Cantor, compositor e produtor. Preso pela PIDE em 1962, desertou da guerra colonial e viveu onze anos exilado em França, onde produziu «Cantigas do Maio», de José Afonso. Voltou a 30 de abril de 1974 e foi recebido no aeroporto com a «Grândola».
Cultura e censuracantor e compositorprodutor de «Cantigas do Maio»preso político (1962)exilado em França (1963–1974)
Filho de professores primários, nasceu no Porto a 25 de maio de 1942 e estudou música na escola Parnaso. Em 1958 envolveu-se na campanha de Humberto Delgado e, em 1961, entrou para o Partido Comunista Português e para as lutas académicas de Lisboa e de Coimbra.1 Em abril de 1962 foi preso pela PIDE e passou pelo Aljube e por Caxias; saiu em setembro.1
Decidido a não ir para a guerra colonial, desertou em 1963, contra a vontade do partido, e exilou-se em França.12 Em Paris viveu o Maio de 1968, cantou em encontros de emigrantes e conheceu Sérgio Godinho e José Afonso; gravou o primeiro disco, «Seis Cantigas de Amigo», em 1969.1 A 10 de novembro de 1970 cantou na Mutualité, em Paris, no concerto «La Chanson de Combat Portugaise».4 Produziu «Cantigas do Maio», de José Afonso, e publicou em 1971 «Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades».12
Voltou a 30 de abril de 1974, no avião de Paris em que vinham também Álvaro Cunhal e Luís Cília.910 A RTP filmou-o no aeroporto da Portela a abraçar a mãe, a mulher e os amigos e a cantar a «Grândola» em coro com José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, José Jorge Letria e Ary dos Santos.5 Foi um dos fundadores do Coletivo de Ação Cultural, depois Grupo de Ação Cultural (GAC) – Vozes na Luta, ligado à UDP, e trabalhou com o grupo de teatro da Comuna e com o Teatro do Mundo.1 Em 1980 cantou no Coliseu, no 10.º aniversário da CGTP-IN, e em abril de 1982 a RTP filmou-o a ensaiar na Aula Magna da Reitoria a apresentação do disco «Ser Solidário», um álbum duplo gravado entre janeiro e março desse ano e editado em 1982.6711
Morreu a 19 de novembro de 2019.1 Foi velado na Voz do Operário, onde antigos membros do GAC cantaram «A cantiga é uma arma», e o funeral saiu dali para o cemitério do Alto de São João.8 A Assembleia da República homenageou-o como «artista, cantor e compositor, que foi também um lutador político antifascista».3
Testemunho de José Mário Branco recolhido pelo Museu do Aljube a 16 de maio de 2019, seis meses antes de morrer. Pelas palavras-chave do museu, fala da prisão do Aljube, da PIDE e dos interrogatórios, dos estudantes, da guerra colonial, do exílio e do Maio de 1968.
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A gravação de 1971 do poema de Natália Correia musicado por José Mário Branco, do LP «Mudam-se os Tempos, Mudam-se as Vontades», gravado em França, no exílio. A faixa chega ao YouTube pela distribuidora da editora, no canal automático do cantor.
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10Álvaro Cunhal, revolução e ressaca. Visão (série «50 anos do 25 de Abril», Visão Biografia), 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026A 30 de abril de 1974, pelas 13h50, o voo AF501 da Air France, vindo de Paris, aterrou na Portela com Álvaro Cunhal.
11«Ser solidário» (LP, 1982). Arquivo Musical José Mário Branco (CESEM, NOVA FCSH) — consultado a 4 de outubro de 2026Álbum duplo de 1982, editado pela Edisom, gravado de 4 de janeiro a 12 de março de 1982.