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Em Cada Esquina
A Igreja de São Domingos e o largo em frente, em julho de 2017. Palickap, CC BY-SA 4.0

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Fachada branca de igreja barroca, com frontão recortado, um relógio redondo e uma cruz no alto, ao fim da tarde, com gente a passar no largo.
A Igreja de São Domingos e o largo em frente, em julho de 2017. Palickap, CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Igreja de São Domingos

Na passagem de 1968 para 1969, mais de cem católicos ficaram aqui em vigília contra a guerra colonial. Para essa noite, Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu a «Cantata da Paz»: «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar».

Hoje: Igreja de São Domingos
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História

A 8 de dezembro de 1967, o papa Paulo VI fez do dia 1 de janeiro o Dia Mundial da Paz. Na noite de 31 de dezembro de 1968, depois da missa presidida pelo cardeal-patriarca Manuel Gonçalves Cerejeira, um grupo de leigos anunciou que ia ficar em vigília nesta igreja.1 Foram quatro dizê-lo ao cardeal e ao prior, e entre eles uma rapariga, Catalina Pestana: uma senhora tinha lembrado que as mulheres faziam metade das coisas na Igreja, mas que, quando era preciso falar com o bispo, iam os homens.3

O documento que leram denunciava o «compromisso político da Igreja frente ao Estado» e condenava a nota pastoral dos bispos sobre o Dia da Paz, que tratava os «povos ultramarinos» como parte da «Nação Portuguesa». Mais de uma centena de pessoas ficou até às seis da manhã de 1 de janeiro de 1969, a discutir a guerra na Guiné, em Angola e em Moçambique.1 O historiador António de Araújo data a reunião de 1 de janeiro de 1969, o Dia da Paz que a vigília atravessou; segue-se o relato pormenorizado da Comissão Comemorativa, que a faz começar na noite de 31 de dezembro.2

Sophia de Mello Breyner Andresen escreveu para essa noite a «Cantata da Paz» — «Vemos, ouvimos e lemos / Não podemos ignorar» —, cantada por Francisco Fanhais.1 A música, a partir de um espiritual negro norte-americano, foi de Rui Paz, segundo o próprio Fanhais e a investigadora Eloísa Aragão; a Comissão Comemorativa dos 50 Anos atribui-a a Francisco Fernandes.31 Estiveram presentes, entre outros, Nuno Teotónio Pereira, Francisco de Sousa Tavares, Vítor Wengorovius, Luís Moita e Catalina Pestana.1 Sophia também lá esteve, segundo os testemunhos recolhidos pela investigadora Eloísa Aragão: Catalina Pestana lembra-se dela e do marido, Francisco de Sousa Tavares, que discutiu com o prior; Nuno Teotónio Pereira diz que «a Sophia também estava lá»; Francisco Fanhais, que cantou a cantata, garante que «claro que a Sophia estava lá», embora admita que não se lembra de a ver.3 Segundo o historiador António de Araújo, a ação fora combinada em casa de Maria Natália e Nuno Teotónio Pereira.2

Nos dias seguintes, o Patriarcado condenou o «carácter tendencioso» da vigília, e Nuno Teotónio Pereira foi chamado à PIDE. Quatro anos depois, o mesmo meio católico faria a vigília da Capela do Rato.1

Fontes4
  1. 1A Vigília de São Domingos. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Sophia de Mello Breyner Andresen: militância antifascista a partir da crise do Estado Novo (tese de doutoramento, Eloísa da Silva Aragão, 2017). Universidade de São Paulo — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Vigília da Capela do Rato. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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