O estandarte da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, de cerca de 1909–1911.Autor desconhecido, Domínio público
Arroios
Sede da Liga Republicana das Mulheres Portuguesas (Rua dos Castelinhos, 6)
No 2.º andar do n.º 6 desta rua fundou-se em 1909 a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas, de Ana de Castro Osório, Carolina Beatriz Ângelo, Adelaide Cabete e Maria Veleda — a primeira associação a juntar a defesa do feminismo e da República.
A ideia foi lançada em agosto de 1908 por Ana de Castro Osório e António José de Almeida, com o apoio de Bernardino Machado e Magalhães Lima. Em fevereiro de 1909, a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas tomou forma legal, como associação ao mesmo tempo política e feminista: queria «orientar, educar e instruir, nos princípios democráticos, a mulher portuguesa» e rever as leis «na parte que interessa especialmente à mulher e à criança».3 Foi fundada no 2.º andar do n.º 6 desta rua.14
À frente estavam Ana de Castro Osório e as médicas Carolina Beatriz Ângelo e Adelaide Cabete, com Fausta Pinto da Gama, Maria Benedita Mouzinho de Albuquerque Pinho, Ana Maria Gonçalves Dias, Rita Dantas Machado e outras. Maria Veleda ficou fora da comissão organizadora, porque António José de Almeida a achava demasiado revolucionária. Em 1909, a Liga criou também a Obra Maternal, para recolher e educar crianças abandonadas nas ruas de Lisboa.4 A 12 de maio de 1910, um suplemento de «O Século» sobre as sufragistas da Liga publicou os retratos de várias delas, entre as quais Maria Clara Correia Alves e Sofia Quintino.4
A revista da Liga, «A Mulher e a Criança», saiu de abril de 1909 a maio de 1911 e era distribuída de graça às associadas, cerca de mil.4 A redação começou na Rua do Alecrim, 82, mudou-se para esta morada a partir do n.º 3 e, a partir do n.º 9, para a Rua dos Poiais de São Bento, 129. Entre as colaboradoras estavam Adelaide Cabete e Maria Clara Correia Alves; Maria Veleda dirigiu a revista desde agosto de 1910 e depois o jornal que lhe sucedeu, «A Madrugada».2
Três semanas depois do 5 de Outubro, a assembleia geral de 26 de outubro de 1910 aprovou o caderno de reivindicações «a apresentar a Afonso Costa», segundo a Toponímia de Lisboa; uma das oradoras foi a jornalista Virgínia Quaresma.6 No dia seguinte, segundo o jornal «A Capital», uma comissão de sócias entregou a representação ao presidente do Governo Provisório.8 Entre as reivindicações estava o voto, pedido «por agora» só para as comerciantes, industriais, funcionárias, diplomadas, escritoras e administradoras de fortuna.9 A 3 de fevereiro de 1911, uma comissão chefiada por Carolina Beatriz Ângelo voltou a levar o pedido do voto a Teófilo Braga.4
Foi esse voto restrito que dividiu a Liga: Ana de Castro Osório e Carolina Beatriz Ângelo defendiam-no, Maria Veleda queria o voto para todas, sem restrições. A cisão deu origem, a 12 de maio de 1911, à Associação de Propaganda Feminista.5 Maria Veleda substituiu Ana de Castro Osório e foi quem mais tempo dirigiu a Liga.4 A 9 de julho de 1912, a Liga pediu ao Senado que a lei eleitoral consagrasse o voto das mulheres; o senador João de Freitas respondeu que ela reunia «apenas alguns centos de mulheres portuguesas».5 A Liga terá acabado por volta de 1919.4
Hoje, os Roteiros Feministas da UMAR e da equipa de investigação Faces de Eva, da Universidade Nova de Lisboa, passam pelas «sedes» da Liga no percurso do Jardim Constantino ao Martim Moniz.7
Durante quanto tempo a Liga teve sede no n.º 6, e onde ficavam as outras «sedes» que os Roteiros Feministas situam entre o Jardim Constantino e o Martim Moniz.
O dia da constituição legal da Liga, em fevereiro de 1909.
O ano da fundação da Associação de Propaganda Feminista: 12 de maio de 1911 (Assembleia da República) ou 1912 (Toponímia de Lisboa). Ficou a data da Assembleia da República.
O que funciona hoje no n.º 6 e se há no prédio alguma marca da Liga.
O ponto no mapa marca a rua, não o n.º 6, que não está identificado no OpenStreetMap.
A quem foi entregue a representação de outubro de 1910, e quando: a Afonso Costa (Toponímia de Lisboa), ao presidente do Governo Provisório a 27 de outubro (jornal «A Capital») ou «em diversos ministérios» no mesmo dia (João Esteves); a Wikipédia dá 27 de novembro e diz que pedia também a revisão do Código Civil e o divórcio. E o dia da assembleia que a aprovou: 26 de outubro (Toponímia de Lisboa, «A Capital») ou 19 de outubro (João Esteves).