Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina

Pessoas

Francisco Fanhais

n. 1941

Padre e cantor. Na vigília de São Domingos, na passagem de 1968 para 1969, cantou a «Cantata da Paz» de Sophia de Mello Breyner. Impedido de ser padre, de ensinar e de cantar em público, partiu para França em 1971 e participou nas gravações de «Cantigas do Maio».

Cultura e censuracantorpadre, impedido de exercer em 1970professor de música
Nasceu
17 de maio de 1941, Vila Nova da Barquinha
Ver no mapa

Biografia

Nasceu em Vila Nova da Barquinha a 17 de maio de 1941, estudou nos seminários de Santarém, Almada e Olivais e foi ordenado padre em 1965. Entre 1968 e 1970 foi professor de liceu e coadjutor da paróquia do Barreiro; em dezembro de 1968 conheceu José Afonso.1

Na noite de 31 de dezembro de 1968, na vigília pela paz da Igreja de São Domingos, cantou a «Cantata da Paz», que Sophia de Mello Breyner Andresen escrevera para essa noite.23 Em 1969 apareceu no «Zip-Zip» e gravou «Cantilenas»; a cantata saiu em 1970 no disco «Canções da Cidade Nova».13

Em 1970, por ter estado no casamento do ex-padre Felicidade Alves, foi impedido de exercer o sacerdócio, de dar aulas nas escolas públicas e de cantar em público.13 Em abril de 1971 partiu para França, à boleia de José Afonso, participou nas gravações de «Cantigas do Maio» e ligou-se à LUAR.1 Em 1973 deu, em Paris, com José Afonso e José Mário Branco, uma entrevista ao programa «Página Um».4 Em março de 1974 estava anunciado no I Encontro da Canção Portuguesa, no Coliseu, mas foi proibido de atuar e assistiu da plateia.5

Regressou depois do 25 de Abril e cantou em sessões de apoio a lutas populares, à Reforma Agrária, a cooperativas e a comissões de trabalhadores e de moradores, e nas campanhas de dinamização cultural do MFA.1 Em maio de 1974, no espetáculo de canto livre que a Emissora Nacional e a RTP organizaram no Teatro São Luiz, ouviu-se «Cantar Não É Talvez Suficiente», poema de Manuel Alegre com música sua.7 Em junho de 1975 a RTP filmou-o no Coliseu, a acompanhar José Afonso num comício da LUAR de apoio ao MPLA.6 Dedicou-se depois ao ensino da música e à Associação José Afonso.1

Fontes7
  1. 1Francisco Fanhais — biografia e testemunho (recolhido a 15 de janeiro de 2020). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
  2. 2A Vigília de São Domingos. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Jorge Mangorrinha, #20 «Cantata da paz» (Sophia de Mello Breyner / Rui Paz), Padre Fanhais, 1970 — série «50 canções a chamar Abril». Diário de Notícias, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Uma Noite em Paris — Parte I («Página Um», 1973). RTP Arquivos — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5Pedro Tadeu, «Fascistas! Fascistas!» gritaram cinco mil pessoas no Coliseu, no mês antes de Abril. Mensagem de Lisboa, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026
  6. 6Comício de apoio ao MPLA em Lisboa (Noticiário Nacional, 1 de junho de 1975). RTP Arquivos — consultado a 3 de outubro de 2026
  7. 7Espetáculo de Canto Livre (Emissora Nacional, 24 de maio de 1974). RTP Arquivos — consultado a 3 de outubro de 2026

Menu

Aspeto