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O Rossio (Praça de D. Pedro IV) visto do Elevador de Santa Justa, em 2007. Szilas, Domínio público

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Praça retangular vista do alto, com a coluna de D. Pedro IV ao centro, duas fontes, o chão de calçada ondulada e o Teatro Nacional ao fundo, entre prédios de quatro andares.
O Rossio (Praça de D. Pedro IV) visto do Elevador de Santa Justa, em 2007. Szilas, Domínio público

Santa Maria Maior

Rossio (Praça de D. Pedro IV)

No Rossio, a GNR carregou sobre os apoiantes de Humberto Delgado em 1958 e a polícia reprimiu o 1.º de Maio de 1962. A 25 de abril de 1974, passou aqui, entre a multidão, a coluna de Salgueiro Maia a caminho do Carmo.

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História

A 16 de maio de 1958, quando Humberto Delgado, candidato da oposição à Presidência da República, voltou do Porto, uma multidão esperava-o de Santa Apolónia ao Terreiro do Paço. A PIDE desviou a caravana do general para a zona oriental da cidade, e a GNR perseguiu e espancou os seus apoiantes pelo Terreiro do Paço, pelo Rossio, pelos Restauradores e pelas ruas da Baixa.19

A 1 de maio de 1962, em plena crise académica, operários e estudantes irromperam pela Baixa a gritar «Temos fome!», «Liberdade!», «Abaixo o fascismo!», «Abaixo a PIDE!». Houve confrontos no Terreiro do Paço, no Carmo, no Rossio, no Martim Moniz e em Alcântara, e a polícia de choque, a GNR, a PIDE e a Legião Portuguesa só retomaram o controlo pela noite dentro. Perto do Largo do Caldas, a polícia matou a tiro o tipógrafo Estêvão Giro, de 25 anos.2 No Café Gelo, aqui no Rossio, reunia-se desde 1957 um grupo de escritores e pintores — Mário Cesariny, Herberto Helder, Luiz Pacheco, Natália Correia, entre outros.4 Nesse dia a polícia entrou no café à cacetada. Luiz Pacheco lembrava os açucareiros de metal a voar e polícias a ir parar ao lago do Rossio; dias depois, chamado à esquadra, o gerente disse ao grupo que já não o podia receber.5

Dez anos mais tarde, dias depois da reeleição de Américo Tomás, a 25 de julho de 1972, as Brigadas Revolucionárias largaram em pleno Rossio e em Alcântara dois porcos vestidos de almirante, enquanto petardos espalhavam panfletos contra a «farsa eleitoral» — «uma fantochada maior e uma porcaria».3

Por volta do meio-dia de 25 de abril de 1974, passou aqui a coluna de Salgueiro Maia, que ia do Terreiro do Paço para o Largo do Carmo entre milhares de pessoas. No Rossio encontrou uma força do Regimento de Infantaria 1, enviada para a deter, que se pôs às ordens do Movimento e a seguiu.6 Para a Associação 25 de Abril, foi aqui que o povo de Lisboa mostrou a sua adesão à revolução, e foi também aqui que se repetiu o gesto de Celeste Caeiro: o cravo dado a um soldado, que o pôs no cano da espingarda.7 A associação não diz quem o repetiu; Celeste contou que deu o seu cravo ali ao lado, na Rua do Carmo.

Notas sobre as fontes1
  • O dia da ação dos porcos das Brigadas Revolucionárias: o Museu do Aljube diz só que foi «dias depois» da reeleição de Américo Tomás, a 25 de julho de 1972.

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Fontes9
  1. 1Delgado: Um vendaval varreu o País (João Paulo Guerra). esquerda.net — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Estêvão José Dangues Giro (Alcochete, 1937 – Lisboa, 01-05-1962). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Primeira ação das Brigadas Revolucionárias (BR). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Café Gelo. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Joana Emídio Marques, Café Gelo: os 60 anos de um grupo que nunca existiu. Observador, 2017 — consultado a 3 de outubro de 2026
  6. 6Movimentações do dia 25 de Abril. Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Rossio – participação popular (Lugares de Abril). Associação 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Inauguradas as últimas placas do Projeto «Lugares de Abril». Olhares de Lisboa, 2024 — consultado a 3 de outubro de 2026
  9. 9Humberto Delgado (mostra). Biblioteca Nacional de Portugal — consultado a 4 de outubro de 2026Depois da chegada de Delgado à estação de Santa Apolónia «a 16 de Maio de 1958», a GNR e agentes da PIDE reprimiram a população de Lisboa que o fora receber.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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