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Em Cada Esquina
O Largo do Caldas (hoje Largo Adelino Amaro da Costa), com a sede nacional do CDS, em 2015. Rachimbourg, CC BY-SA 4.0

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Prédio pombalino claro de quatro andares, com varandas de ferro e bandeiras à porta, diante de um largo de calçada com algumas pessoas a passar.
O Largo do Caldas (hoje Largo Adelino Amaro da Costa), com a sede nacional do CDS, em 2015. Rachimbourg, CC BY-SA 4.0

Santa Maria Maior

Largo do Caldas / Rua da Madalena

Aqui, no 1.º de Maio de 1962, a polícia disparou rajadas de metralhadora contra os manifestantes e matou o tipógrafo Estêvão Giro, de 25 anos.

Hoje: Largo Adelino Amaro da Costa
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História

O 1.º de Maio de 1962 foi uma das maiores manifestações contra a ditadura, juntando a mobilização operária à estudantil, em plena crise académica. Os manifestantes concentraram-se em vários pontos da cidade e houve confrontos no Terreiro do Paço, no Carmo, no Rossio, no Martim Moniz e em Alcântara.1

Na zona da Rua da Madalena e do Largo do Caldas, manifestantes e forças policiais enfrentaram-se, e a polícia disparou rajadas de metralhadora. Estêvão José Dangues Giro, tipógrafo natural de Alcochete, que estaria ligado ao PCP, foi atingido mortalmente. Tinha 25 anos.1 Segundo o testemunho de Adalberto Ribeiro, recolhido pelo Memória Comum, caiu no troço que vai do Largo e da Rua da Madalena ao Largo do Caldas, onde uma ponta da manifestação resistia à polícia de choque; os companheiros levaram-no para um posto médico nas traseiras da Associação dos Empregados do Comércio, no Largo do Caldas, onde já chegou morto.3

Como sublinha o Museu do Aljube, o assassinato deu-se «bem perto do Aljube», a cadeia política da PIDE, e poucos dias depois de dois mineiros terem sido mortos em Aljustrel, no fim de abril.2

A repressão combinou a polícia de choque, a GNR, a PIDE e a Legião Portuguesa, e só pela noite dentro as autoridades conseguiram retomar o controlo da situação.1

O largo chama-se oficialmente, desde um edital de 5 de abril de 1982, Largo Adelino Amaro da Costa, em memória do ministro da Defesa morto em Camarate em 1980; o nome antigo, Largo do Caldas, vem do palácio pombalino dos irmãos Caldas e continua na boca dos lisboetas.4

Notas sobre as fontes2
  • O ponto exato onde Estêvão Giro caiu, no troço entre a Rua da Madalena e o Largo do Caldas: o testemunho publicado pelo Memória Comum não o precisa.
  • Idade: o Museu do Aljube diz que tinha 25 anos, mas indica 1937 como ano de nascimento (o que daria 24 ou 25 anos, consoante a data).

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Fontes4
  1. 1Estêvão José Dangues Giro (Alcochete, 1937 – Lisboa, 01-05-1962). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Manifestação de apoio a Eurico Figueiredo. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Estêvão José Dangues Giro. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 4 de outubro de 2026Com o testemunho presencial de Adalberto Ribeiro, conta que caiu baleado no Largo e Rua da Madalena e que outros manifestantes o levaram para o posto médico das traseiras da Associação dos Empregados do Comércio, no Largo do Caldas, onde chegou já morto.
  4. 4O pombalino Largo do Caldas e o Largo Adelino Amaro da Costa dos anos 80. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa), 2017 — consultado a 4 de outubro de 2026O Largo do Caldas chama-se oficialmente Largo Adelino Amaro da Costa desde o edital de 5 de abril de 1982, na sequência de uma proposta aprovada em reunião de Câmara a 22 de dezembro de 1980.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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