Santo António
Largo do Rato (antiga Praça do Brasil)
Na revolta de fevereiro de 1927 ergueram-se aqui barricadas, e junto ao chafariz foram fuzilados civis e marinheiros. Em 1931, o largo voltou a ser linha de combate; em 1972, foi para a esquadra do largo que a polícia levou os presos da vigília da Capela do Rato.
História
A 7 de fevereiro de 1927, quando a revolta contra a Ditadura Militar já se desfazia no Porto, o levantamento chegou a Lisboa. Marinheiros, companhias da GNR e civis armados, sob o comando de homens como Mendes dos Reis e Agatão Lança, ergueram barricadas na Rua Alexandre Herculano, no Largo do Rato e na Rua de São Filipe Néri e ocuparam pontos estratégicos da cidade. Renderam-se ao fim da tarde do dia 9.12 Nesse dia cumpriu-se a ameaça de fuzilar os civis apanhados de armas na mão: junto ao chafariz do Largo do Rato, vários civis e marinheiros foram executados. Os combates terão feito em Lisboa pelo menos 90 mortos e mais de 400 feridos.2
Quatro anos depois, a 26 de agosto de 1931, o largo — então chamado Praça do Brasil — voltou a ser frente de combate. Os revoltosos tomaram posições do Alto do Parque Eduardo VII e da Rotunda até aqui; do Quartel do Carmo, um esquadrão de cavalaria da GNR avançou até São Mamede e ao Largo do Rato, e foi a partir do largo e de Campolide que, por volta das 11 horas, a infantaria do Governo lançou o contra-ataque. Ao cair da noite, o Governo dominava a cidade: houve cerca de 40 mortos, perto de 200 feridos e mais de 600 presos, dos quais 358 foram deportados para Timor sem julgamento.3
Na noite de 31 de dezembro de 1972, a polícia trouxe em duas carrinhas, para a esquadra do largo, no antigo Convento das Trinas do Rato, as pessoas que retirou da vigília contra a guerra colonial na vizinha Capela do Rato. Fala-se geralmente em noventa e uma; o historiador António de Araújo, que repete esse número, nota que o relato do capitão Américo Maltez, da PSP, dá 74 pessoas identificadas, e o dos participantes cerca de 40 na capela por volta das 20h30. Depois de identificadas, foram libertadas, menos catorze, levadas para o Governo Civil e, de madrugada, para Caxias.6 Entre as catorze estava uma mulher, a bibliotecária Maria Benedita Galamba de Oliveira.5
Onde
Mapa com a localização de Largo do Rato (antiga Praça do Brasil).
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Perto daqui

Capela do Rato
70 m · 1 min a pé

Última sede do CNMP, fechada pela polícia em 1947
260 m · 4 min a pé


Edifício Franjinhas — o restaurante dos cravos
440 m · 7 min a pé
Datas
7 de fevereiro de 1927
A revolta chega a Lisboa; barricadas na Rua Alexandre Herculano, no Largo do Rato e na Rua de São Filipe Néri.
9 de fevereiro de 1927, 19h30
Rendição dos revoltosos de Lisboa; fuzilamentos junto ao chafariz do largo.
26 de agosto de 1931
Revolta de 26 de agosto: os revoltosos chegam ao largo, e daqui parte o contra-ataque do Governo.
31 de dezembro de 1972
Os detidos da vigília da Capela do Rato são levados para a esquadra do largo.
30 dez. 1972
Vigília da Capela do Rato contra a guerra colonial
Notas sobre as fontes4
- Os fuzilamentos junto ao chafariz do Largo do Rato, a 9 de fevereiro de 1927, só foram lidos na Wikipédia; o Museu do Aljube fala de revoltosos fuzilados, sem dizer onde.
- O número de mortos em Lisboa em fevereiro de 1927: a Wikipédia dá «mais de 70» no resumo e «pelo menos 90» no corpo do artigo.
- Que unidades se revoltaram em 1931: o Museu do Aljube e a Wikipédia falam do Regimento de Caçadores n.º 7, mas o estudo da Secretaria-Geral do Ministério das Finanças põe o Batalhão de Caçadores 7, no Castelo de São Jorge, do lado do Governo, e dá como tomadas Metralhadoras 1 e Artilharia Ligeira 3.
- Quantas pessoas foram levadas da Capela do Rato para a esquadra: 91, o número da «história oficial»; 74 identificadas, segundo o relato policial do capitão Américo Maltez; cerca de 40 na capela às 20h30, segundo os participantes (todos citados por António de Araújo, que não decide); cerca de 60 (Wikipédia).
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Fontes6
- 1Revolta de Fevereiro de 1927. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Revolta de Fevereiro de 1927. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 31931: O ano de todas as revoltas (Francisco Lopes Melo). Secretaria-Geral do Ministério das Finanças – Arquivo — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Revolta de 26 de Agosto de 1931. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 5Vigília da Capela do Rato. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 6«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.