A Rua do Carmo, a subir para o Chiado, com a passagem do Elevador de Santa Justa ao fundo, em 2019.Jan Helebrant, CC0 1.0
Santa Maria Maior
Rua do Carmo — os cravos de Celeste Caeiro
Por esta rua subiu a coluna de Salgueiro Maia, do Rossio para o Largo do Carmo. Foi aqui, no princípio da rua, junto ao Rossio — segundo o Diário de Notícias e a placa posta em 2025 —, que Celeste Caeiro deu um cravo a um soldado que lhe pedia um cigarro, e o cravo tornou-se o símbolo da revolução.
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Por volta do meio-dia de 25 de abril, os blindados da Escola Prática de Cavalaria saíram do Terreiro do Paço para o Largo do Carmo. No Rossio, uma companhia enviada para os travar pôs-se às ordens do Movimento; depois, os carros subiram com dificuldade as ruas íngremes, aplaudidos por milhares de pessoas, e chegaram ao Carmo cerca das 12h30.2
Celeste Caeiro trabalhava no restaurante Sir, no Edifício Franjinhas, na Rua Braamcamp. O restaurante fazia um ano nesse dia e os donos tinham comprado cravos para oferecer às clientes; com o golpe em curso não abriu, e os cravos foram dados às empregadas.7 Celeste veio para a Baixa com o seu molho de flores. Junto às chaimites, um soldado disse-lhe: «Vamos para o Carmo prender o Marcelo. Já agora, a menina não tem aí um cigarrinho?» Ela não fumava. Deu-lhe um cravo, e ele pô-lo no cano da espingarda. Contou mais tarde que terá dado uns seis.5
O gesto repetiu-se pela cidade, e os jornais estrangeiros chamaram-lhe a Revolução dos Cravos. Celeste Caeiro desfilou na Avenida da Liberdade nos 50 anos do 25 de Abril, em 2024, numa cadeira de rodas, com cravos na mão. Morreu a 15 de novembro desse ano.8
Descerramento, no fim da Rua do Carmo, junto ao Rossio, de uma placa com o poema «Celeste em Flor», de Rosa Guerreiro Dias, que lembra o cravo que Celeste Caeiro deu a um soldado que lhe pedira um cigarro. A placa assinala o gesto 51 anos depois.
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Celeste Caeiro, então com 80 anos, conta ela própria a história dos cravos que se tornaram símbolo do 25 de Abril, num vídeo publicado pela Câmara de Lisboa nas vésperas dos 40 anos da revolução.
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Notas sobre as fontes2
Se Celeste ia para casa (morava no Chiado) ou para o Rossio de metro: os relatos publicados divergem.
A hora do encontro: as fontes só dizem que foi de manhã ou perto do meio-dia.
10Celeste Caeiro. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
11Celeste Caeiro. Wikipédia (inglês) — consultado a 2 de outubro de 2026
12«Celeste dos Cravos» imortalizada na Rua do Carmo. Região de Lisboa (SAPO), abril de 2025 — consultado a 3 de outubro de 2026A placa com o poema «Celeste em Flor», de Rosa Guerreiro Dias, foi descerrada pela Câmara de Lisboa a 25 de abril de 2025, no fim da Rua do Carmo, junto ao Rossio.
Coordenadas: OpenStreetMap (way 5011594, extremo norte da Rua do Carmo, junto ao Rossio; Nominatim), consultado a 4 de outubro de 2026.