A Alameda D. Afonso Henriques vista do alto, com o Instituto Superior Técnico ao fundo, em agosto de 2025.Alexkom000, CC BY 4.0
Arroios
Instituto Superior Técnico
O campus de Pardal Monteiro foi palco de plenários decisivos do movimento estudantil: aqui se suspendeu o luto de 1962, aqui a PIDE invadiu a associação de estudantes em 1968, e aqui se decidiu, em 1972, ir em massa ao funeral de Ribeiro Santos.
Hoje: Instituto Superior Técnico – Universidade de Lisboa
O campus da Alameda, desenhado por Porfírio Pardal Monteiro (o projeto é de 1928), nasceu sob a alçada de Duarte Pacheco, nos terrenos do Arco do Cego, e ficou concluído entre 1936 e 1937.8 Em 1953, Maria de Lourdes Pintasilgo licenciou-se aqui em Engenharia Químico-Industrial: entre os 250 alunos do seu curso, só três eram mulheres.9
Na crise académica de 1962, com a época de exames à porta, um plenário no Técnico votou por maioria, a 14 de junho, a suspensão do luto académico. Houve estudantes descontentes, mas as associações acataram a decisão; a contestação continuou em torno da prisão dos dirigentes, sobretudo de Eurico Figueiredo, e dos processos disciplinares.1 A data é a do comunicado n.º 43 das Associações de Estudantes, de 14 de junho de 1962, escrito para o «Plenário que hoje se realiza», a quem os dirigentes iam propor «uma mudança de orientação» e a cessação do luto; a Comissão Comemorativa dos 50 Anos dá 15 de junho.2
Sob a influência do Maio de 68 e com a recusa crescente da guerra colonial, as mobilizações estudantis voltaram a crescer. A 8 de dezembro de 1968, a PIDE invadiu a Associação de Estudantes do Técnico, apreendeu documentos e identificou estudantes. A associação e o Instituto foram fechados até ao fim das férias, a direção foi suspensa e vários estudantes sofreram processos disciplinares.4 Seguiu-se a invasão da Cidade Universitária pela polícia, uma intimidação que se tornaria recorrente.3
Na noite de 12 de outubro de 1972, horas depois de José António Ribeiro Santos ter sido morto a tiro por um agente da PIDE/DGS no ISCEF, 300 estudantes reunidos no Técnico aprovaram a paralisação da universidade e a ida em massa ao funeral.56 Nesse ano, o IST foi de novo invadido pela polícia de choque e fechado.4
A 15 de maio de 1977, o Movimento Democrático de Mulheres fez aqui o seu 3.º Encontro Nacional, com o lema «A Força de ser Movimento, a Razão de ser Democrático e a Alegria de ser Mulher». Duas mil mulheres, em cinco grupos de trabalho, aprovaram a primeira Carta dos Direitos da Mulher.10
A história destas lutas está no livro «O activismo estudantil no IST (1945-1980)», organizado por Luísa Tiago de Oliveira e apresentado no Museu do Aljube em novembro de 2019.4
2Associações de Estudantes, Comunicado n.º 43 das Associações de Estudantes (Lisboa, 14 de junho de 1962). Casa Comum — Fundação Mário Soares e Maria Barroso (fundo Ângelo Sajara, pasta 04928.035), 1962 — consultado a 4 de outubro de 2026Datado de 14 de junho de 1962; os dirigentes associativos explicam a posição que vão levar «ao Plenário que hoje se realiza» — uma mudança de orientação, com a possível cessação do luto académico.