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Em Cada Esquina
A fachada do Teatro São Luiz, na Rua António Maria Cardoso, no Chiado, em março de 2018. Hipersyl, CC BY-SA 4.0

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Fachada amarela e branca de um teatro, com uma grande janela em arco por cima da entrada e um letreiro escuro onde se lê «S. Luiz»; a rua, com carris de elétrico e carros estacionados, segue em fundo entre prédios, sob um céu branco.
A fachada do Teatro São Luiz, na Rua António Maria Cardoso, no Chiado, em março de 2018. Hipersyl, CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Teatro São Luiz

A 24 de fevereiro de 1969, a «Desfolhada Portuguesa», cantada por Simone de Oliveira, ganhou aqui o Festival da Canção, com um verso que a censura deixou passar e que ofendeu a moral mais conservadora. O teatro vivia, diz ele próprio, «paredes meias» com a sede da polícia política.

Hoje: São Luiz Teatro Municipal
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História

Inaugurado em 1894 como Theatro D. Amélia, em homenagem à rainha, chamou-se Teatro República a partir de 1910 e Teatro São Luiz desde 1918; ardeu em 1914 e foi reconstruído até 1916. Só em 1971 passou para a Câmara Municipal de Lisboa.1 Durante a ditadura viveu, diz o próprio teatro, «paredes meias com a sede da polícia política» — a sede da PIDE ficava nesta mesma rua —, e foi um lugar «onde artistas que o regime vigiava se cruzavam com outros que o defendiam».2

A 24 de fevereiro de 1969, o Grande Prémio TV da Canção saiu pela primeira vez dos estúdios e foi transmitido em direto deste palco, apresentado pela atriz Maria de Lourdes Norberto. Das dez canções a concurso, cantadas também por Teresa Paula Brito, Madalena Iglésias, Lilly Tchiumba e Maria da Fé, entre outros, ganhou a «Desfolhada Portuguesa», poema de José Carlos Ary dos Santos e música de Nuno Nazareth Fernandes, na voz de Simone de Oliveira.345 A censura deixou passar o verso «Quem faz um filho, fá-lo por gosto», que ofendeu a moral mais conservadora; a cantora foi insultada na rua e esteve para ser presa.56

Em maio de 1974, já em liberdade, a Emissora Nacional e a RTP organizaram aqui um espetáculo de canto livre: disseram-se poemas de Vinicius de Moraes, Alexandre O’Neill, Ary dos Santos, Manuel Alegre e Sophia de Mello Breyner Andresen, e cantou-se «Cantar Não É Talvez Suficiente», de Manuel Alegre, com música de Francisco Fanhais.7 O teatro reabriu em 2002, depois de uma remodelação profunda; em abril de 2022, a exposição «48 Memórias» mostrou os momentos em que a sua história se cruzou com a do regime.12

Notas sobre as fontes1
  • O dia do espetáculo de canto livre: a RTP Arquivos data de 24 de maio de 1974 a gravação que a Emissora Nacional emitiu, sem dizer se é o dia do espetáculo ou o da emissão.

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Fontes8
  1. 1Missão e História — Teatro São Luiz: 132 anos de história e criação. São Luiz Teatro Municipal (EGEAC) — consultado a 4 de outubro de 2026
  2. 248 Memórias (exposição de 18 a 30 de abril de 2022, com curadoria de Tiago Bartolomeu Costa). São Luiz Teatro Municipal (EGEAC), 2022 — consultado a 4 de outubro de 2026
  3. 3Grande Prémio TV da Canção Portuguesa 1969 (emissão em direto do Teatro São Luiz, 24 de fevereiro de 1969). RTP Arquivos — consultado a 4 de outubro de 2026
  4. 4Grande Prémio TV da Canção Portuguesa 1969 (reportagem do Noticiário Nacional, 25 de fevereiro de 1969). RTP Arquivos — consultado a 4 de outubro de 2026
  5. 5Jorge Mangorrinha, #15 «Desfolhada portuguesa» (José Carlos Ary dos Santos / Nuno Nazareth Fernandes), Simone de Oliveira, 1969 — série «50 canções a chamar Abril». Diário de Notícias, 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026
  6. 6Miguel Carvalho, «A Desfolhada» chegou a Simone em segredo e ela cantou-a entre insultos e GNR a cavalo. Visão (Arquivo Morto), 2019 — consultado a 4 de outubro de 2026
  7. 7Espetáculo de Canto Livre (Emissora Nacional, 24 de maio de 1974). RTP Arquivos — consultado a 3 de outubro de 2026
  8. 8Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (way 146784835, o edifício do teatro; Nominatim), consultado a 4 de outubro de 2026.

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