Saltar para o conteúdo
Em Cada Esquina
A Cordoaria Nacional em setembro de 2011: um corpo de dois andares e, atrás, a ala comprida e baixa da antiga Real Fábrica da Cordoaria. Joaomartinho63, CC BY-SA 3.0

1 de 3

Edifício amarelo de dois andares, com cantarias de pedra, uma porta verde em arco e uma varanda de ferro, seguido de uma ala térrea muito comprida, de telhado vermelho, que se perde ao fundo; céu azul-escuro com nuvens.
A Cordoaria Nacional em setembro de 2011: um corpo de dois andares e, atrás, a ala comprida e baixa da antiga Real Fábrica da Cordoaria. Joaomartinho63, CC BY-SA 3.0

Belém

Cordoaria Nacional (Hospital Colonial e Escola de Medicina Tropical)

Na antiga Real Fábrica da Cordoaria instalaram-se em 1902 o Hospital Colonial e a Escola de Medicina Tropical: a medicina de que o império precisava, para tratar quem voltava doente de África e formar os médicos das colónias.

Hoje: Cordoaria Nacional; no edifício funciona o Arquivo Histórico da Marinha
Ver no mapa

História

A 24 de abril de 1902, uma carta de lei criou ao mesmo tempo a Escola de Medicina Tropical e o Hospital Colonial de Lisboa. Ficaram os dois neste edifício, a antiga Real Fábrica da Cordoaria: a escola no corpo nascente, o hospital noutra parte do edifício, sob uma direção comum — as enfermarias serviam o ensino, e os laboratórios da escola apoiavam a clínica.12

O hospital, do Ministério das Colónias, tratava funcionários civis e militares «que regressavam do Ultramar em condições físicas deploráveis com doenças infecciosas».2 A escola, a quarta de medicina tropical criada no mundo, organizava missões científicas às colónias e, com o hospital, ensinava os médicos que iam servir no «Ultramar»; o seu museu juntava material «recolhido no Hospital Colonial e nos Hospitaes das províncias ultramarinas».324 Em 1935 passou a chamar-se Instituto de Medicina Tropical.4

Entre 1943 e 1966, algumas mulheres publicaram investigação nos «Anais» do Instituto — Gabriela Lopes Pinto, Palmira Coelho Rombert, Maria Margarida Gonçalves Pequito, Maria de Matos Faia —, quase sempre como coautoras de colegas homens; a história oficial da casa quase não as menciona. Um desses estudos, assinado por Gabriel Jorge Janz e Gabriela Lopes Pinto e publicado em 1953, analisou o leite materno das mulheres de São Tomé.5

O hospital começou a mudar-se em 1925 para edifícios próprios, mais adiante na Rua da Junqueira, com o Pavilhão de Macau, assim chamado por ter sido construído a expensas de Macau; foi Hospital do Ultramar e chama-se, desde 1974, Hospital de Egas Moniz. O Instituto só teve casa própria em 1958, também na Junqueira.12 Desde 1997–98, funciona no edifício da Cordoaria o Arquivo Histórico da Marinha.7

Notas sobre as fontes2
  • Em que parte do edifício funcionou o Hospital Colonial: as fontes dizem só que ocupou «uma parte da Cordoaria».
  • Onde trabalhavam as investigadoras do Instituto antes e depois da mudança de 1958: o estudo de João Lourenço Monteiro não distingue os edifícios.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes7
  1. 1Aulas na Escola de Medicina Tropical. Fotografias (peça do mês). Instituto de Higiene e Medicina Tropical — Universidade NOVA de Lisboa, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  2. 2História do Hospital de Egas Moniz. Centro Hospitalar de Lisboa Ocidental (SNS) — consultado a 3 de outubro de 2026
  3. 3Memórias do IHMT revisitadas nas coleções do Museu (1902-2022): 120 peças. Instituto de Higiene e Medicina Tropical — Universidade NOVA de Lisboa, 2022 — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4Instituto de Higiene e Medicina Tropical (roteiro cultural). NOVA Cultura — Universidade NOVA de Lisboa — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5João Lourenço Monteiro, Mulheres visíveis: uma perspectiva diferente na história do Instituto de Medicina Tropical em Portugal, 1943-1966. História, Ciências, Saúde – Manguinhos, vol. 28, n.º 1, 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  6. 6Nominatim – OpenStreetMap (geocodificação). OpenStreetMap contributors (ODbL) — consultado a 2 de outubro de 2026
  7. 7Arquivo Histórico. Direção Cultural da Marinha — consultado a 4 de outubro de 2026O arquivo passou em 1997/98 do Quartel de Marinheiros, em Alcântara, para o edifício da antiga Fábrica Nacional de Cordoaria, na Rua da Junqueira.

Coordenadas: OpenStreetMap (relação 3258277), consultado a 3 de outubro de 2026.

Menu

Aspeto