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Olivais

Quartel do Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1 (RAL 1, depois RALIS)

O quartel de Artilharia Ligeira n.º 1, à entrada da Autoestrada do Norte, foi atacado a 11 de março de 1975 por aviões e paraquedistas, na tentativa de golpe spinolista; morreu o soldado Joaquim Carvalho Luís. O diálogo dos dois capitães, filmado pela RTP, ficou célebre.

Hoje: Quartel da Encarnação, do Regimento de Transportes
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História

No 25 de abril de 1974, o Regimento de Artilharia Ligeira n.º 1, à entrada da Autoestrada do Norte, não era uma unidade do Movimento: a maioria dos oficiais não aderira, e o quartel fora reforçado por elementos de Lanceiros 2, com dois carros de combate M-47. O oficial do MFA, capitão Rosário Simões, tinha a missão de o neutralizar, e na véspera as bocas de fogo tinham sido sabotadas. Aqui estavam presos, desde o levantamento das Caldas, de 16 de março, oficiais do Movimento; foram libertados ao fim da tarde, quando chegaram os capitães Rui Rodrigues e Albuquerque, da Escola Prática de Infantaria, vindos do aeroporto.8

A 11 de março de 1975, o quartel foi o alvo principal da tentativa de golpe dos militares ligados ao general António de Spínola. Cerca das 11h45, aviões da Base Aérea n.º 3 atacaram a unidade; ao meio-dia, paraquedistas do Regimento de Caçadores Paraquedistas de Tancos, sob o comando do major Mensurado, cercaram-na. Morreu o soldado Joaquim Carvalho Luís, houve 14 feridos e muitos danos.2410 (A RTP conta 15 feridos; seguem-se os 14 da Comissão Comemorativa e do relatório preliminar do inquérito ao 11 de Março, tal como o cita o Esquerda.net.) Os militares do RAL 1, comandados pelo capitão Diniz de Almeida, ocuparam os prédios em frente e defenderam o quartel por dentro. Acorreram populares, mobilizados pela Intersindical e por comissões de trabalhadores e de moradores, a quem chegaram a ser distribuídas armas.4

Negociado o cessar-fogo, Diniz de Almeida falou cá fora com o capitão paraquedista Sebastião Martins, diante das câmaras da RTP: «Os nossos chefes deram-nos ordens contrárias… A si de atacar… a mim de me defender». A conversa mostrou como os atacantes estavam mal informados.24 Pelas 14h40, os paraquedistas levantaram o cerco, e militares e civis confraternizaram; à noite houve uma manifestação popular junto ao quartel.2 No dia seguinte morreu também um civil:7 António Ramalho Fialho, que viera ver os estragos, foi morto a tiro junto ao quartel, já dentro do carro, e Conceição Santos, que ia com ele, ficou ferida.11 Spínola e 15 oficiais fugiram de helicóptero para a base aérea de Talavera la Real, em Espanha.3

O 11 de Março radicalizou a revolução: a Lei Constitucional n.º 5/75, de 14 de março, criou o Conselho da Revolução e a Assembleia do MFA, e no mesmo dia foi nacionalizada a banca comercial.56 Meses depois, a unidade passou a chamar-se RALIS, Regimento de Artilharia de Lisboa.2 No 25 de novembro de 1975, as suas forças montaram um dispositivo nos acessos à autoestrada do Norte, ao aeroporto da Portela e a Beirolas, onde ficava o depósito de material de guerra.9

O antigo quartel do RALIS, na Avenida Doutor Alfredo Bensaúde, é hoje o Quartel da Encarnação, do Regimento de Transportes.1213

Notas sobre as fontes2
  • A hora do cessar-fogo: 13h00 segundo Ricardo Noronha (Ler História); a RTP dá o acordo entre os comandantes pelas 14h30.
  • As circunstâncias da morte de António Ramalho Fialho, a 12 de março de 1975 (morto a tiro por militares do RALIS, depois de uma frase «reaccionária», segundo o Observador), só se leram numa fonte; falta a imprensa da época (Diário de Lisboa, 12–13 de março de 1975, na Casa Comum).

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes13
  1. 1Ricardo Noronha, «Anatomia de um golpe de Estado fracassado: 11 de março de 1975». Ler História, n.º 69 (OpenEdition Journals) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2RAL 1 – Lisboa. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Os acontecimentos do 11 de Março de 1975. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4A defesa do RAL1 e a resposta do MFA. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Institucionalização do MFA. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Reformas económicas. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7A tentativa de golpe de 11 de Março de 1975. RTP Ensina — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 925 de Novembro de 1975. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 1011 de março – um golpe contra o 25 de Abril. Esquerda.net, 2025 — consultado a 4 de outubro de 2026Segue o «Relatório Preliminar do 11 de Março de 1975» — ataque ao RAL 1 pelas 11h50, um morto, o soldado Joaquim Carvalho Luís, e 14 feridos.
  11. 11Pedro Dordio, Foi há 40 anos: o dia-a-dia de Lisboa no caldeirão do PREC. Observador, 2015 — consultado a 4 de outubro de 2026A 12 de março de 1975, António Ramalho Fialho, que fora ver os estragos do RALIS, foi morto a tiro junto ao quartel, no seu carro, e Conceição Santos ficou ferida; a televisão francesa filmou-o.
  12. 12Comemorações do Centenário do Regimento de Transportes. Câmara Municipal de Loures — consultado a 4 de outubro de 2026A cerimónia do centenário do Regimento de Transportes decorreu no Quartel da Encarnação, «antigo aquartelamento do Regimento de Artilharia de Lisboa (RALIS)».
  13. 13Regimento de Transportes, Avenida Doutor Alfredo Bensaúde (way 146589064). OpenStreetMap (Nominatim) — consultado a 4 de outubro de 2026O recinto militar do Regimento de Transportes fica na Avenida Doutor Alfredo Bensaúde, nos Olivais; centro em 38.7837067, -9.1193268.

Coordenadas: OpenStreetMap (way 146589064, Regimento de Transportes; Nominatim), consultado a 4 de outubro de 2026.

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