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Em Cada Esquina
O cruzamento da Avenida Duque de Ávila com a Rua de Dona Estefânia, onde ficava a Casa dos Estudantes do Império, em 2005. Garsd, CC BY-SA 3.0

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Cruzamento de ruas largas com prédios de vários andares, árvores e carros parados; à direita, uma fachada coberta de azulejos.
O cruzamento da Avenida Duque de Ávila com a Rua de Dona Estefânia, onde ficava a Casa dos Estudantes do Império, em 2005. Garsd, CC BY-SA 3.0

Arroios

Casa dos Estudantes do Império (CEI)

Criada pelo regime em 1944 para cultivar a «unidade imperial» entre os estudantes vindos das colónias, tornou-se escola de oposição e de anticolonialismo: por aqui passaram Amílcar Cabral, Agostinho Neto e Alda do Espírito Santo. A PIDE fechou-a em 1965.

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História

Nos anos da Segunda Guerra, os estudantes vindos das colónias juntaram-se em «casas» próprias: a primeira, a Casa dos Estudantes de Angola, foi fundada em Lisboa a 1 de dezembro de 1943.5 O regime temia que se tornassem alfobres de nacionalismo e juntou-as numa só, sob tutela do Ministério das Colónias e patrocínio da Mocidade Portuguesa, para cultivar o espírito de «unidade imperial».1 A Casa dos Estudantes do Império foi oficializada a 3 de julho de 1944, por proposta do ministro das Colónias, Vieira Machado; teve depois delegações em Coimbra e no Porto.23

O projeto falhou quase logo. Em 1945, numa assembleia geral no Liceu de Camões, os sócios destituíram a direção nomeada pelo ministério.5 Muitos aderiram ao MUD Juvenil em 1946 e aproximaram-se do PCP.1 Em 1952, com uma direção eleita próxima do MUD Juvenil e do PCP, e depois de os sócios da secção da Índia se recusarem a assinar uma moção de apoio ao Governo contra Nehru, o regime impôs à Casa uma comissão administrativa dirigida pela Mocidade Portuguesa, que durou até 1957; outra foi nomeada em dezembro de 1960.2 Segundo a historiadora Cláudia Castelo, a primeira foi nomeada a 30 de maio de 1952, e a segunda, imposta por portaria de 30 de dezembro de 1960, foi exonerada no fim de julho de 1961.8

Por aqui passaram Amílcar Cabral e Luís Cabral, Agostinho Neto e Lúcio Lara, Marcelino dos Santos e Joaquim Chissano, Alda do Espírito Santo e Miguel Trovoada — fundadores e dirigentes dos movimentos de libertação de Angola, da Guiné e Cabo Verde, de Moçambique e de São Tomé e Príncipe.1 A Casa acolheu também as escritoras Alda Lara, Orlanda Amarílis e Lilica Boal, e do círculo anticolonial que nasceu à sua volta saiu a moçambicana Joana Simeão, da FRELIMO.54 Parte destes estudantes reunia-se também à margem da Casa, no Centro de Estudos Africanos.3

As edições da Casa e os seus boletins, «Mensagem» e «Meridiano», estão na origem das literaturas africanas de língua portuguesa: publicaram Viriato da Cruz, Luandino Vieira, Pepetela, José Craveirinha e Rui Knopfli.1 Na «Mensagem» publicou também a poeta moçambicana Noémia de Sousa.7

Na crise académica de 1962, a Casa aderiu ao luto académico, os seus copiógrafos serviram a propaganda das associações de estudantes e as instalações acolheram reuniões da RIA, a Reunião Inter-Associações. A 28 de maio, da varanda, fotografou-se um camião da polícia de choque.1 Seguindo uma pista, a PIDE entrou no prédio, apreendeu arquivos, livros e revistas e interrogou longamente a direção, a começar pelo presidente, o angolano Carlos Ervedosa.2

Em 1965, ano de endurecimento da censura, o ministro da Educação Nacional dissolveu a Casa, a pretexto de não estar ligada a nenhuma escola. A PIDE interrogou a direção, instalou-se nos edifícios, confiscou arquivos, livros e mobília e retirou tudo o que identificava a associação.2 A Casa foi extinta a 6 de setembro de 1965.83 Em 1992, sendo Jorge Sampaio presidente da Câmara Municipal de Lisboa, a Câmara embutiu no passeio, em frente ao edifício, uma placa evocativa. O prédio foi renovado por inteiro e pintado de amarelo.3

Fontes8
  1. 1Casa dos Estudantes do Império. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Lugar de Memória Casa dos Estudantes do Império (Helena Wakim Moreno). ReMapping Memories Lisboa — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Casa dos Estudantes do Império: berço de líderes africanos em Lisboa (João Carlos, DW África). Buala — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Casa dos Estudantes do Império. UCCLA — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Casa dos Estudantes do Império. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6A Casa dos Estudantes do Império. RTP Ensina — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Noémia de Sousa. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Cláudia Castelo, A Casa dos Estudantes do Império: lugar de memória anticolonial. CIEA7 (7th Iberian Congress of African Studies), painel 6; Repositório da Universidade de Lisboa, 2010 — consultado a 4 de outubro de 2026Com base no arquivo da PIDE/DGS: o Governo nomeou a 30 de maio de 1952 uma comissão administrativa que dirigiu a Casa até 1957; outra foi imposta por portaria de 30 de dezembro de 1960 e exonerada no fim de julho de 1961; a Casa foi «finalmente extinta a 6 de setembro de 1965».

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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