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Arroios

Centro Escolar Republicano Dr. Afonso Costa — aulas noturnas para mulheres (Calçada de Arroios)

Neste centro republicano da Calçada de Arroios, ainda na monarquia, Maria Veleda criou cursos noturnos gratuitos para ensinar mulheres a ler e a escrever; em 1907, o Grupo Português de Estudos Feministas dava aqui aulas a mulheres analfabetas.

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História

Na Calçada de Arroios funcionava, nos últimos anos da monarquia, o Centro Escolar Republicano Dr. Afonso Costa, dirigido pelo republicano Alves Torgo. Era também um ponto de encontro: reuniam-se ali à noite figuras republicanas como Magalhães Lima, Afonso Costa, Manuel de Arriaga, Bernardino Machado e António José de Almeida.2

Maria Veleda, escritora e professora, fixara-se em Lisboa em 1905 com os dois filhos e a mãe. Foi aqui professora regente e criou dois cursos noturnos, totalmente gratuitos, para ensinar mulheres a ler e a escrever.2 Em 1907, segundo a Toponímia de Lisboa, era ela quem presidia ao Grupo Português de Estudos Feministas, que dava no Centro Afonso Costa cursos noturnos para mulheres analfabetas.1 Saber ler contava: a lei eleitoral de 1911 só daria o voto a quem soubesse ler e escrever ou fosse chefe de família.6

O Grupo Português de Estudos Feministas fora fundado em 1907 por mulheres instruídas — intelectuais, médicas, escritoras e sobretudo professoras — para difundir os ideais da emancipação feminina, criar uma biblioteca e publicar estudos. Teve vida curta, mas publicou folhetos com discursos e conferências das suas dirigentes, e foi em torno dele que nasceu, em 1909, a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas.3 Segundo o Dicionário Pedagógico, foi Ana de Castro Osório quem o fundou e dirigiu.7 Fizeram parte dele, além dela e de Maria Veleda, Carolina Beatriz Ângelo e as médicas Sofia Quintino e Adelaide Cabete.4

Notas sobre as fontes3
  • O número da porta do centro na Calçada de Arroios, e se o edifício ainda existe.
  • Quem dirigia o Grupo Português de Estudos Feministas: Maria Veleda, que em 1907 seria a sua presidente, segundo a Toponímia de Lisboa; Ana de Castro Osório, que o «fundou e dirigiu», segundo o Dicionário Pedagógico, o texto citado pelo Almanaque Republicano e o Dicionário de Médicos Portugueses (a CIG diz só que ela «promoveu a criação» do Grupo). Pode ter havido uma fundadora e uma presidente; nenhuma fonte o explica.
  • Se os cursos noturnos que Maria Veleda criou no centro (Wikipédia) são os mesmos que o Grupo Português de Estudos Feministas ali dava em 1907 (Toponímia de Lisboa).

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Fontes7
  1. 1Maria Veleda na urbanização das mulheres. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Maria Veleda. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Liga Republicana das Mulheres Portuguesas. Almanaque Republicano (blogue) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Ângelo, Carolina Beatriz (1878-1911) — Dicionário de Médicos Portugueses. Unidade de História da Medicina, Faculdade de Ciências Médicas da UNL (projeto de estudantes) — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Roteiros Feministas na Cidade de Lisboa — visita guiada do Jardim Constantino ao Martim Moniz (25/5/2013). SPGL — Sindicato dos Professores da Grande Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6O sufrágio feminino no Parlamento na 1.ª República (ComunicAR n.º 71, março de 2021). Assembleia da República — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Osório, Ana de Castro. Dicionário Pedagógico (Dignipédia Global) — consultado a 4 de outubro de 2026Diz que Ana de Castro Osório «fundou e dirigiu» o Grupo Português de Estudos Feministas (1907), a Liga Republicana das Mulheres Portuguesas e a Associação de Propaganda Feminista.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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