A Alameda da Universidade, na Cidade Universitária, com a escultura de arcos vermelhos à entrada, em 2015.Metro Centric, CC BY 2.0
Alvalade
Cidade Universitária de Lisboa (Estádio Universitário e faculdades)
Aqui começou a crise académica de 1962: proibido o Dia do Estudante, a 24 de março, a polícia de choque carregou sobre os estudantes. Nos plenários que se seguiram, Isabel do Carmo foi a primeira mulher a tomar a palavra.
Hoje: Cidade Universitária – Universidade de LisboaLocalização aproximada
Na manhã de 24 de março de 1962, depois de o Governo de Salazar proibir as comemorações do Dia do Estudante, os estudantes concentraram-se aqui, na Cidade Universitária. A polícia espancou e prendeu estudantes e ocupou instalações universitárias e cantinas;1 a polícia de choque carregou várias vezes sobre eles no Estádio Universitário e no Campo Grande.2 Começava a crise académica de 1962.
A 26 de março, as associações de estudantes de Lisboa e de Coimbra declararam o «luto académico» — a greve às aulas, um direito proibido pela ditadura. Os plenários ao ar livre, diante das faculdades de Medicina e de Letras e da Reitoria, e no Estádio Universitário, foram uma novidade numa sociedade amordaçada.2 Num deles, no Estádio Universitário, falou a estudante de Medicina Isabel do Carmo, a primeira mulher a tomar a palavra num plenário da crise. A PIDE anotou que ela anteviu uma «Nação Livre» e propôs que se oferecessem flores à polícia, «as armas mais bonitas criadas em Portugal».3
A 9 de maio, por sugestão de Eurico Figueiredo, presidente da Comissão Pró-Associação dos Estudantes de Medicina, os estudantes concentrados na cantina da Cidade Universitáriaentraram em greve de fome; dias depois, a polícia de choque retirou-os à força e fez centenas de prisões.5Maria Antónia Fiadeiro, estudante de Filosofia em Letras, foi presa pela PIDE pela primeira vez por apoiar os grevistas.7 Na manhã de 4 de junho, a polícia de choque carregou à entrada da Faculdade de Medicina, e o professor Lindley Cintra, filólogo da Faculdade de Letras que apoiava os estudantes e tentava dialogar com a polícia, foi agredido e assistido no hospital. Seguiram-se as expulsões: Eurico Figueiredo, Mário Sottomayor Cardia e Isabel Vila Maior estiveram entre os 21 estudantes excluídos da Universidade de Lisboa por trinta meses.4 A 14 de novembro, a polícia de choque voltou a ocupar a Cidade Universitária.2
A Cidade Universitária continuou a ser um lugar de luta. Em 1964, Diana Andringa entrou na Faculdade de Medicina e, nesse ano, foi à sua primeira manifestação, a exigir a libertação de Saldanha Sanches.8 Na Faculdade de Letras, Helena Neves ajudou a organizar greves e manifestações, e numa delas um agente da PIDE agrediu-a à coronhada.9 Em fevereiro de 1972, Maria José Morgado foi suspensa da Faculdade de Direito «por distúrbios», com José António Ribeiro Santos e José Galamba de Oliveira.10
Desde 1987, o 24 de março é assinalado como Dia Nacional do Estudante, em homenagem aos estudantes que resistiram.1
Testemunho de Diana Andringa recolhido pelo Museu do Aljube a 19 de abril de 2017. Segundo as palavras-chave do museu, fala do movimento estudantil, do apoio aos presos políticos, da ligação ao MPLA e à luta de libertação, da prisão e dos interrogatórios em Caxias e do julgamento no Tribunal Plenário.
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Isabel do Carmo, num testemunho recolhido pelo Museu do Aljube a 24 de abril de 2019. As palavras-chave do museu incluem o movimento estudantil, a clandestinidade, a luta armada, a prisão, a tortura e o isolamento em Caxias, e a prisão depois do 25 de Abril.
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Testemunho da jornalista Helena Neves, recolhido pelo Museu do Aljube a 13 de março de 2019. Pelas palavras-chave do museu, passa pela família, pelos católicos, pelas coletividades de cultura e recreio, pelo Movimento Democrático de Mulheres, pela prisão, pelos interrogatórios e pela tortura.
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Publicado no Dia Internacional da Mulher de 2024, recorda a crise académica de 1962 e o movimento estudantil contra a ditadura pela voz de três mulheres que nele participaram: Manuela Tavares, Maria Emília Brederode Santos e Isabel do Carmo.
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Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Reportagem da Universidade de Lisboa sobre a cerimónia de 23 de março de 2024 à entrada da Reitoria, onde se gravou uma inscrição de homenagem ao movimento estudantil e às centenas de estudantes vítimas da ditadura. Um dos participantes recorda a crise académica de 1962 e a luta pela autonomia universitária.
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O dia do plenário do Estádio Universitário em que falou Isabel do Carmo: a fotografia publicada pela Comissão Comemorativa dos 50 Anos do 25 de Abril, da coleção da própria, só tem o ano, 1962.
Quando Helena Neves foi agredida por um agente da PIDE numa manifestação: o Museu do Aljube não dá a data.