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Em Cada Esquina
A fonte sul do Rossio, a coluna de D. Pedro IV e o Teatro Nacional D. Maria II, em 2018. Berthold Werner, CC BY-SA 4.0

Café Gelo

Fonte de bronze com esculturas em primeiro plano, a coluna alta com a estátua no topo atrás dela e a calçada de ondas pretas e brancas, sob céu azul.
A fonte sul do Rossio, a coluna de D. Pedro IV e o Teatro Nacional D. Maria II, em 2018. Berthold Werner, CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Café Gelo

Café do Rossio onde, entre 1957 e 1962, se reunia o «Grupo do Café Gelo», de poetas e pintores dissidentes; o grupo foi proibido de lá entrar depois do 1.º de Maio de 1962.

Hoje: Gelo, marisqueira desde 2024Há uma marca no local
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História

O Café Gelo, no Rossio, tinha uma longa fama conspirativa: da sua sala das traseiras saíram, na tarde de 1 de fevereiro de 1908, Alfredo Costa e Manuel Buíça, os regicidas.31

Entre 1957 e 1962, o café foi ponto de encontro de um grupo de escritores e artistas que chegou a ter quase trinta membros3 — entre eles Herberto Helder, António José Forte, Manuel de Lima, Natália Correia, António Gancho, Manuel de Castro, Pedro Oom, Mário Cesariny, Manuel Cargaleiro, Carlos Fernandes e Luiz Pacheco.1 O escritor Helder Macedo, que dele fez parte, explicou numa entrevista ao Público, em 2017, citada pela Wikipédia, que o núcleo inicial não era surrealista: o que tinham em comum era «uma atitude de dissidência, de não pactuar», em termos políticos, sociais, morais ou sexuais.1

As reuniões acabaram em 1962. No 1.º de Maio desse ano, durante a manifestação violentamente reprimida na Baixa, a polícia entrou no café e espancou quem lá estava — «os açucareiros voaram», contou Luiz Pacheco. O gerente foi chamado à esquadra e, dias depois, disse ao grupo que já não podia ali ficar.3 Passaram a reunir-se no Café Nacional, na Rua 1.º de Dezembro, segundo Pacheco, ou no Café Palladium, na Avenida da Liberdade, segundo a Time Out.34

O café mudou várias vezes de configuração; em 2024 tornou-se uma marisqueira.15

Notas sobre as fontes2
  • Para onde foi o grupo depois de expulso do Gelo: o Café Nacional, na Rua 1.º de Dezembro (Luiz Pacheco, entrevista citada pelo Observador), ou o Café Palladium, na Avenida da Liberdade (Eurico de Barros, Time Out, 2021, fonte da Wikipédia).
  • Texto da placa à porta.

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Fontes5
  1. 1Café Gelo. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Natália Correia. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Joana Emídio Marques, Café Gelo: os 60 anos de um grupo que nunca existiu. Observador, 2017 — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Eurico de Barros, O Pátio das Antigas: o café das várias vidas. Time Out Lisboa, 2021 — consultado a 4 de outubro de 2026Depois do 1.º de Maio de 1962, o «Grupo do Gelo» mudou-se para o desaparecido Café Palladium, na Avenida da Liberdade, e o Gelo pôde continuar aberto.
  5. 5Gelo. O antigo refúgio revolucionário passou a marisqueira com degustações de bacalhau. NiT, 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026Artigo de 28 de agosto de 2024 sobre a transformação do Gelo, no Rossio, em marisqueira.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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