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Em Cada Esquina
A entrada no Largo do Rato pela Rua da Escola Politécnica, em 1917. Fotografia de Joshua Benoliel. Joshua Benoliel, Domínio público

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Fotografia a preto e branco de um largo com carris de elétrico, um chafariz à direita, prédios altos ao fundo e algumas pessoas e carroças.
A entrada no Largo do Rato pela Rua da Escola Politécnica, em 1917. Fotografia de Joshua Benoliel. Joshua Benoliel, Domínio público

Santo António

Largo do Rato (antiga Praça do Brasil)

Na revolta de fevereiro de 1927 ergueram-se aqui barricadas, e junto ao chafariz foram fuzilados civis e marinheiros. Em 1931, o largo voltou a ser linha de combate; em 1972, foi para a esquadra do largo que a polícia levou os presos da vigília da Capela do Rato.

Hoje: Largo do Rato
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História

A 7 de fevereiro de 1927, quando a revolta contra a Ditadura Militar já se desfazia no Porto, o levantamento chegou a Lisboa. Marinheiros, companhias da GNR e civis armados, sob o comando de homens como Mendes dos Reis e Agatão Lança, ergueram barricadas na Rua Alexandre Herculano, no Largo do Rato e na Rua de São Filipe Néri e ocuparam pontos estratégicos da cidade. Renderam-se ao fim da tarde do dia 9.12 Nesse dia cumpriu-se a ameaça de fuzilar os civis apanhados de armas na mão: junto ao chafariz do Largo do Rato, vários civis e marinheiros foram executados. Os combates terão feito em Lisboa pelo menos 90 mortos e mais de 400 feridos.2

Quatro anos depois, a 26 de agosto de 1931, o largo — então chamado Praça do Brasil — voltou a ser frente de combate. Os revoltosos tomaram posições do Alto do Parque Eduardo VII e da Rotunda até aqui; do Quartel do Carmo, um esquadrão de cavalaria da GNR avançou até São Mamede e ao Largo do Rato, e foi a partir do largo e de Campolide que, por volta das 11 horas, a infantaria do Governo lançou o contra-ataque. Ao cair da noite, o Governo dominava a cidade: houve cerca de 40 mortos, perto de 200 feridos e mais de 600 presos, dos quais 358 foram deportados para Timor sem julgamento.3

Na noite de 31 de dezembro de 1972, a polícia trouxe em duas carrinhas, para a esquadra do largo, no antigo Convento das Trinas do Rato, as pessoas que retirou da vigília contra a guerra colonial na vizinha Capela do Rato. Fala-se geralmente em noventa e uma; o historiador António de Araújo, que repete esse número, nota que o relato do capitão Américo Maltez, da PSP, dá 74 pessoas identificadas, e o dos participantes cerca de 40 na capela por volta das 20h30. Depois de identificadas, foram libertadas, menos catorze, levadas para o Governo Civil e, de madrugada, para Caxias.6 Entre as catorze estava uma mulher, a bibliotecária Maria Benedita Galamba de Oliveira.5

Notas sobre as fontes4
  • Os fuzilamentos junto ao chafariz do Largo do Rato, a 9 de fevereiro de 1927, só foram lidos na Wikipédia; o Museu do Aljube fala de revoltosos fuzilados, sem dizer onde.
  • O número de mortos em Lisboa em fevereiro de 1927: a Wikipédia dá «mais de 70» no resumo e «pelo menos 90» no corpo do artigo.
  • Que unidades se revoltaram em 1931: o Museu do Aljube e a Wikipédia falam do Regimento de Caçadores n.º 7, mas o estudo da Secretaria-Geral do Ministério das Finanças põe o Batalhão de Caçadores 7, no Castelo de São Jorge, do lado do Governo, e dá como tomadas Metralhadoras 1 e Artilharia Ligeira 3.
  • Quantas pessoas foram levadas da Capela do Rato para a esquadra: 91, o número da «história oficial»; 74 identificadas, segundo o relato policial do capitão Américo Maltez; cerca de 40 na capela às 20h30, segundo os participantes (todos citados por António de Araújo, que não decide); cerca de 60 (Wikipédia).

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Fontes6
  1. 1Revolta de Fevereiro de 1927. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Revolta de Fevereiro de 1927. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 31931: O ano de todas as revoltas (Francisco Lopes Melo). Secretaria-Geral do Ministério das Finanças – Arquivo — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Revolta de 26 de Agosto de 1931. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  5. 5Vigília da Capela do Rato. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  6. 6«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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