Avenidas Novas (segundo o OSM, para o centro do parque)
Parque Eduardo VII
Aqui, a 13 de janeiro de 1975, o Movimento de Libertação das Mulheres quis queimar os símbolos da opressão das mulheres. Cerca de dois mil homens desfizeram a manifestação aos gritos. A fogueira nunca se fez — e a «queima de soutiens» é uma lenda.
Na segunda-feira 13 de janeiro de 1975, ao fim da tarde, cerca de quinze ativistas — algumas com os filhos — vieram ao parque queimar objetos que simbolizavam a opressão das mulheres: tachos e panelas, vassouras e panos do pó, grinaldas de noiva, brinquedos sexistas, revistas pornográficas, a «Carta de Guia de Casados» de D. Francisco Manuel de Melo e os códigos civil e penal. Três delas faziam de noiva, de dona de casa e de «vamp», os estereótipos femininos do Estado Novo.2
Dois dias antes, o Expresso anunciara a iniciativa em tom de troça, como o «strip-tease» de uma noiva, de uma dona de casa e de uma vamp. Apareceram cerca de dois mil homens, com cartazes como «fora com elas!». A ativista Isabel Telinhos contou que a rodearam aos gritos de «vamos despi-la!» e tentaram virar a carrinha onde estavam as crianças. A fogueira nunca se fez; muitas refugiaram-se no apartamento de Madalena Barbosa, ali perto. A jornalista Maria Antónia Palla, que assistiu até ao fim, e as participantes desmentem a lenda da queima de soutiens. No dia seguinte, Lourdes Féria escreveu no Diário de Lisboa que o espetáculo dado pelos homens provava que os movimentos feministas tinham razão de existir.2
O parque já tinha entrado na história menos de nove meses antes: a 23 de abril de 1974, a partir das 18h00, Otelo Saraiva de Carvalho entregou aqui aos oficiais de ligação das unidades, dentro de exemplares do jornal «Época», as instruções finais para o golpe.4