Mulheres da resistência
Maria da Conceição Moita
1937–2021
Maria da Conceição Vítor Moita («Xexão»)
Educadora e católica progressista, foi ela quem, ao microfone da Capela do Rato, anunciou a vigília de 30 de dezembro de 1972 contra a guerra colonial. Presa pela PIDE/DGS em dezembro de 1973 e torturada, só saiu de Caxias na madrugada de 27 de abril de 1974.
- Nasceu
- 5 de abril de 1937, Alcanena
- Morreu
- 30 de março de 2021
Biografia
Nasceu em Alcanena a 5 de abril de 1937 e veio para Lisboa aos dez anos, com a avó e o irmão mais velho. Conhecida por Xexão, formou-se como educadora de infância, foi professora de Religião e Moral em liceus de Lisboa e do Barreiro, trabalhou no movimento O Ninho com raparigas pobres que se prostituíam e dirigiu uma secção da Casa Pia.37
Católica progressista, estava à frente do grupo do Boletim Anti-Colonial com o irmão, Luís Moita, e Isabel Pimentel, e foi uma das organizadoras da vigília da Capela do Rato contra a guerra colonial.7 A 30 de dezembro de 1972, no fim da missa da tarde, aproximou-se do microfone e anunciou, em nome de um grupo de cristãos, uma «vigília de 48 horas» em jejum, em protesto contra a guerra.6 O padre que celebrava, João Seabra Diniz, conhecia-a bem da comunidade e não estranhou quando ela se dirigiu ao altar.6 Quando a polícia acabou com a vigília, foi levada com os outros para a esquadra, para identificação, mas, ao contrário de alguns, não ficou presa; chamada pela PIDE a depor, disse que estava lá atrás e não sabia quem tinha lido a declaração.7
Também em 1972, contactada por Carlos Antunes, deu apoio logístico às Brigadas Revolucionárias: arrendou em seu nome uma casa para clandestinos e deu boleias.37 A 6 de dezembro de 1973, depois da prisão de vários companheiros, entre eles o irmão Luís, foi presa quando se preparava para fugir para Paris.32 Ficou no processo que a DGS abrira em Caxias a 24 de novembro contra pessoas ligadas às Brigadas e a um grupo anticolonial; foi esbofeteada até desmaiar e submetida várias vezes à tortura do sono — a primeira durante sete dias e oito noites, com catorze horas de «estátua».6 Esteve em isolamento em Caxias até ao 25 de Abril, e só saiu na madrugada de 27 de abril de 1974, com os últimos presos libertados.31
Depois da revolução dedicou-se à educação de infância e à intervenção cívica e católica. Morreu a 30 de março de 2021, aos 83 anos.3
Lugares
Datas
Pessoas
Cruzaram-se com ela

Nuno Teotónio Pereira
1922–2016 · arquiteto
Isabel do Carmo
n. 1940 · médica

Sophia de Mello Breyner Andresen
1919–2004 · poeta
Maria Isabel Barreno
1939–2016 · escritora
Aida Magro
1918–2011 · engenheira química
Albina Fernandes
1928–1970 · combatente da Resistência francesa
Notas sobre as fontes1
- A fuga para Paris que preparava quando foi presa vem só da Wikipédia, que cita o livro «Os Últimos Presos do Estado Novo», de Joana Pereira Bastos. (O dia da prisão, 6 de dezembro de 1973, confirma-o o Memória Comum.)
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes7
- 1«A lista dos presos libertos em Caxias»; «Depoimento de um jornalista do Diário de Lisboa hoje libertado em Caxias» (Fernando Correia). Diário de Lisboa, n.º 18441, 27 de abril de 1974, pp. 3 e 20 (Casa Comum, Fundação Mário Soares e Maria Barroso), 1974 — consultado a 4 de outubro de 2026No Reduto Norte estavam detidas 77 pessoas, 68 homens e nove mulheres (entre elas Helena Neves, Maria Elvira Nereu e Conceição Moita), e na prisão-hospital mais três presos; a libertação total foi decidida ao fim de oito horas e meia de negociações entre advogados e dois oficiais da Junta; o jornalista Fernando Correia, libertado nesse dia, refere paraquedistas e fuzileiros navais destacados para a «operação-Caxias».
- 2Maria da Conceição Vítor Moita. Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos (Memória Comum) — consultado a 4 de outubro de 2026Ficha de presa política com o nome completo e a data da primeira prisão, 6 de dezembro de 1973.
- 3Maria da Conceição Moita. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Vigília da Capela do Rato. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 5Caso da Capela do Rato. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 6«A paz é possível»: algumas notas sobre o caso da Capela do Rato (António de Araújo). Lusitania Sacra, 2.ª série, 16 (2004), pp. 431-463 – Universidade Católica Portuguesa — consultado a 2 de outubro de 2026
- 7Sophia de Mello Breyner Andresen: militância antifascista a partir da crise do Estado Novo (tese de doutoramento, Eloísa da Silva Aragão, 2017). Universidade de São Paulo — consultado a 2 de outubro de 2026

