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Em Cada Esquina

Pessoas

António Tereso

1927–2017

António Alexandre Tereso

Mecânico preso em Caxias, fez-se passar por «rachado» durante meses, a pedido do PCP, para preparar a fuga de 4 de dezembro de 1961, e foi ao volante do carro blindado de Salazar que oito presos saíram do forte.

Repressãomecânico de automóveismilitante do PCPpreso políticocondutor do carro blindado na fuga de Caxias (1961)
Nasceu
16 de novembro de 1927, Alcobaça
Morreu
7 de janeiro de 2017
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Biografia

Nasceu em Alcobaça a 16 de novembro de 1927 e entrou na Carris em 1951.4 Motorista da companhia e militante do PCP, foi preso a 27 de fevereiro de 1959 pelo seu papel na luta dos trabalhadores da Carris.5

Com conhecimentos de mecânica, estava preso em Caxias quando José Magro, dirigente do partido com longos anos de cadeia, o encarregou de estudar as hipóteses de fuga. Para isso tinha de se fazer passar por «rachado» — fingir que se passara para o lado dos carcereiros — e sujeitar-se ao desprezo dos camaradas. Resistiu, mas aceitou.1 Fê-lo durante 19 meses, recordou Domingos Abrantes em 2021, ao homenageá-lo como herói da resistência antifascista.2

Ganhou a confiança dos guardas e da direção da prisão e, com ela, uma liberdade de movimentos rara para um preso. Foi assim que descobriu na garagem o carro blindado de Salazar, um Chrysler Imperial de 1937, cuja reparação lhe foi confiada.13 Estava à beira de sair em liberdade, e os camaradas, já condenados, iam ser transferidos para Peniche: teve de pôr o carro a funcionar, torná-lo uma presença habitual na cadeia e estudar como levá-lo ao fosso interior, o único sítio a que os outros presos tinham acesso. Sabotou ainda os outros carros, para impedir a perseguição.1

Na manhã de 4 de dezembro de 1961 levou o Chrysler de marcha-atrás pelo túnel até ao fosso interior do Reduto Norte, onde os presos fingiam jogar à bola no recreio. Ao grito de «Golo!», dado por José Magro, sete presos entraram no carro, que rebentou o portão exterior e saiu da prisão debaixo do fogo da GNR.31 Fugiram com ele António Gervásio, Domingos Abrantes, Francisco Miguel, Guilherme Costa Carvalho, Ilídio Esteves, José Magro e Rolando Verdial.2

Morreu a 7 de janeiro de 2017, aos 89 anos.65

Fontes6
  1. 1Fuga de Caxias. Dedicação à prova de bala. URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2A fuga de Caxias, um acto de resistência antifascista rumo à vitória, foi há 60 anos. URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Fuga de Caxias. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  4. 4O alcobacense que ajudou sete homens a fugir da prisão de Caxias. Região de Cister, 2024 — consultado a 4 de outubro de 2026«António Alexandre Tereso nasceu em Alcobaça em 16 de novembro de 1927»; entrou na Carris em 1951 e foi condenado em fevereiro de 1960.
  5. 5António Tereso. Morreu o homem da fuga planeada em mortalhas. Diário de Notícias, 2017 — consultado a 4 de outubro de 2026António Alexandre Tereso morreu aos 89 anos a 7 de janeiro de 2017; motorista da Carris, preso a 27 de fevereiro de 1959 pela luta dos trabalhadores da empresa.
  6. 6Na Morte de António Tereso. URAP – União de Resistentes Antifascistas Portugueses, 2017 — consultado a 4 de outubro de 2026Nota de 8 de janeiro de 2017 — António Tereso, motorista da Carris, «morreu dia 7 de Janeiro, aos 89 anos».

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