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Em Cada Esquina
O jardim da Praça do Império em agosto de 2012, antes da renovação, com a Fonte Monumental ao centro e o Padrão dos Descobrimentos ao fundo, à esquerda. paul Barker Hemings, CC BY-SA 2.0

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Canteiros de buxo baixo em primeiro plano e um passeio largo com pessoas a caminhar; ao centro, uma fonte redonda com um repuxo alto, entre ciprestes; ao fundo, à esquerda, a silhueta alta e clara de um monumento, sob um céu azul com nuvens.
O jardim da Praça do Império em agosto de 2012, antes da renovação, com a Fonte Monumental ao centro e o Padrão dos Descobrimentos ao fundo, à esquerda. paul Barker Hemings, CC BY-SA 2.0

Belém

Praça do Império

Aberta para a Exposição do Mundo Português, em 1940, foi o centro da maior montra de propaganda do império montada pelo Estado Novo. Os brasões das colónias que o jardim recebeu em 1961 voltaram a dar polémica no século XXI.

Hoje: Jardim público, com a Fonte Monumental ao centroLocalização aproximada
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História

Dez anos antes de esta praça existir, o Acto Colonial, de 1930, escrevera no artigo 2.º: «É da essência orgânica da Nação Portuguesa desempenhar a função histórica de possuir e colonizar domínios ultramarinos e de civilizar as populações indígenas».1 Nos anos 30, o regime apostou numa «mística imperial», feita de escola, propaganda e comemorações; a Exposição Colonial Portuguesa, no Porto, em 1934, e a de Belém, em 1940, foram as maiores iniciativas dessa «pedagogia coletiva» do império, nas palavras da historiadora Cláudia Castelo.2

A praça foi aberta para a Exposição do Mundo Português, o centro das comemorações do «duplo centenário» — a fundação do reino, em 1140, e a Restauração, em 1640. Para a fazer, demoliram-se em Belém casas e lojas populares.2 Ao centro ficou a Fonte Monumental; a poente, o Pavilhão dos Portugueses no Mundo, de Cottinelli Telmo; a nascente, o Pavilhão da Honra e de Lisboa, de Cristino da Silva; a sul, junto ao rio, o Espelho de Água e o Padrão dos Descobrimentos.3 A exposição abriu a 23 de junho de 1940, no dia seguinte ao armistício entre a França e a Alemanha, e fechou a 2 de dezembro; estima-se que tenha tido três milhões de visitas. A Secção Colonial ficava ao lado, no Jardim Colonial.2

Em 1961, para a XI Exposição Nacional de Floricultura, nas comemorações dos 500 anos da morte do infante D. Henrique, o jardim recebeu brasões florais — das capitais de distrito, das ilhas e, oito deles, das então colónias —, que não faziam parte do desenho de Cottinelli Telmo.478 Em janeiro de 1975, junto aos Jerónimos, manifestaram-se pessoas chegadas dos territórios ultramarinos, contra a discriminação de quem vinha de lá: «Descolonização Sim! Discriminação Não!», lia-se num cartaz.5

Em 2014, a renovação do jardim gerou polémica, por estar prevista a retirada dos brasões das antigas colónias; em 2021, mais de 5500 pessoas assinaram uma petição contra a retirada, e o presidente da Câmara respondeu que os arranjos florais dos anos 60 já não existiam havia décadas. O jardim reabriu a 14 de fevereiro de 2023, com o desenho de Cottinelli Telmo recuperado e os brasões das capitais de distrito refeitos em calçada.4 Nos debates sobre a praça, nota a historiadora Márcia Chuva, os «zoos humanos» de 1940 ficaram esquecidos.6

Notas sobre as fontes1
  • O dia da manifestação junto aos Jerónimos: a peça da RTP está datada só de janeiro de 1975.

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Fontes8
  1. 1Ato Colonial. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Cláudia Castelo, Simulação e dissimulação do império colonial português em Belém, Lisboa (1940/2020): a secção colonial e o jardim botânico tropical. Anais do Museu Histórico Nacional (Rio de Janeiro), vol. 54, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  3. 3Padrão dos Descobrimentos: a obra, 1940 e 1960. Padrão dos Descobrimentos (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Inaugurado «novo» Jardim da Praça do Império. RTP Notícias (Lusa), 2023 — consultado a 3 de outubro de 2026Publicado a 14 de fevereiro de 2023.
  5. 5Manifestação de refugiados do Ultramar (Informação Diária, janeiro de 1975). RTP Arquivos, 1975 — consultado a 3 de outubro de 2026
  6. 6Márcia Chuva, Praça do Império. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  7. 7Caso dos brasões. Há acordo entre Câmara de Lisboa e peticionários. Diário de Notícias, 2021 — consultado a 4 de outubro de 2026Os brasões florais da Praça do Império — das capitais de distrito, das ilhas e das antigas colónias — foram plantados em 1961, para a XI Exposição Nacional de Floricultura, nas comemorações dos 500 anos da morte do infante D. Henrique, e não faziam parte do desenho de Cottinelli Telmo, de 1940.
  8. 8Manutenção de brasões no Jardim do Império envolta em «grande polémica», mas manteve-se tradição, diz Marcelo. Observador, 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026Os 32 brasões em calçada do jardim renovado querem guardar a memória dos desenhos florais plantados para as comemorações henriquinas de 1961.

Coordenadas: OpenStreetMap (way 664144608, Fonte Monumental, ao centro da praça), consultado a 3 de outubro de 2026.

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