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O Parque Eduardo VII vazio, numa manhã de abril de 2020, a descer até à Rotunda e ao Tejo. Jules Verne Times Two, CC BY-SA 4.0

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Grande relvado em declive com sebes recortadas em desenhos geométricos, ladeado por árvores, e a cidade e o rio ao fundo, sob um céu de nuvens.
O Parque Eduardo VII vazio, numa manhã de abril de 2020, a descer até à Rotunda e ao Tejo. Jules Verne Times Two, CC BY-SA 4.0

Avenidas Novas (segundo o OSM, para o centro do parque)

Parque Eduardo VII

Aqui, a 13 de janeiro de 1975, o Movimento de Libertação das Mulheres quis queimar os símbolos da opressão das mulheres. Cerca de dois mil homens desfizeram a manifestação aos gritos. A fogueira nunca se fez — e a «queima de soutiens» é uma lenda.

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História

O Movimento de Libertação das Mulheres nasceu a 7 de maio de 1974, no dia da absolvição das «Três Marias», com Maria Teresa Horta, Maria Isabel Barreno e Madalena Barbosa entre as fundadoras.1

Na segunda-feira 13 de janeiro de 1975, ao fim da tarde, cerca de quinze ativistas — algumas com os filhos — vieram ao parque queimar objetos que simbolizavam a opressão das mulheres: tachos e panelas, vassouras e panos do pó, grinaldas de noiva, brinquedos sexistas, revistas pornográficas, a «Carta de Guia de Casados» de D. Francisco Manuel de Melo e os códigos civil e penal. Três delas faziam de noiva, de dona de casa e de «vamp», os estereótipos femininos do Estado Novo.2

Dois dias antes, o Expresso anunciara a iniciativa em tom de troça, como o «strip-tease» de uma noiva, de uma dona de casa e de uma vamp. Apareceram cerca de dois mil homens, com cartazes como «fora com elas!». A ativista Isabel Telinhos contou que a rodearam aos gritos de «vamos despi-la!» e tentaram virar a carrinha onde estavam as crianças. A fogueira nunca se fez; muitas refugiaram-se no apartamento de Madalena Barbosa, ali perto. A jornalista Maria Antónia Palla, que assistiu até ao fim, e as participantes desmentem a lenda da queima de soutiens. No dia seguinte, Lourdes Féria escreveu no Diário de Lisboa que o espetáculo dado pelos homens provava que os movimentos feministas tinham razão de existir.2

O parque já tinha entrado na história menos de nove meses antes: a 23 de abril de 1974, a partir das 18h00, Otelo Saraiva de Carvalho entregou aqui aos oficiais de ligação das unidades, dentro de exemplares do jornal «Época», as instruções finais para o golpe.4

Notas sobre as fontes2
  • O ponto exato do parque, tanto da manifestação de 1975 como da entrega das instruções em 1974; a coordenada é o centro do parque.
  • O número de homens que desfizeram a manifestação (cerca de dois mil é a estimativa da reportagem).

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes6
  1. 1Movimento de Libertação das Mulheres. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2A manifestação feminista que não chegou a acontecer, 45 anos depois (Rafaela Cortez, 26/4/2020). Comunidade Cultura e Arte — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4MFA – Preparativos para a Acção, 23/04/1974 (Instruções Finais e senhas). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Período da Revolução – cronologia. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6O 25 de Abril para os mais novos – Cronologia hora a hora. Centro de Documentação 25 de Abril – Universidade de Coimbra — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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