Belém
Praça do Império
Aberta para a Exposição do Mundo Português, em 1940, foi o centro da maior montra de propaganda do império montada pelo Estado Novo. Os brasões das colónias que o jardim recebeu em 1961 voltaram a dar polémica no século XXI.
História
Dez anos antes de esta praça existir, o Acto Colonial, de 1930, escrevera no artigo 2.º: «É da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas».1 Nos anos 30, o regime apostou numa «mística imperial», feita de escola, propaganda e comemorações; a Exposição Colonial Portuguesa, no Porto, em 1934, e a de Belém, em 1940, foram as maiores iniciativas dessa «pedagogia coletiva» do império, nas palavras da historiadora Cláudia Castelo.2
A praça foi aberta para a Exposição do Mundo Português, o centro das comemorações do «duplo centenário» — a fundação do reino, em 1140, e a Restauração, em 1640. Para a fazer, demoliram-se em Belém casas e lojas populares.2 Ao centro ficou a Fonte Monumental; a poente, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo, de Cottinelli Telmo; a nascente, o Pavilhão da Honra e de Lisboa, de Cristino da Silva; a sul, junto ao rio, o Espelho de Água e o Padrão dos Descobrimentos.3 A exposição abriu a 23 de junho de 1940, no dia seguinte ao armistício entre a França e a Alemanha, e fechou a 2 de dezembro; estima-se que tenha tido três milhões de visitas. A Secção Colonial ficava ao lado, no Jardim Colonial.2
Em 1961, para a XI Exposição Nacional de Floricultura, nas comemorações dos 500 anos da morte do infante D. Henrique, o jardim recebeu brasões florais — das capitais de distrito, das ilhas e, oito deles, das então colónias —, que não faziam parte do desenho de Cottinelli Telmo.478 Em janeiro de 1975, junto aos Jerónimos, manifestaram-se pessoas chegadas dos territórios ultramarinos, contra a discriminação de quem vinha de lá: «Descolonização Sim! Discriminação Não!», lia-se num cartaz.5
Em 2014, a renovação do jardim gerou polémica, por estar prevista a retirada dos brasões das antigas colónias; em 2021, mais de 5500 pessoas assinaram uma petição contra a retirada, e o presidente da Câmara respondeu que os arranjos florais dos anos 60 já não existiam havia décadas. O jardim reabriu a 14 de fevereiro de 2023, com o desenho de Cottinelli Telmo recuperado e os brasões das capitais de distrito refeitos em calçada.4 Nos debates sobre a praça, nota a historiadora Márcia Chuva, os «zoos humanos» de 1940 ficaram esquecidos.6
Onde
Mapa com a localização de Praça do Império.
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Perto daqui

Padrão dos Descobrimentos
280 m · 4 min a pé

Jardim Botânico Tropical (antigo Jardim Colonial)
300 m · 4 min a pé

Palácio de Belém
540 m · 8 min a pé
Quartel de Lanceiros 2 / Regimento de Polícia Militar (Calçada da Ajuda)
660 m · 10 min a pé
Datas
23 de junho de 1940
Abre a Exposição do Mundo Português.
2 de dezembro de 1940
Fecha a exposição.
1961
O jardim recebe os brasões florais, para a XI Exposição Nacional de Floricultura.
janeiro de 1975
Pessoas chegadas das colónias manifestam-se junto aos Jerónimos contra a discriminação.
2014
A renovação do jardim gera polémica por causa dos brasões das antigas colónias.
14 de fevereiro de 2023
Reabre o jardim renovado, com brasões das capitais de distrito em calçada.
Vídeos
Apresentação do projeto do Centro Cultural de Belém sobre a evolução de Belém desde 1940, vista através da Exposição do Mundo Português. Mostra a maqueta da exposição — a praça com a fonte ao centro, os pavilhões e o primeiro Padrão junto à doca — e as fotografias da mostra.
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Centro Cultural de Belém, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Vídeo da Câmara de Lisboa sobre o jardim renovado da Praça do Império, publicado dias depois da reabertura, em fevereiro de 2023. Inclui imagens aéreas do jardim, com a fonte ao centro e, ao fundo, o Padrão dos Descobrimentos e o rio.
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Câmara Municipal de Lisboa, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Apresentação em vídeo da exposição «Sombras do Império», montada no Padrão dos Descobrimentos com coordenação científica de João Paulo Martins. A mostra reúne os muitos projetos e planos pensados para Belém entre 1941 e 1972 que nunca chegaram a ser executados.
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EGEAC (canal «Lisboa Cultura»), no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Noutros arquivos
Estes só se veem no sítio de cada arquivo.
- RTP Arquivos · Som · 1940 · 1 h 08 minExposição do Mundo PortuguêsRegistos da Emissora Nacional das comemorações do Duplo Centenário, de junho a dezembro de 1940, guardados no arquivo da RTP. Inclui o discurso de Duarte Pacheco, ministro das Obras Públicas, na inauguração da Exposição do Mundo Português, a missa pontifical nos Jerónimos com o Chefe de Estado e os embaixadores enviados à exposição e os discursos de Carmona e de Duarte Pacheco no encerramento.Abrir no arquivo
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a janeiro de 1975 · 2 minManifestação de refugiados do UltramarImagens sem som de uma manifestação de pessoas chegadas dos territórios ultramarinos, junto ao Mosteiro dos Jerónimos, em janeiro de 1975, contra a discriminação de quem vinha de lá. Lê-se nos cartazes «Descolonização Sim! Discriminação Não!» e «Tratamento igual para todos em Portugal».Abrir no arquivo
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a 2 de dezembro de 1990 · 3 minExposição do Mundo PortuguêsPeça do «Jornal de Domingo» nos cinquenta anos da Exposição do Mundo Português, que a RTP recorda como «um dos marcos históricos da propaganda do Estado Novo». Junta imagens de arquivo da exposição — a entrada, a Nau Portugal, o primeiro Padrão dos Descobrimentos, Salazar com Carmona — a vistas do Padrão e dos jardins da Praça do Império em 1990.Abrir no arquivo
Notas sobre as fontes1
- O dia da manifestação junto aos Jerónimos: a peça da RTP está datada só de janeiro de 1975.
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Fontes8
- 1Ato Colonial. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 3Padrão dos Descobrimentos: a obra, 1940 e 1960. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 4Inaugurado «novo» Jardim da Praça do Império. RTP Notícias (Lusa), 2023 — consultado a 3 de outubro de 2026Publicado a 14 de fevereiro de 2023.
- 5Manifestação de refugiados do Ultramar (Informação Diária, janeiro de 1975). RTP Arquivos, 1975 — consultado a 3 de outubro de 2026
- 6Márcia Chuva, Praça do Império. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
- 7Caso dos brasões. Há acordo entre Câmara de Lisboa e peticionários. Diário de Notícias, 2021 — consultado a 4 de outubro de 2026Os brasões florais da Praça do Império — das capitais de distrito, das ilhas e das antigas colónias — foram plantados em 1961, para a XI Exposição Nacional de Floricultura, nas comemorações dos 500 anos da morte do infante D. Henrique, e não faziam parte do desenho de Cottinelli Telmo, de 1940.
- 8Manutenção de brasões no Jardim do Império envolta em «grande polémica», mas manteve-se tradição, diz Marcelo. Observador, 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026Os 32 brasões em calçada do jardim renovado querem guardar a memória dos desenhos florais plantados para as comemorações henriquinas de 1961.
Coordenadas: OpenStreetMap (way 664144608, Fonte Monumental, ao centro da praça), consultado a 3 de outubro de 2026.