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O portal barroco do Paço de São Cristóvão (Palácio Vagos), em 2016. Ricardo Filipe Pereira, CC BY-SA 4.0

Paço de São Cristóvão / Palácio Vagos — Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa

Fachada amarela com um portal de pedra trabalhada, uma varanda de ferro por cima e janelas de moldura clara, vista de baixo.
O portal barroco do Paço de São Cristóvão (Palácio Vagos), em 2016. Ricardo Filipe Pereira, CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Paço de São Cristóvão / Palácio Vagos — Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa

Palácio da Mouraria que pertence desde 1913 à Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa. No salão nobre da associação fez-se, em maio de 1924, o I Congresso Feminista e de Educação, o primeiro do país.

Hoje: Clínica de São Cristóvão, da Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa
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História

O antigo Paço de São Cristóvão terá sido construído na primeira metade do século XV. Aqui se celebrou, em 1451 ou 1452, o casamento por procuração de D. Leonor, filha do rei D. Duarte, com Frederico III da Alemanha. Foi depois residência dos condes de Aveiras, mais tarde marqueses de Vagos, e ruiu quase todo com o terramoto de 1755; em 1864, o marquês vendeu as ruínas, e o novo dono reconstruiu o palácio mantendo a fachada principal. Do paço do século XV resta o portal gótico lateral, na Rua do Regedor, monumento nacional desde 1910. Desde 1913, o palácio pertence à Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa.4

Foi no salão nobre dessa associação que, de 4 a 9 de maio de 1924, o Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas realizou, para assinalar os seus dez anos, o I Congresso Feminista e de Educação — o primeiro congresso feminista do país.12 As fontes nomeiam a associação e não o edifício, mas a associação era já então dona deste palácio. A comissão organizadora juntava dez mulheres e dois homens: Adelaide Cabete, presidente do Conselho, Aurora de Castro e Gouveia, Angélica Viana Porto, Domingas Lazary Amaral, Albertina Gamboa, Laura Corte Real, Maria O'Neill, Deolinda Lopes Vieira, Vitória Pais Madeira e Elisa Lima, com Arnaldo Brazão e João Teixeira Simões.8 O Presidente da República, Manuel Teixeira Gomes, presidiu à sessão inaugural e fechou-a com um discurso: as mulheres, a quem estava confiada a educação dos filhos, tinham «o direito de intervir na vida pública do seu país».123 (Um seminário da NOVA FCSH de 2024 dá a abertura a 5 de maio; seguem-se as datas de 4 a 9 de maio, que o estudo de Jaqueline Moraes de Almeida e Daniel Giesbrecht também dá.)12

Na sessão de abertura, Adelaide Cabete respondeu aos «timoratos que perguntam onde irá o Feminismo parar»: terminaria «onde acabam todas as ideias de Progresso e toda a esperança generosa».9 Apresentaram-se vinte e cinco teses, dezassete delas escritas por mulheres.3 Aurora de Castro e Gouveia, a primeira notária do país, reclamou para as mulheres a igualdade política plena e o direito de voto.5 Angélica Viana Porto falou da assistência às delinquentes; Maria O'Neill, da assistência e do trabalho; Deolinda Lopes Vieira, da educação das crianças com deficiência; Domingas Lazary Amaral, da educação das crianças «indígenas» nas colónias.876 Entre as propostas aprovadas estavam um mês de descanso antes do parto para as trabalhadoras, a educação sexual nas escolas, salário igual para trabalho igual e a igualdade jurídica no casal.3

Hoje funciona no palácio a Clínica de São Cristóvão, da mesma associação.11

Notas sobre as fontes1
  • Se o salão nobre onde decorreu o congresso era o deste palácio: as fontes dizem só «nas dependências» ou no salão nobre da associação, e a compra do palácio em 1913 só foi lida na Wikipédia.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes12
  1. 1Ser mulher em Lisboa: a associação que agitou o regime no século XX (Ana Sofia Paiva, 8/3/2019). FCSH+Lisboa – NOVA FCSH — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Deolinda Lopes Vieira. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Palácio Vagos. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5A 1ª notária portuguesa numa Rua de Caselas. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa) — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Maria O'Neill. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Angélica Viana Porto. Wikipédia (pt) — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Primeiro Congresso Feminista e de Educação (brochura de divulgação, com a comissão organizadora, as teses e o regulamento). Conselho Nacional das Mulheres Portuguesas — Arquivo de História Social (ICS-ULisboa), Espólio Pinto Quartin, 1924 — consultado a 3 de outubro de 2026Cota PT/AHS-ICS/PQ-B-1276; a brochura anunciava o congresso para março de 1924.
  9. 9Os 80 anos do I Congresso Feminista e da Educação (1924-2004). Esquerda.net, 2008 — consultado a 3 de outubro de 2026
  10. 10Seminário Internacional – I Congresso Feminista e de Educação, cem anos depois. Resistência no Feminino – NOVA FCSH, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026
  11. 11Contactos — Clínica de São Cristóvão. CSC – Associação de Socorros Mútuos de Empregados no Comércio de Lisboa — consultado a 3 de outubro de 2026
  12. 12Jaqueline Moraes de Almeida e Daniel Florence Giesbrecht, «Criar cidadãos perfeitos para uma República máscula, forte e virtuosa»: o Primeiro Congresso Nacional Feminista e de Educação em Lisboa (1924) e a modernização da desigualdade. Revista de História Regional, 29 (Universidade Estadual de Ponta Grossa); cópia no Estudo Geral, Universidade de Coimbra, 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026O congresso decorreu de 4 a 9 de maio de 1924, nas dependências da Associação de Socorros Mútuos dos Empregados no Comércio de Lisboa; o Presidente Manuel Teixeira Gomes presidiu à sessão inaugural e encerrou-a com um discurso.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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