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Em Cada Esquina
A entrada do Teatro Villaret, no rés-do-chão de um prédio da Avenida Fontes Pereira de Melo, em outubro de 2022. Joehawkins, CC BY-SA 4.0

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Rés-do-chão de um prédio de varandas corridas, com a porta envidraçada de um teatro, o letreiro «teatro villaret» e grandes cartazes de um espetáculo; ao lado, a montra de uma repartição de finanças, e à frente um banco e a faixa do autocarro.
A entrada do Teatro Villaret, no rés-do-chão de um prédio da Avenida Fontes Pereira de Melo, em outubro de 2022. Joehawkins, CC BY-SA 4.0

Santo António

Teatro Villaret

Raul Solnado abriu-o em 1965. Em 1969 gravou-se aqui, com público, o «Zip-Zip» da RTP: aqui se ouviu pela primeira vez em público a «Pedra Filosofal», e aqui a censura vetou por «obscena» a canção que uma jovem cantora escolhera.

Hoje: Teatro Villaret
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História

Raul Solnado abriu o Teatro Villaret a 10 de janeiro de 1965, num prédio da Avenida Fontes Pereira de Melo, com «O Impostor Geral», uma adaptação musical de Gógol pela Companhia Portuguesa de Comediantes; projetou-o e decorou-o Daciano da Costa, e o nome é uma homenagem ao ator João Villaret.1 O próprio teatro diz que foi o único, em Portugal, erguido por iniciativa de um ator, numa antiga garagem.2 Dias antes da abertura, Solnado mostrou-o aos jornalistas, numa visita que a RTP filmou.3

A 26 de maio de 1969 estreou-se aqui o «Zip-Zip», da RTP, de Solnado, Carlos Cruz e Fialho Gouveia, gravado com público. No primeiro programa, a atriz Laura Soveral disse o poema de Almada Negreiros «Pede-se a uma criança: desenha uma flor!», e o próprio Almada foi entrevistado, com quadros seus expostos à porta do teatro.4 O programa, à segunda-feira à noite, revelou uma geração de cantores de viola na mão, a que se chamou «baladeiros».7 O último foi para o ar a 29 de dezembro de 1969.6

Foi neste palco que Manuel Freire cantou pela primeira vez em público a «Pedra Filosofal», sobre o poema de António Gedeão; voltou a cantá-la no último programa e, em 1971, regressou aqui para receber o «disco de bronze» da editora Zip-Zip, por dez mil discos vendidos.76 A transmissão da «Cantilena» de Francisco Fanhais obrigou a negociações de bastidores com a censura, e também Maria do Amparo passou pelo programa.78 Ana Maria Teodósio, que cantou ao lado de Carlos Alberto Moniz, viu a censura vetar por «obscena» a primeira canção que escolhera, e cantou outra, «Meninos».87

Em 1977 gravou-se aqui outro programa de Solnado e Fialho Gouveia, «A Visita da Cornélia».1 Depois de obras no palco, na plateia, nos camarins e nas casas de banho, pagas pela Força de Produção, que o gere, o teatro reabriu a 17 de setembro de 2026.9

Notas sobre as fontes3
  • O dia do primeiro «Zip-Zip»: 26 de maio de 1969 no vídeo da RTP Arquivos; a fotografia de Almada Negreiros nessa primeira emissão, também da RTP Arquivos, está datada de 24 de maio.
  • Se todos os programas do «Zip-Zip» se gravaram aqui: a RTP Arquivos situa no Teatro Villaret os excertos que guarda de maio a outubro de 1969, mas a página do último programa, de 29 de dezembro, não diz a sala.
  • Se há no teatro alguma placa ou marca que lembre o «Zip-Zip»: não se encontrou nenhuma fonte que o diga.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes10
  1. 1Eurico de Barros, O Pátio das Antigas: O teatro que Raul Solnado construiu. Time Out Lisboa, 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026
  2. 2Sobre o Teatro. Teatro Villaret (Força de Produção) — consultado a 4 de outubro de 2026
  3. 3Teatro Villaret em Lisboa (visita da imprensa antes da abertura, 6 de janeiro de 1965). RTP Arquivos — consultado a 4 de outubro de 2026
  4. 4Entrevista a Almada Negreiros no «Zip-Zip» (primeiro programa, 26 de maio de 1969). RTP Arquivos — consultado a 4 de outubro de 2026
  5. 5Almada Negreiros no Zip Zip (fotografia da primeira emissão, datada de 24 de maio de 1969). RTP Arquivos — consultado a 4 de outubro de 2026
  6. 6Zip Zip – Parte II (último programa da série, 29 de dezembro de 1969). RTP Arquivos — consultado a 4 de outubro de 2026
  7. 7Luís Freitas Branco, 1971. Os baladeiros e o sonho da Pedra Filosofal: «O que nos uniu foi o que nos separou». Observador, 2021 — consultado a 4 de outubro de 2026
  8. 8Jorge Mangorrinha, #44 «Trevo de Maio» (Maria do Amparo – Carlos Alberto Moniz), Carlos Alberto Moniz & Maria do Amparo, 1973 — série «50 canções a chamar Abril». Diário de Notícias, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026
  9. 9Agência Lusa, Teatro Villaret reabre em setembro com comédia «Dois + Dois». Conta-lá, 2026 — consultado a 4 de outubro de 2026
  10. 10Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (nó 3386123998, «Teatro Villaret»; Nominatim), consultado a 4 de outubro de 2026.

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