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Em Cada Esquina

Mulheres da resistência

Luísa Basto

n. 1947

Cantora alentejana. Entrou na clandestinidade com os pais aos 12 anos e estudou canto em Moscovo, onde gravou «Avante Camarada»; a sua voz chegava a Portugal pelas rádios clandestinas. Já em liberdade, gravou «É Para Ti Mulher Esta Canção», hino do Movimento Democrático de Mulheres.

Cultura e censuracantoravoz de «Avante Camarada» nas rádios clandestinasintérprete do hino do Movimento Democrático de Mulheres
Nasceu
1947, Vale de Vargo (Serpa)
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Biografia

Nasceu em Vale de Vargo, no concelho de Serpa, filha de militantes comunistas, e chamava-se Úrsula Lobato.2 Aos 12 anos entrou com os pais na clandestinidade, em casas e tipografias clandestinas do PCP em Lisboa, em Sintra e na Damaia, onde os pais foram presos.1 Lembrava-se da morte de Catarina Eufémia, da aldeia cercada pela GNR a cavalo e do pai preso duas vezes.1

Foi estudar para Moscovo, onde mudou de nome para Luísa Basto e gravou «Canções Revolucionárias Portuguesas», com música de Fernando Lopes-Graça e poemas de Manuel Alegre; as gravações chegavam a Portugal pela Rádio Portugal Livre, que emitia de Bucareste, e pela Rádio Voz da Liberdade, de Argel.1 Foi também em Moscovo que gravou pela primeira vez «Avante Camarada», de Luís Cília: «os meus pais ouviam-me cantar nas rádios clandestinas e não sabiam que era eu», contou.1 Acabou o curso em 1973 e, em fevereiro de 1974, foi para Paris cantar para os emigrantes.1

Voltou a 3 de maio de 1974 e começou logo a cantar em comícios por todo o país; cantou com Adriano Correia de Oliveira numa coletividade alentejana onde o único equipamento era um megafone, e em 1977 foi ao Festival da Canção com Os Amigos.1 Em 1980 cantou no Coliseu, no 10.º aniversário da CGTP-IN.3 Nos anos 80 gravou «É Para Ti Mulher Esta Canção», que se tornou o hino do Movimento Democrático de Mulheres.1

Notas sobre as fontes2
  • O ano de nascimento, 1947, tira-se da idade dada na entrevista de 2021 e da Wikipédia (que dá 10 de maio de 1947).
  • A Câmara de Lisboa escreve «Luísa Bastos» na lista dos cantores do 10.º aniversário da CGTP-IN, em 1980; lê-se Luísa Basto.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes3
  1. 1Mariana Duarte, Entrevista com Luísa Basto: «Os meus pais ouviam-me cantar nas rádios clandestinas e não sabiam que era eu». Fonoteca Municipal do Porto (Câmara Municipal do Porto), 2021 — consultado a 3 de outubro de 2026
  2. 2Luísa Basto. Wikipédia — consultado a 3 de outubro de 2026
  3. 3António Adriano (textos), Adriano Correia de Oliveira, músico, 1942-1982. Câmara Municipal de Lisboa — Comissão Municipal de Toponímia, 2016 — consultado a 3 de outubro de 2026

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