Santa Maria Maior
Largo do Caldas / Rua da Madalena
Aqui, no 1.º de Maio de 1962, a polícia disparou rajadas de metralhadora contra os manifestantes e matou o tipógrafo Estêvão Giro, de 25 anos.
História
O 1.º de Maio de 1962 foi uma das maiores manifestações contra a ditadura, juntando a mobilização operária à estudantil, em plena crise académica. Os manifestantes concentraram-se em vários pontos da cidade e houve confrontos no Terreiro do Paço, no Carmo, no Rossio, no Martim Moniz e em Alcântara.1
Na zona da Rua da Madalena e do Largo do Caldas, manifestantes e forças policiais enfrentaram-se, e a polícia disparou rajadas de metralhadora. Estêvão José Dangues Giro, tipógrafo natural de Alcochete, que estaria ligado ao PCP, foi atingido mortalmente. Tinha 25 anos.1 Segundo o testemunho de Adalberto Ribeiro, recolhido pelo Memória Comum, caiu no troço que vai do Largo e da Rua da Madalena ao Largo do Caldas, onde uma ponta da manifestação resistia à polícia de choque; os companheiros levaram-no para um posto médico nas traseiras da Associação dos Empregados do Comércio, no Largo do Caldas, onde já chegou morto.3
Como sublinha o Museu do Aljube, o assassinato deu-se «bem perto do Aljube», a cadeia política da PIDE, e poucos dias depois de dois mineiros terem sido mortos em Aljustrel, no fim de abril.2
A repressão combinou a polícia de choque, a GNR, a PIDE e a Legião Portuguesa, e só pela noite dentro as autoridades conseguiram retomar o controlo da situação.1
O largo chama-se oficialmente, desde um edital de 5 de abril de 1982, Largo Adelino Amaro da Costa, em memória do ministro da Defesa morto em Camarate em 1980; o nome antigo, Largo do Caldas, vem do palácio pombalino dos irmãos Caldas e continua na boca dos lisboetas.4
Onde
Mapa com a localização de Largo do Caldas / Rua da Madalena.
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Perto daqui


Rua do Carmo — os cravos de Celeste Caeiro
330 m · 5 min a pé

Café Chave d'Ouro
350 m · 5 min a pé

Rossio (Praça de D. Pedro IV)
350 m · 5 min a pé
Pessoas
Datas
1 de maio de 1962
Morte de Estêvão Giro, atingido por fogo policial.
5 de abril de 1982
Edital que dá ao Largo do Caldas o nome de Largo Adelino Amaro da Costa.
Notas sobre as fontes2
- O ponto exato onde Estêvão Giro caiu, no troço entre a Rua da Madalena e o Largo do Caldas: o testemunho publicado pelo Memória Comum não o precisa.
- Idade: o Museu do Aljube diz que tinha 25 anos, mas indica 1937 como ano de nascimento (o que daria 24 ou 25 anos, consoante a data).
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Fontes4
- 1Estêvão José Dangues Giro (Alcochete, 1937 – Lisboa, 01-05-1962). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Manifestação de apoio a Eurico Figueiredo. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Estêvão José Dangues Giro. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 4 de outubro de 2026Com o testemunho presencial de Adalberto Ribeiro, conta que caiu baleado no Largo e Rua da Madalena e que outros manifestantes o levaram para o posto médico das traseiras da Associação dos Empregados do Comércio, no Largo do Caldas, onde chegou já morto.
- 4O pombalino Largo do Caldas e o Largo Adelino Amaro da Costa dos anos 80. Toponímia de Lisboa (Câmara Municipal de Lisboa), 2017 — consultado a 4 de outubro de 2026O Largo do Caldas chama-se oficialmente Largo Adelino Amaro da Costa desde o edital de 5 de abril de 1982, na sequência de uma proposta aprovada em reunião de Câmara a 22 de dezembro de 1980.
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.