O Palácio de Belém, residência oficial do Presidente da República, visto dos jardins da Praça Afonso de Albuquerque, em 2017.Dguendel, CC BY 4.0
Belém
Palácio de Belém
Aqui tomou posse, em 1970, a primeira mulher a fazer parte de um governo em Portugal. Em setembro de 1974, o palácio foi palco das reuniões tensas que levaram à renúncia de Spínola; a 25 de novembro de 1975, do posto de comando do Presidente Costa Gomes.
A 10 de setembro de 1974, assinou-se aqui a declaração de reconhecimento da independência da Guiné-Bissau. Na cerimónia, o Presidente da República, António de Spínola, atacou o processo de descolonização e apelou à «maioria silenciosa».2 Era esse o nome da manifestação de apoio ao Presidente marcada para 28 de setembro, em Belém: a do país que, segundo a Comissão Comemorativa, rejeitava a revolução, o socialismo e o rumo da descolonização.3
Seguiram-se, nas palavras do relatório oficial sobre o 28 de Setembro, «horas de extraordinária tensão e emoção». Em reuniões sucessivas no palácio, Spínola tentou declarar o estado de sítio e demitir o primeiro-ministro, Vasco Gonçalves, que, com Otelo Saraiva de Carvalho, chegou a estar aparentemente retido em Belém. Lá fora, sindicatos, comissões de trabalhadores e de moradores e partidos de esquerda levantavam barricadas nos acessos a Lisboa. A manifestação acabou desconvocada por Spínola e proibida pelo MFA, e à hora marcada foram militantes das esquerdas que se juntaram em Belém. A 30 de setembro, numa reunião do Conselho de Estado transmitida pela RTP, Spínola anunciou a renúncia.2 Leu o discurso aqui, na Sala do Conselho de Estado.12 Para o seu lugar foi nomeado Costa Gomes.5
No 25 de novembro de 1975, cerca das 9h00, reuniram-se aqui de emergência o Presidente da República, o Conselho da Revolução e comandos militares, e montou-se no palácio um posto de comando dirigido por Costa Gomes, coadjuvado por Vasco Lourenço, com Ramalho Eanes como adjunto. Costa Gomes chamou a Belém Álvaro Cunhal, procurando desmobilizar os militantes e populares concentrados junto de alguns quartéis, e às 16h30 decretou o estado de sítio na região de Lisboa. O major Diniz de Almeida veio a Belém depois de um telefonema da Presidência e foi detido logo à chegada.4 Em março, fora ele a comandar a defesa do RAL 1.8
O dia da tomada de posse de Maria Teresa Cárcomo Lobo, em agosto de 1970: a nomeação foi notícia n’A Capital a 20 de agosto e o decreto saiu no Diário do Governo de 21 (Arquivo Histórico da Presidência); a notícia da RTP sobre a posse tem a data de 22 de agosto, que pode ser a da emissão e não a da cerimónia.
1Maria Teresa de Almeida Rosa Cárcomo Lobo (Os Deputados da Assembleia Nacional, 1935-1974). Assembleia da República — consultado a 4 de outubro de 2026Subsecretária de Estado da Saúde e Assistência de 21 de agosto de 1970 a 11 de julho de 1973; deputada na XI legislatura (1973-1974), pelo círculo do Estado da Índia, presidente da comissão de Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência.
228 de Setembro. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
425 de Novembro de 1975. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
5Do 25 de Abril de 74 ao 11 de Março de 75. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
11Tomada de posse de Maria Teresa Cárcomo Lobo. RTP Arquivos (Noticiário Nacional de 1970), 1970 — consultado a 4 de outubro de 2026Notícia com a data de 22 de agosto de 1970; a posse foi no Palácio de Belém, na Sala do Conselho de Estado.
12Histórias secretas do Palácio de Belém. Diário de Notícias, 2011 — consultado a 4 de outubro de 2026Spínola leu o discurso de renúncia na Sala do Conselho de Estado do Palácio de Belém, a 30 de setembro de 1974.
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.