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Em Cada Esquina
O Edifício Franjinhas, na esquina da Rua Braamcamp com a Rua Castilho, em 2019. GualdimG, CC BY-SA 4.0

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Prédio de escritórios de betão aparente, com a fachada coberta de pequenos arcos e palas em relevo que lhe dão o aspeto de franjas, numa esquina, sob céu azul-escuro.
O Edifício Franjinhas, na esquina da Rua Braamcamp com a Rua Castilho, em 2019. GualdimG, CC BY-SA 4.0

Santo António

Edifício Franjinhas — o restaurante dos cravos

Aqui funcionava o Sir, o restaurante onde Celeste Caeiro trabalhava. Fazia um ano a 25 de abril de 1974: não abriu, e os cravos comprados para a festa foram dados às empregadas — os cravos que Celeste levou para a Baixa.

Hoje: Edifício Franjinhas
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História

O Sir, um restaurante de self-service, abriu neste edifício em abril de 1973. Para o primeiro aniversário, os donos compraram cravos para oferecer às clientes — e, segundo o Observador, um cálice de Porto aos clientes.1

Na manhã de 25 de abril de 1974, quando Celeste Caeiro chegou, às nove, o dono anunciou que a casa não ia abrir, «porque se está a dar uma revolução». Os cravos foram tirados do armazém e distribuídos às empregadas, para não murcharem. Celeste levou um molho e seguiu de metro para a Baixa.2 O que se seguiu conta-se na Rua do Carmo.

O edifício, de Nuno Teotónio Pereira e João Braula Reis, projetado e construído entre 1965 e 1969, recebeu o Prémio Valmor de 1971 e é monumento de interesse público desde 21 de junho de 2011.93 Nuno Teotónio Pereira esteve entre os detidos da vigília da Capela do Rato; no fim de 1973 foi espancado e sujeito à tortura do sono.4

Sete semanas antes da revolução, a 5 de março de 1974, o Movimento dos Capitães marcou para aqui um plenário clandestino; no próprio dia, mudou-o para Cascais, onde se assumiu como irreversível a opção pelo golpe.5

Notas sobre as fontes3
  • O número de porta (o OpenStreetMap e uma publicação da Câmara apontam a Rua Braamcamp, 9) e a loja exata do restaurante.
  • A data de abertura do Sir (25/4/1973) e o pormenor do cálice de Porto vêm da imprensa, não de fonte institucional.
  • Se há marca evocativa de Celeste Caeiro no edifício.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes9
  1. 1Morreu Celeste Caeiro, a mulher que distribuiu cravos aos militares no 25 de Abril. Tinha 91 anos. Observador — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Onde eu estava há 50 anos por... Celeste Caeiro. Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Edifício Franjinhas. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Reunião de Cascais. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 625 de Abril. Celeste Caeiro, a mulher que pintou Lisboa e o país de cravos. A Mensagem de Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7«Fui para ao pé do soldado e digo assim: 'Olhe, não tenho cigarros mas tenho aqui este cravinho'»: Celeste Caeiro (1933-2024). CNN Portugal — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Celeste e Guilhermina: a flor do acaso (António Araújo, 28/7/2024). Diário de Notícias — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9Franjinhas. Nuno Teotónio Pereira — arquivo e memória (nunoteotoniopereira.pt) — consultado a 4 de outubro de 2026Edifício de Nuno Teotónio Pereira e João Braula Reis, no cruzamento das ruas Braamcamp e Castilho, projetado e construído entre 1965 e 1969; Prémio Valmor de 1971 (entregue em 1973); monumento de interesse público desde 21 de junho de 2011.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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