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A Reitoria da Universidade de Lisboa, na Alameda da Universidade, em 2018. Eugenio Hansen, OFS, CC BY-SA 4.0

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Edifício monumental de pedra clara com uma fila de pilares altos à frente, diante de um grande largo vazio de lajes, sob céu cinzento.
A Reitoria da Universidade de Lisboa, na Alameda da Universidade, em 2018. Eugenio Hansen, OFS, CC BY-SA 4.0

Alvalade

Reitoria da Universidade de Lisboa

Na crise académica de 1962, o reitor era Marcelo Caetano: da varanda da Reitoria defendeu a autonomia da universidade e, quando o Governo voltou a proibir o Dia do Estudante, demitiu-se. O terreiro em frente encheu-se de plenários de estudantes.

Hoje: Reitoria da Universidade de Lisboa
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História

Marcelo Caetano, figura de referência do Estado Novo, antigo ministro das Colónias e da Presidência, tornou-se reitor da Universidade de Lisboa a 20 de janeiro de 1959.3 Na primavera de 1962, o Governo proibiu as comemorações do Dia do Estudante e a polícia de choque carregou sobre os estudantes no Estádio Universitário e no Campo Grande.2 O reitor foi recebido com aplausos pelos estudantes concentrados no Estádio e, mais tarde, da varanda da Reitoria, falou-lhes e reafirmou que a autonomia universitária tinha de ser respeitada. Em alternativa às celebrações proibidas, convidou-os para um jantar no restaurante Castanheira de Moura, no Lumiar — e não apareceu.1

A 26 de março, as associações de estudantes de Lisboa e de Coimbra declararam o luto académico, a greve às aulas. O Governo recuou e aceitou que o Dia do Estudante se celebrasse a 7 e 8 de abril, mas a 5 de abril voltou a proibi-lo. Nesse dia, sentindo-se desautorizado, Marcelo Caetano pediu a demissão, e o luto foi retomado.21 A universidade diz que se demitiu por se sentir desautorizado pela reação policial, e dá o mandato por terminado a 12 de abril.3

Durante os três meses de luto, o terreiro em frente à Reitoria foi palco de inúmeras concentrações de estudantes.4 Os plenários ao ar livre — aqui, diante das faculdades e no Estádio Universitário, na Cidade Universitária — eram uma novidade numa sociedade amordaçada, onde a discussão pública era rara: os dirigentes associativos falavam diretamente a milhares de estudantes e levavam a votos as decisões sobre a resistência.2

Seis anos depois, em setembro de 1968, o antigo reitor tomou posse como Presidente do Conselho, no lugar de Salazar.5

Notas sobre as fontes2
  • O dia em que Marcelo Caetano falou aos estudantes da varanda da Reitoria.
  • Se alguma estudante falou nos plenários diante da Reitoria: as fontes consultadas só documentam a intervenção de Isabel do Carmo no Estádio Universitário.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes5
  1. 1O Dia do Estudante. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2A Crise Académica de 1962: Contestação vs Repressão. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Marcelo José das Neves Alves Caetano – Antigo Reitor. Universidade de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Crise académica de 1962. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Cerimónia de tomada de posse de Marcelo Caetano. RTP Arquivos — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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