General e autor de «Portugal e o Futuro», recebeu no Quartel do Carmo a rendição de Marcelo Caetano, presidiu à Junta de Salvação Nacional e foi Presidente da República até renunciar, a 30 de setembro de 1974. A 11 de março de 1975 fugiu para Espanha.
Revoluçãogeneralautor de «Portugal e o Futuro» (1974)presidente da Junta de Salvação NacionalPresidente da República (1974)fundador do MDLP
Nasceu em Estremoz a 11 de abril de 1910.8 Antigo governador da Guiné, foi escolhido com Costa Gomes como chefe prestigiado do Movimento dos Capitães, na reunião de Óbidos, a 1 de dezembro de 1973: a Costa Gomes, o mais votado, caberia a Presidência da República; a Spínola, a direção suprema das Forças Armadas.3 Vice-chefe do Estado-Maior General das Forças Armadas, publicou a 22 de fevereiro de 1974 «Portugal e o Futuro», que abalou as relações entre o regime e as Forças Armadas. Pouco depois, ele e Costa Gomes foram demitidos, a pretexto de terem faltado à sessão de apoio ao regime no Palácio de São Bento que ficou conhecida como a «Brigada do Reumático».2
A 25 de abril de 1974 declarou não estar envolvido no Movimento, mas disponível para assumir o poder se o governo quisesse uma saída pacífica.16Marcelo Caetano, cercado no Quartel do Carmo, pediu-lhe ao telefone que fosse receber o poder, e Otelo Saraiva de Carvalho mandatou-o em nome dos capitães. Chegou ao Carmo pelas 17h45, num automóvel envolvido pela multidão que o aplaudia, e Salgueiro Maia levou-o até Caetano.1 Ao chegar ao Posto de Comando da Pontinha, com os membros do governo presos, anunciou: «Senhores oficiais, devo começar por informá-los que acabo de assumir o poder no Quartel do Carmo. Agora vamos ao trabalho».6
Na madrugada de 26, ladeado pelos outros membros da Junta de Salvação Nacional, leu a proclamação da Junta em direto nos estúdios da RTP no Lumiar.61 A Junta designou-o Presidente da República, contra o que fora acordado com o MFA, que escolhera Costa Gomes.64 A 28 de abril recebeu no Palácio da Cova da MouraMário Soares, regressado do exílio.1 Tomou posse a 15 de maio de 1974, no Palácio de Queluz.4
Defendia uma democratização controlada, que foi descrita como um «marcelismo sem Marcelo», e entrou em conflito com a Comissão Coordenadora do MFA pelo controlo da política interna e da descolonização.4 No verão de 1974 apelou nos seus discursos à «maioria silenciosa», e voltou a fazê-lo a 10 de setembro no Palácio de Belém, na cerimónia de reconhecimento da independência da Guiné-Bissau.54 A manifestação de apoio marcada para 28 de setembro, em Belém, acabou desconvocada por ele e proibida pelo MFA; entre 27 e 29 de setembro tentou várias vezes declarar o estado de sítio e demitir o primeiro-ministro, Vasco Gonçalves. A 30 de setembro anunciou na RTP a renúncia à Presidência.4
A 11 de março de 1975, falhado o ataque ao RAL 1 por tropas que lhe eram próximas, fugiu de helicóptero da Base Aérea n.º 3, em Tancos, com quinze oficiais, para a base de Talavera la Real, em Espanha.910 Fundou depois o Movimento Democrático para a Libertação de Portugal (MDLP), uma das organizações de extrema-direita que, a partir de maio de 1975, destruíram sedes de partidos de esquerda e fizeram atentados.4 Morreu em Lisboa a 13 de agosto de 1996.8
9Os acontecimentos do 11 de Março de 1975. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
10RAL 1 – Lisboa. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
11António de Spínola — biografia. Museu da Presidência da República — consultado a 4 de outubro de 2026António Sebastião Ribeiro de Spínola nasceu em Estremoz a 11 de abril de 1910 e morreu em Lisboa a 13 de agosto de 1996.