Atriz que dizia poesia contra o regime, foi candidata da oposição em 1969 e a única mulher a falar na abertura do Congresso de Aveiro, em 1973. Esteve na fundação do Partido Socialista e, a 28 de abril de 1974, acompanhou Mário Soares no comboio que o trouxe do exílio até Santa Apolónia.
Oposiçãoatrizprofessorafundadora do Partido Socialistacandidata a deputada pela oposição (1969)
Nasceu na Fuzeta, em Olhão, a 2 de maio de 1925.6 Vinha de uma família de democratas e oposicionistas à ditadura. Formou-se em Arte Dramática no Conservatório Nacional e em História e Filosofia na Faculdade de Letras de Lisboa, e foi atriz de teatro e de cinema.2 Fez recitais de poesia como ato militante, muitas vezes acompanhada pelo coro de Fernando Lopes-Graça, dizendo versos de poetas contra o regime, entre eles os do Novo Cancioneiro.2 Acusada de declamar poesia subversiva, foi interrogada pela PIDE e expulsa do Teatro Nacional;4 em 1948, depois de «A Casa de Bernarda Alba», de Lorca, o regime proibiu-a de representar.7
A 22 de fevereiro de 1949 casou por procuração com Mário Soares, preso no Aljube por razões políticas.47 Por essa altura dava aulas no Colégio Moderno, até ser proibida de ensinar, no ensino público e no privado;4 em 1959 foi-lhe recusada a licença de ensino particular.7 Participou nas campanhas presidenciais de Norton de Matos e de Humberto Delgado.2 Nas eleições de 1969 foi candidata a deputada pela oposição2 pela Comissão Democrática Eleitoral (CDE), no círculo de Santarém.7 Em 1973 interveio no III Congresso da Oposição Democrática, em Aveiro, e foi a única mulher a falar na sessão de abertura.245 No mesmo ano, na Alemanha, participou com o marido na fundação do Partido Socialista; foi a única mulher presente.214
A 27 de abril de 1974 partiu com Soares e outros dirigentes socialistas no Sud Express, o «comboio da liberdade», e no dia seguinte chegaram a Lisboa;8 uma fotografia guardada pela Fundação Mário Soares e Maria Barroso mostra os dois a bordo. Na estação de Santa Apolónia esperava-os uma multidão. Soares falou de uma varanda da estação, de altifalante em punho, e seguiu para o Palácio da Cova da Moura, para um encontro com o general Spínola.1 Maria Barroso morreu em Lisboa a 7 de julho de 2015.6
Sessão da fundação, no Dia Mundial da Poesia de 2021, sobre Maria Barroso, atriz de teatro e cinema que dizia poesia. Intervêm Isabel Soares, Jorge Silva Melo, José Manuel dos Santos, Manuel Alegre, Maria da Glória Garcia, Rui Vilar e Vasco Vieira de Almeida.
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De que estação partiu o comboio em que regressaram: a cronologia de Mário Soares na Fundação diz que o Sud Express partiu a 27 de abril de 1974 (Soares tinha ido de Bona para Paris a 25), sem nomear a estação.
Quando foi proibida de ensinar no ensino público: a exposição da Assembleia da República não dá datas, e a Fundação Mário Soares e Maria Barroso só dá o indeferimento da licença de ensino particular, em 1959.