Na crise académica de 1962, o reitor era Marcelo Caetano: da varanda da Reitoria defendeu a autonomia da universidade e, quando o Governo voltou a proibir o Dia do Estudante, demitiu-se. O terreiro em frente encheu-se de plenários de estudantes.
Marcelo Caetano, figura de referência do Estado Novo, antigo ministro das Colónias e da Presidência, tornou-se reitor da Universidade de Lisboa a 20 de janeiro de 1959.3 Na primavera de 1962, o Governo proibiu as comemorações do Dia do Estudante e a polícia de choque carregou sobre os estudantes no Estádio Universitário e no Campo Grande.2 O reitor foi recebido com aplausos pelos estudantes concentrados no Estádio e, mais tarde, da varanda da Reitoria, falou-lhes e reafirmou que a autonomia universitária tinha de ser respeitada. Em alternativa às celebrações proibidas, convidou-os para um jantar no restaurante Castanheira de Moura, no Lumiar — e não apareceu.1
A 26 de março, as associações de estudantes de Lisboa e de Coimbra declararam o luto académico, a greve às aulas. O Governo recuou e aceitou que o Dia do Estudante se celebrasse a 7 e 8 de abril, mas a 5 de abril voltou a proibi-lo. Nesse dia, sentindo-se desautorizado, Marcelo Caetano pediu a demissão, e o luto foi retomado.21 A universidade diz que se demitiu por se sentir desautorizado pela reação policial, e dá o mandato por terminado a 12 de abril.3
Durante os três meses de luto, o terreiro em frente à Reitoria foi palco de inúmeras concentrações de estudantes.4 Os plenários ao ar livre — aqui, diante das faculdades e no Estádio Universitário, na Cidade Universitária — eram uma novidade numa sociedade amordaçada, onde a discussão pública era rara: os dirigentes associativos falavam diretamente a milhares de estudantes e levavam a votos as decisões sobre a resistência.2
Reportagem da Universidade de Lisboa sobre a cerimónia de 23 de março de 2024 à entrada da Reitoria, onde se gravou uma inscrição de homenagem ao movimento estudantil e às centenas de estudantes vítimas da ditadura. Um dos participantes recorda a crise académica de 1962 e a luta pela autonomia universitária.
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No Dia do Estudante de 2022, na Aula Magna da Reitoria da Universidade de Lisboa, o Presidente da República fala no colóquio sobre as crises estudantis de 1962 e condecora Eurico Figueiredo com a Grã-Cruz da Ordem da Instrução Pública. Foi por sugestão de Eurico Figueiredo que os estudantes aprovaram, em maio de 1962, a greve de fome que começou na cantina da Cidade Universitária.
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O dia em que Marcelo Caetano falou aos estudantes da varanda da Reitoria.
Se alguma estudante falou nos plenários diante da Reitoria: as fontes consultadas só documentam a intervenção de Isabel do Carmo no Estádio Universitário.