Quartel de Lanceiros 2 / Regimento de Polícia Militar (Calçada da Ajuda)
No quartel de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, instalou-se a 25 de abril de 1974 o posto de comando das forças fiéis ao regime, até os próprios soldados se porem do lado do Movimento. Na manhã de 26 de novembro de 1975, os Comandos atacaram aqui o Regimento de Polícia Militar: três mortos.
Na manhã de 25 de abril de 1974, os ministros e chefes militares que fugiram do Ministério do Exército, no Terreiro do Paço, por uma parede aberta à picareta — os ministros do Exército, da Defesa e da Marinha, o chefe do Estado-Maior-General das Forças Armadas, o governador militar de Lisboa e o almirante Henrique Tenreiro, entre outros — vieram para o Regimento de Lanceiros 2, na Calçada da Ajuda, onde ficou o posto de comando das forças fiéis ao regime.1 Jofre Alves situa a chegada às 9h40.3 Da Ajuda saíra já, ao amanhecer, a contra-ofensiva — cinco carros de combate M47 e autometralhadoras Panhard, com o brigadeiro Junqueira dos Reis, rumo ao Terreiro do Paço —, que se desfez quando os soldados se recusaram a disparar, na Ribeira das Naus e na Rua do Arsenal.21
Ao longo do dia, os oficiais subalternos, os sargentos e as praças da unidade exigiram a saída dos ministros e foram tomando posição contra o regime.32 Às 15h30, um helicóptero levou daqui os ministros da Defesa, da Marinha e do Exército para Monsanto, onde foram presos ao princípio da noite; só não levou também Marcelo Caetano porque no Quartel do Carmo não havia onde aterrar. Ao fim da tarde, uma coluna da Escola Prática de Artilharia, do capitão Mira Monteiro, cercou o quartel; dois aspirantes abriram os portões e disseram que os milicianos e as praças estavam com o Movimento. O comandante, coronel Pinto Bessa, e o major Cruz Azevedo recusaram aderir, e a força entrou sem incidentes.2
O quartel era o mesmo: a 1 de abril de 1975 o Regimento de Lanceiros 2 passou a chamar-se Regimento de Polícia Militar, e em fevereiro de 1976 Regimento de Lanceiros de Lisboa; só em 2015 deixou a Calçada da Ajuda pela Amadora.7 No 25 de Novembro de 1975, os Comandos da Amadora, chefiados por Jaime Neves, ocuparam o Regimento da Polícia Militar depois de um confronto com três mortos, de um lado e do outro; o comando da Polícia Militar — os majores Campos Andrada, Mário Tomé e Cuco Rosa — foi preso.4511 (A Comissão Comemorativa escreve «Campos Andrade»; segue-se «Andrada», a grafia da cronologia da Comissão Portuguesa de História Militar, da Associação 25 de Abril e da Associação de Comandos.) O tiroteio foi na manhã de 26 de novembro: quando as colunas se aproximavam, pelas 8h07, abriu-se fogo da Polícia Militar e do antigo quartel de Cavalaria 7, e morreram em ação, na Calçada da Ajuda, o tenente José Eduardo Oliveira Coimbra e o furriel miliciano Joaquim dos Santos Pires, dos Comandos.89 Do lado da Polícia Militar morreu um aspirante, Bagagem: o semanário Sol chama-lhe Ascenso Bagagem, e Ramalho Eanes, num discurso de 2025, «aspirante José Bagagem».101211 A Comissão Comemorativa dos 50 anos do 25 de Abril chama-lhe o ataque ao «quartel do Regimento de Lanceiros, na Ajuda», e contrapõe-no ao modo como Salgueiro Maia conduzira, no 25 de Abril, o cerco ao Quartel do Carmo.6
O ponto exato do quartel na Calçada da Ajuda (o ponto no mapa é aproximado).
O nome próprio do aspirante da Polícia Militar morto a 26 de novembro de 1975: «Ascenso Bagagem» (semanário Sol, 2023) ou «José Bagagem» (Ramalho Eanes, discurso citado pelo Jornal de Negócios); a Revista Portuguesa de História Militar diz só «um aspirante da Polícia Militar».
A hora a que o posto de comando do regime passou a funcionar aqui: a Associação 25 de Abril já o situa em Lanceiros 2 às 6h45; Jofre Alves dá a chegada dos ministros às 9h40.
425 de Novembro de 1975. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
525 de Novembro. RTP – Memórias da Revolução (textos de Aniceto Afonso, Carlos Matos Gomes e Maria Inácia Rezola) — consultado a 2 de outubro de 2026
6Salgueiro Maia. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
7Cronologia. Associação Veteranos Lanceiros de Portugal — consultado a 4 de outubro de 2026O Regimento de Lanceiros 2 passa a chamar-se Regimento de Polícia Militar a 1 de abril de 1975 e Regimento de Lanceiros de Lisboa a 9 de fevereiro de 1976; deixou o quartel da Calçada da Ajuda pela Amadora em 2015.
825 de Novembro 75. Coleção Militar Visitável dos Comandos — consultado a 4 de outubro de 2026Pelas 8h07 de 26 de novembro de 1975, ao aproximarem-se as colunas, abriu-se fogo do Regimento de Polícia Militar e do antigo quartel de Cavalaria 7, na Ajuda; morreram o furriel Pires (CCmds 113) e o tenente Coimbra (CCmds 112).
9Paulo Jorge Estrela, A Ordem da Liberdade e os Comandos tombados no «25 de Novembro». Revista Portuguesa de História Militar, ano V, n.º 9 (Comissão Portuguesa de História Militar), 2025 — consultado a 4 de outubro de 2026O tenente José Eduardo Oliveira Coimbra e o 2.º furriel miliciano Joaquim dos Santos Pires, Comandos, morreram em ação na Calçada da Ajuda a 26 de novembro de 1975.
1025 de Novembro. 32 militares que lutaram pela Democracia. Sol, 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026Do tiroteio de 26 de novembro de 1975 na Polícia Militar resultaram três mortos — o furriel Joaquim Pires e o tenente José Coimbra, dos Comandos, e, do outro lado, o aspirante Ascenso Bagagem.
12Ramalho Eanes saúda «decisão política e militar de rememorar» 25 Novembro. Jornal de Negócios (Lusa), 2025 — consultado a 4 de outubro de 2026Notícia de 25 de novembro de 2025; Eanes nomeia os três mortos de 26 de novembro de 1975 — «o tenente Coimbra, o furriel Pires, dos Comandos, e o aspirante José Bagagem, da Polícia Militar».
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.