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Em Cada Esquina
O Padrão dos Descobrimentos, o de pedra, inaugurado em 1960, numa manhã de janeiro de 2022. Ingo Mehling, CC BY-SA 4.0

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Monumento de pedra clara em forma de proa de navio, contra um céu azul-escuro: na rampa, uma fila de figuras esculpidas sobe em direção à frente, onde uma figura de pé segura uma pequena caravela; mais acima, numa torre alta e lisa, dois escudos em relevo.
O Padrão dos Descobrimentos, o de pedra, inaugurado em 1960, numa manhã de janeiro de 2022. Ingo Mehling, CC BY-SA 4.0

Belém

Padrão dos Descobrimentos

Erguido em 1940 para a Exposição do Mundo Português e refeito em pedra em 1960, é o monumento do mito dos «Descobrimentos»: 33 figuras, uma só de mulher. Em 1975, os caixotes de quem regressava das colónias amontoaram-se aqui ao lado.

Hoje: Monumento com miradouro, auditório e salas de exposições
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História

O Padrão foi erguido pela primeira vez em 1940, para a Exposição do Mundo Português, em materiais que não eram para durar: uma estrutura leve de ferro e cimento e esculturas de estafe, uma mistura de gesso e estopa. Desenharam-no o arquiteto Cottinelli Telmo e o escultor Leopoldo de Almeida, e ficou sobre a doca de Belém, no eixo da Praça do Império.1

Em 1960, nas comemorações dos quinhentos anos da morte do infante D. Henrique, foi reconstruído em betão e pedra e inaugurado a 9 de agosto.1 Na proa de uma caravela estilizada vão o infante e 32 figuras da expansão — navegadores, cartógrafos, guerreiros, missionários, cronistas, artistas. Uma só é de mulher: a rainha D. Filipa de Lencastre, mãe do infante.2 Os «Descobrimentos» — o nome dado às viagens dos séculos XV e XVI — foram invocados pelo salazarismo para legitimar o regime e a ideologia nacionalista.6

A rosa-dos-ventos do terreiro, em pedra, com um planisfério onde estão marcadas as datas e as rotas da expansão, foi inaugurada a 5 de agosto de 1960 e oferecida pela África do Sul, que se associou às comemorações.3 Para o historiador José Pedro Monteiro, a oferta chegou «num momento crítico para os projectos de supremacia branca no continente africano», quando os dois regimes procuravam resistir aos «ventos de mudança».5

Em meados de 1975, junto ao Padrão amontoaram-se os caixotes com os haveres de quem chegava das colónias que se tornavam independentes.78 Em 1985 foi inaugurado como Centro Cultural das Descobertas, com miradouro, auditório e salas de exposições.1

Notas sobre as fontes1
  • Se os caixotes de 1975 fotografados «junto ao Padrão» estavam no terreiro do monumento ou na doca de Belém: as fontes consultadas não o precisam.

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Fontes8
  1. 1Padrão dos Descobrimentos: a obra, 1940 e 1960. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
  2. 2O conjunto escultórico. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
  3. 3Rosa dos Ventos. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Contactos e horários. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5José Pedro Monteiro, Rosa-dos-Ventos. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  6. 6Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  7. 7Helena Matos, Os retornados começaram a chegar há 40 anos. Observador, 2014 — consultado a 3 de outubro de 2026
  8. 8Exposição «Retornar – Traços da Memória» (Noticiário, 4 de novembro de 2015). RTP Arquivos, 2015 — consultado a 3 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (way 152327819), consultado a 3 de outubro de 2026.

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