Avenidas Novas
Teatro Vasco Santana (antiga Feira Popular)
No pavilhão municipal da Feira Popular, que em 1972 passou a ser o Teatro Vasco Santana, teve casa o Teatro Estúdio de Lisboa, de Luzia Maria Martins e Helena Félix. Em 1974, o Movimento de Libertação das Mulheres lançou aqui «Mulheres Guerrilheiras», anunciado como o primeiro disco feminista português.
História
A Feira Popular de Lisboa mudou-se para Entrecampos, para os terrenos do antigo Mercado Geral de Gados, e abriu a 24 de junho de 1961; a Câmara Municipal instalou um cinema no seu Pavilhão Municipal.1 Foi nesse pavilhão que, a 16 de dezembro de 1964, Luzia Maria Martins e Helena Félix apresentaram «Joana de Lorena», de Maxwell Anderson, o primeiro espetáculo do Teatro Estúdio de Lisboa (TEL), a primeira companhia de teatro independente da cidade, que fundaram com Valentina Trigo de Sousa.123 Era um dos textos que a censura olhava com desconfiança.4 Em 1972, depois de obras, o cinema passou a ser o Teatro Vasco Santana, com o TEL como companhia permanente.1
Em 1974, Luzia Maria Martins escreveu para a companhia «Lisboa 72-74», cenas da vida de Lisboa estreadas depois do 25 de Abril, onde se ouviu pela primeira vez «Somos Livres», com letra e música da atriz Ermelinda Duarte.435 As fontes não dizem em que sala estreou a peça.
Também em 1974, ao fim da tarde e com entrada livre, o Movimento de Libertação das Mulheres fez aqui o espetáculo de lançamento de «Mulheres Guerrilheiras», que «O Século» apresentou como o primeiro disco feminista português: poema de Maria Teresa Horta, música de Pedro Jordão, na voz de Teresa Paula Brito. Na parte cultural, as artistas Leonor Poeira, Maria da Glória e Teresa Paula Brito fizeram «uma denúncia da situação actual de discriminação sexista».6
O TEL estreou aqui a sua última peça, «Habeas Corpus», a 12 de janeiro de 1989, e acabou em 1991, o ano da morte de Helena Félix.14 No Dia Internacional da Mulher de 1993, a Câmara inaugurou ali perto, junto à Avenida das Forças Armadas, uma rua com o nome dela; foi Luzia Maria Martins quem descerrou a placa.2 A Feira Popular fechou em 2003, e com ela o teatro.1 Em 2015 restavam do pavilhão as ruínas; o terreno da antiga Feira é hoje uma obra, a do empreendimento EntreCampos.7910
Onde
Mapa com a localização de Teatro Vasco Santana (antiga Feira Popular).
Abrir no mapa de Lisboa Ir a pé até lá
Perto daqui
Avenida Barbosa du Bocage, n.º 96 (capela particular de Josué Trocado)
710 m · 10 min a pé

Emissores Associados de Lisboa (estúdio da Avenida Elias Garcia)
850 m · 15 min a pé

Cidade Universitária de Lisboa (Estádio Universitário e faculdades)
1 km · 15 min a pé

Estádio da FNAT (rebatizado Estádio 1.º de Maio)
1 km · 15 min a pé
Pessoas
- Ermelinda Duarte n. 1946Atriz do Teatro Estúdio de Lisboa, a companhia que tinha aqui a sua casa
- Helena Félix 1920–1991Cofundadora e atriz do Teatro Estúdio de Lisboa, que se estreou aqui em 1964 e aqui teve casa a partir de 1972
- Luzia Maria Martins 1927–2000Funda o Teatro Estúdio de Lisboa, que se estreia aqui em 1964 e aqui tem casa a partir de 1972
- Maria Teresa Horta 1937–2025O seu poema «Mulheres Guerrilheiras» sai em disco, lançado aqui num espetáculo do Movimento de Libertação das Mulheres (1974)
- Teresa Paula Brito 1944–2003Canta «Mulheres Guerrilheiras» no espetáculo de lançamento do Movimento de Libertação das Mulheres (1974)
Datas
24 de junho de 1961
A Feira Popular abre em Entrecampos, com um cinema no Pavilhão Municipal.
16 de dezembro de 1964
Primeiro espetáculo do Teatro Estúdio de Lisboa, «Joana de Lorena».
1972
O cinema passa a ser o Teatro Vasco Santana, casa permanente do TEL.
1974
O Movimento de Libertação das Mulheres lança aqui «Mulheres Guerrilheiras».
12 de janeiro de 1989
Estreia «Habeas Corpus», a última peça do TEL nesta sala.
8 de março de 1993
Inaugura-se, ali perto, a Rua Helena Félix.
2003
Fecham a Feira Popular e o teatro.
Vídeos
O single de Ermelinda Duarte com «Somos Livres», publicado pela editora Valentim de Carvalho, que o data de 1975: dois temas da sua autoria, com arranjos de José Cid. A canção nascera em 1974 na crónica «Lisboa 72-74», do Teatro Estúdio de Lisboa.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da editora Valentim de Carvalho
Edições Valentim de Carvalho, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Noutros arquivos
Estes só se veem no sítio de cada arquivo.
- Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso · Documento · 1974Movimento de Libertação das Mulheres - O SéculoRecorte de «O Século» guardado no arquivo da UMAR: o Movimento de Libertação das Mulheres lançou no Teatro Vasco Santana, num espetáculo de entrada livre, «Mulheres Guerrilheiras», anunciado como o primeiro disco feminista português, com poema de Maria Teresa Horta, música de Pedro Jordão e a voz de Teresa Paula Brito.Abrir no arquivo
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a janeiro de 1975 · 3 minCanção «Somos livres»Ermelinda Duarte canta «Somos Livres», também conhecida como «Uma Gaivota Voava, Voava», no Noticiário Nacional de janeiro de 1975. A canção, escrita por ela, com arranjos de José Cid, vinha da peça «Lisboa 72-74».Abrir no arquivo
Notas sobre as fontes5
- O ponto exato do teatro dentro da antiga Feira Popular: as legendas de fotografias de 1961 e de 1972 situam-no na Avenida da República, e em 2015 dizia-se que o edifício dava para a avenida; o ponto do mapa é o da Feira (Wikidata), na faixa do terreno junto à avenida.
- Em que sala estreou «Lisboa 72-74», a peça em que se ouviu pela primeira vez «Somos Livres»: nenhuma fonte o diz, e a lista das peças em cena no Teatro Vasco Santana publicada pelo Restos de Colecção não a inclui (em 1974 regista só «O mar», em março e abril).
- O dia do espetáculo do Movimento de Libertação das Mulheres: o recorte de «O Século» diz «ontem», mas não traz data; a Casa Comum data-o de 1974.
- Quando fechou o teatro: em 2003, com a Feira (Restos de Colecção), ou em 2006 (Lisboa de Antigamente).
- Se ainda resta alguma coisa do edifício: em 2015 estava em ruínas (Misérias de Lisboa), e o terreno está hoje em obras.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes11
- 1José Leite, Teatro Vasco Santana. Restos de Colecção (blogue), 2014 — consultado a 4 de outubro de 2026Com fotografias do Arquivo Municipal de Lisboa e da Hemeroteca Digital e uma lista das peças em cena no teatro, de 1963 a 1989.
- 2A Rua Helena Félix do Teatro Estúdio de Lisboa na Feira Popular. Câmara Municipal de Lisboa — Toponímia de Lisboa, 2018 — consultado a 4 de outubro de 2026
- 3A mãe do teatro independente num Largo da Quinta dos Barros. Câmara Municipal de Lisboa — Toponímia de Lisboa, 2013 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4Marta Brites Rosa, Luzia Maria Martins (Lisbon, 27/05/1927 – Lisbon, 13/09/2000). DramaOnline — Dramaturgia portuguesa dos séculos XX e XXI (dir. Sebastiana Fadda); versão revista da entrada do Centro Virtual Camões — consultado a 3 de outubro de 2026
- 5Ermelinda Duarte — «Somos Livres» [1975] (descrição do single, com o texto de Etelvina Lopes de Almeida que acompanhou a edição em vinil). Edições Valentim de Carvalho (canal oficial no YouTube), 2020 — consultado a 4 de outubro de 2026
- 6Movimento de Libertação das Mulheres - O Século (recorte de imprensa, 1974). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso (fundo UMAR), 1974 — consultado a 4 de outubro de 2026Cota 10092.005.001.001. O recorte não traz data; o arquivo data-o de 1974.
- 7Teatro Vasco Santana. Misérias de Lisboa (blogue), 2015 — consultado a 4 de outubro de 2026
- 8Cinema da Feira Popular e Teatro Vasco Santana. Lisboa de Antigamente (blogue), 2022 — consultado a 4 de outubro de 2026
- 9«Melhor projeto urbanístico da Europa» vai nascer no terreno da antiga Feira Popular. Olhares de Lisboa, 2026 — consultado a 4 de outubro de 2026
- 10Felipe Ribeiro, Arranca megaprojeto imobiliário na antiga Feira Popular de Lisboa. RE Portugal (Vida Imobiliária), 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026
- 11Feira Popular de Lisboa (Q18477561). Wikidata — consultado a 4 de outubro de 2026Coordenadas (P625) do recinto de Entrecampos: 38,746389, −9,148889.
Coordenadas: Wikidata (Q18477561, P625: a antiga Feira Popular de Lisboa), consultado a 4 de outubro de 2026. O ponto cai na faixa do recinto junto à Avenida da República (OpenStreetMap, way 238480216), o lado onde as fontes situam o teatro; o ponto exato do pavilhão não se encontrou..