Professora e jornalista de Faro, mãe solteira, deu aulas noturnas a mulheres analfabetas e dirigiu a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, defendendo o voto feminino sem restrições.
Repúblicaprofessoraescritora e jornalistapresidente da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (desde 1911)defensora do voto feminino sem restriçõesfundadora da Obra Maternal
Maria Veleda é o pseudónimo de Maria Carolina Frederico Crispin, nascida em Faro a 26 de fevereiro de 1871.67 (A Toponímia de Lisboa dá 26 de novembro; segue-se a biografia de Natividade Monteiro, que bate com as memórias dela, começadas a publicar no dia em que fazia 79 anos.) Colaborou em dezenas de jornais e revistas e viveu com dificuldades, como professora e mãe solteira.2 Em Lisboa foi professora regente no Centro Escolar Republicano Dr. Afonso Costa, na Calçada de Arroios, onde criou cursos noturnos gratuitos para ensinar mulheres a ler e a escrever.21
Em 1907 pertencia ao Grupo Português de Estudos Feministas — a Toponímia de Lisboa diz que lhe presidiu, mas a biografia de Natividade Monteiro di-la só membro — e entrou na maçonaria com o nome simbólico de «Angústia».16 Foi sócia fundadora da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, em 1908, mas ficou fora da primeira direção, porque António José de Almeida a achou «demasiado vermelha»;6 a partir de agosto de 1910, dirigiu o seu órgão, «A Mulher e a Criança», a que se seguiu «A Madrugada».123 Ao contrário de Ana de Castro Osório e de Carolina Beatriz Ângelo, que queriam o voto para as mulheres com estudos e que trabalhassem, defendia que só se devia aceitar o direito de voto se não tivesse restrições.4 Em 1911, quando Ana de Castro Osório saiu da Liga, passou a presidi-la, e foi a voz mais visível da luta pelo voto das mulheres até 1915, ano em que, cansada e em desacordo sobre o rumo da Liga, se demitiu de todos os cargos.126
Com Ana de Castro Osório, Adelaide Cabete e Carolina Beatriz Ângelo fundou a Obra Maternal, para acolher crianças abandonadas, que dirigiu e onde ensinou.12 Aderiu ao Partido Democrático e fundou a Associação Feminina de Propaganda Democrática, extinta em julho de 1916, com a formação da União Sagrada.1 Publicou o opúsculo «Emancipação Feminina» (Porto, 1902) e as conferências reunidas em «A Conquista» (1909); as suas memórias saíram em 1950 no jornal «República».16 Morreu em Lisboa a 8 de abril de 1955.12
6Natividade Monteiro, Maria Veleda (1871-1955). Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género (coleção Fio de Ariana), 2013 — consultado a 4 de outubro de 2026Cronologia e biografia — nasceu em Faro a 26 de fevereiro de 1871; «Emancipação Feminina» (Porto, 1902); em 1907 pertencia ao Grupo de Estudos Feministas; sócia fundadora da Liga em 1908, recusada para a primeira direção por António José de Almeida; dirigente da Liga a partir de 1911; demitiu-se de todos os cargos na Liga em 1915.
7Teresa Pinto, Recensão de «Memórias de Maria Veleda» (Natividade Monteiro, 2011). ex æquo, n.º 28, 2013 — consultado a 4 de outubro de 2026As memórias começaram a sair no «República» no domingo 26 de fevereiro de 1950, «data do septuagésimo nono aniversário da autora».