Dirigente comunista, foi preso em 1949 e fugiu da Fortaleza de Peniche em 1960. Secretário-geral do PCP, regressou do exílio a 30 de abril de 1974 e falou à multidão no aeroporto de cima de uma chaimite.
Oposiçãosecretário-geral do Partido Comunista Portuguêsexilado na União Soviética
Nasceu em Coimbra a 10 de novembro de 1913.89 Preso pela primeira vez a 21 de julho de 1937, foi levado para o Aljube.9148 Dirigente clandestino do Partido Comunista Português, foi preso pela PIDE na madrugada de 25 de março de 1949, numa casa do Luso onde vivia com Sofia Ferreira — faziam-se passar por um casal — e onde se escondia também Militão Ribeiro. Ficou preso onze anos.6 Em maio de 1950 foi julgado com Sofia Ferreira no Tribunal Plenário da Boa-Hora;1011 esteve preso primeiro na Penitenciária de Lisboa, onde traduziu o «Rei Lear» de Shakespeare, e depois em Peniche.9 A 3 de janeiro de 1960 fugiu da Fortaleza de Peniche com outros nove presos e um guarda da GNR, numa fuga preparada cá fora por Pires Jorge e António Dias Lourenço.7
Secretário-geral do partido, chegou ao aeroporto de Lisboa a 30 de abril de 1974, depois de um exílio de 14 anos na União Soviética.13 Veio de Paris no voo AF501 da Air France, que aterrou na Portela pelas 13h50, com outros exilados, entre eles Domingos Abrantes e o cantor Luís Cília.15 Esperava-o uma multidão emocionada; entre os que o aguardavam junto ao avião estava Mário Soares. Ainda no aeroporto, subiu a uma chaimite para falar à multidão, e foi depois recebido por António de Spínola.1
No dia seguinte discursou, com Soares, no comício do 1.º de Maio no estádio da FNAT, que passou então a chamar-se Estádio 1.º de Maio. Aclamou os militares e as primeiras medidas tomadas «para liquidar a ditadura fascista e instaurar a liberdade».1 Foi ministro sem pasta nos quatro primeiros governos provisórios.12 A 25 de novembro de 1975, o Presidente Costa Gomes chamou-o ao Palácio de Belém, procurando desmobilizar os militantes e populares concentrados junto de alguns quartéis.4 Eleito deputado à Constituinte em 1975, foi depois deputado do PCP à Assembleia da República da I à IV Legislatura, de 1976 a 1987.1213 Morreu em Lisboa a 13 de junho de 2005.89
7Fuga de Peniche. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
8Álvaro Barreirinhas Cunhal. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 3 de outubro de 2026
9Rui Mendes, Álvaro Cunhal, secretário-geral do Partido Comunista Português, 1913–2005. Câmara Municipal de Lisboa — Comissão Municipal de Toponímia, 2013 — consultado a 3 de outubro de 2026Brochura de junho de 2013, publicada quando a Câmara deu o nome de Álvaro Cunhal a uma avenida do Lumiar; colaboração da comissão do centenário do PCP.
13Biografia — Álvaro Cunhal (PCP). Assembleia da República — consultado a 4 de outubro de 2026Álvaro Barreirinhas Cunhal, deputado do PCP nas legislaturas I, II, III e IV (1976–1987).
14Centenário do nascimento de Álvaro Cunhal (exposição virtual). Arquivo Nacional Torre do Tombo — consultado a 4 de outubro de 2026Reproduz o registo de Álvaro Barreirinhas Cunhal no Registo Geral de Presos da PIDE (liv. 38, n.º 7550), com as datas extremas 1937-07-21 / 1960-01-03.
15Álvaro Cunhal, revolução e ressaca. Visão (série «50 anos do 25 de Abril», Visão Biografia), 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026A 30 de abril de 1974, pelas 13h50, o voo AF501 da Air France, vindo de Paris, aterrou na Portela com Álvaro Cunhal.