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Em Cada Esquina
O edifício do Quelhas, onde funcionava o ISCEF e hoje funciona o ISEG, em 2019. GualdimG, CC BY-SA 4.0

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Edifício clássico amarelo e branco de dois pisos, com janelas altas e um frontão, ao fundo de um pátio com palmeiras, ao fim da tarde.
O edifício do Quelhas, onde funcionava o ISCEF e hoje funciona o ISEG, em 2019. GualdimG, CC BY-SA 4.0

Estrela

ISCEF, no Quelhas

Num anfiteatro pré-fabricado desta escola, a 12 de outubro de 1972, um agente da DGS matou a tiro o estudante de Direito José António Ribeiro Santos, durante um «meeting contra a repressão». Na sala estava Aurora Rodrigues.

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História

No fim do marcelismo, a luta estudantil estava acesa em Lisboa, e a repressão também: associações fechadas, cargas da polícia em Económicas e no Técnico, a vigilância dos «gorilas». Para 12 de outubro de 1972 foi convocado um «meeting contra a repressão» num anfiteatro pré-fabricado do Instituto Superior de Ciências Económicas e Financeiras, no Quelhas.12

Os estudantes detetaram um desconhecido que não se identificava e que tomaram por informador da DGS. A escola chamou a polícia política, que mandou dois agentes; estes disseram não conhecer o homem, mas quiseram levá-lo. Gerou-se confronto, e o agente António Joaquim Gomes da Rocha disparou: matou José António Ribeiro Santos, de 26 anos, estudante do 4.º ano de Direito e militante da Federação de Estudantes Marxistas-Leninistas, e feriu José Lamego.34 Levado por estudantes de Medicina para o Hospital de Santa Maria, Ribeiro Santos morreu na sala de observações, às 20 horas desse mesmo dia.8 O anfiteatro, que depois ficou conhecido pelo seu nome, já não existe.13

Na sala estava Aurora Rodrigues, que depois disso aderiu ao MRPP e seria presa e torturada em 1973.5 Isabel do Carmo foi presa pela DGS ainda em 1972, na sequência do assassinato.6 Nessa noite, trezentos estudantes reunidos no Técnico decidiram paralisar a universidade; o funeral, dois dias depois, partiu da casa de Ribeiro Santos e foi uma das maiores manifestações da fase final da ditadura.2

O agente nunca foi julgado: foi um dos elementos da PIDE/DGS que fugiram da prisão de Alcoentre a 29 de junho de 1975.13

Notas sobre as fontes3
  • O nome do suposto informador: «Fernando Lopes Manuel» (biografia do Museu do Aljube) ou «Vítor Manuel Lopes» (texto do Museu do Aljube de 2020; também o dossiê do esquerda.net). Só a documentação da DGS fecharia a dúvida.
  • Onde Ribeiro Santos foi atingido: «pelas costas» (Memória Comum; Comissão Comemorativa; notas biográficas de ribeirosantos.net) ou «com dois tiros no peito» (Toponímia de Lisboa).
  • Onde ficava o anfiteatro pré-fabricado no campus de hoje (já não existe, diz o ISEG), e se há placa evocativa no ISEG.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes13
  1. 1Assassinato de Ribeiro Santos. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2O assassinato de José Ribeiro Santos. Comissão Comemorativa 50 Anos 25 de Abril — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3José António Leitão Ribeiro Santos (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4José António Leitão Ribeiro Santos. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Aurora Rodrigues (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6Isabel do Carmo (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Testemunhos da História no cinquentenário do assassinato de Ribeiro Santos. Seara Nova (10/8/2023) — consultado a 2 de outubro de 2026
  8. 8Notas biográficas de Ribeiro Santos. ribeirosantos.net — consultado a 2 de outubro de 2026
  9. 9A Calçada Ribeiro Santos no Dia do Estudante. Toponímia de Lisboa – CML (24/3/2014) — consultado a 2 de outubro de 2026
  10. 10Ribeiro Santos – panfleto convocando um encontro para 14 de novembro de 1972 no ISCEF (cota 05788.136). Casa Comum – Fundação Mário Soares e Maria Barroso — consultado a 2 de outubro de 2026
  11. 11Encerramento do Instituto Superior Técnico (IST). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  12. 12Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
  13. 13António Garcia Pereira (testemunho), 50 anos do assassinato de Ribeiro Santos. ISEG – Lisbon School of Economics & Management, 2022 — consultado a 4 de outubro de 2026O anfiteatro do «meeting» de 12 de outubro de 1972 já não existe; ficou depois conhecido como anfiteatro Ribeiro Santos.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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