI (dir. Sebastiana Fadda); versão revista da entrada do Centro Virtual Camões — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5Ermelinda Duarte — «Somos Livres» [1975] (descrição do single, com o texto de Etelvina Lopes de Almeida que acompanhou a edição em vinil). Edições Valentim de Carvalho (canal oficial no YouTube), 2020 — consultado a 4 de outubro de 2026
  6. 6Movimento de Libertação das Mulheres - O Século (recorte de imprensa, 1974). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso (fundo UMAR), 1974 — consultado a 4 de outubro de 2026Cota 10092.005.001.001. O recorte não traz data; o arquivo data-o de 1974.
  7. 7Teatro Vasco Santana. Misérias de Lisboa (blogue), 2015 — consultado a 4 de outubro de 2026
  8. 8Cinema da Feira Popular e Teatro Vasco Santana. Lisboa de Antigamente (blogue), 2022 — consultado a 4 de outubro de 2026
  9. 9«Melhor projeto urbanístico da Europa» vai nascer no terreno da antiga Feira Popular. Olhares de Lisboa, 2026 — consultado a 4 de outubro de 2026
  10. 10Felipe Ribeiro, Arranca megaprojeto imobiliário na antiga Feira Popular de Lisboa. RE Portugal (Vida Imobiliária), 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026
  11. 11Feira Popular de Lisboa (Q18477561). Wikidata — consultado a 4 de outubro de 2026Coordenadas (P625) do recinto de Entrecampos: 38,746389, −9,148889.

Coordenadas: Wikidata (Q18477561, P625: a antiga Feira Popular de Lisboa), consultado a 4 de outubro de 2026. O ponto cai na faixa do recinto junto à Avenida da República (OpenStreetMap, way 238480216), o lado onde as fontes situam o teatro; o ponto exato do pavilhão não se encontrou..

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