Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina

Mulheres da resistência

Aida Magro

1918–2011

Aida de Freitas Loureiro Magro

Engenheira química e militante clandestina do PCP, controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital». Presa pela PIDE em 1957, foi em Caxias uma das autoras das cartas do Manifesto de Caxias.

Repressãoengenheira químicamilitante comunista clandestinapresa políticacoautora do Manifesto de Caxias
Nasceu
4 de abril de 1918, Gambos, Huíla (Angola)
Morreu
11 de novembro de 2011, Lisboa
Ver no mapa

Biografia

Nasceu em 1918 nos Gambos, na Huíla, em Angola, e veio para Lisboa estudar química no Instituto Industrial, onde entrou na luta estudantil contra a ditadura.2 Aderiu ao PCP em 1942 e três anos depois passou à clandestinidade,1 quando o marido, José Magro, foi denunciado à PIDE; levou consigo a filha, ainda bebé, que mais tarde entregou à família.2

Na clandestinidade controlou a Zona Oriental do Comité Local de Lisboa, «a mais importante zona operária da capital»; transportou documentos ilegais e escreveu, com o pseudónimo «Eva», em publicações clandestinas do partido, entre elas «A Voz das Camaradas».1 Como às outras mulheres das casas clandestinas, cabia-lhe também garantir a segurança da casa e manter uma rotina de fachada que não levantasse suspeitas aos vizinhos.2

Foi presa pela PIDE a 27 de maio de 1957, no Bairro Lopes,14 e levada para a prisão de Caxias, onde passou seis meses isolada e sob interrogatório.24 Condenada a dois anos e meio de prisão efetiva, com suspensão dos direitos políticos durante 15 anos e medidas de segurança, por ser considerada «elemento perigoso»,1 só saiu a 2 de fevereiro de 1963, quase seis anos depois, aos 44 anos; em todo esse tempo nunca viu o marido, preso no mesmo forte.24 Na prisão lia e discutia as notícias com as outras presas, e foi uma das autoras das treze cartas do Manifesto de Caxias,1 que Maria Alda Nogueira fez sair da prisão em maio de 1961, dirigido às organizações femininas e democráticas de todo o mundo.31

Em liberdade condicional, tinha de se apresentar todos os meses à PIDE e não podia sair de Lisboa sem autorização, nem para visitar o marido, de novo preso em Peniche.2 Sem trabalho como engenheira, chegou a vender máquinas de café; dedicou-se ao apoio aos presos políticos e às suas famílias, na Comissão Nacional de Socorro aos Presos Políticos.1 Em 1973 escreveu a Marcelo Caetano a pedir a libertação do marido, doente, e a amnistia dos presos políticos; ele só saiu com o 25 de Abril. Depois da revolução foi funcionária do PCP, e morreu em Lisboa a 11 de novembro de 2011.2 O seu espólio está digitalizado no Centro de Documentação 25 de Abril, da Universidade de Coimbra, e os originais na Torre do Tombo desde 2007.1

Fontes4
  1. 1Mulheres pela Igualdade (biografias). CIG – Comissão para a Cidadania e a Igualdade de Género — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Aida Magro. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Maria Alda Nogueira. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4Aida de Freitas Loureiro Magro. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 4 de outubro de 2026Presa a 27 de maio de 1957, no Bairro Lopes, e levada para Caxias; julgada a 1 de julho de 1958; libertada a 2 de fevereiro de 1963, ao fim de quase seis anos.

Menu

Aspeto