Pessoas
José Dias Coelho
1923–1961
José António Dias Coelho
Escultor e pintor que trocou a carreira artística pela clandestinidade no PCP. Agentes da PIDE mataram-no a tiro numa rua de Alcântara a 19 de dezembro de 1961, aos 38 anos.
- Nasceu
- 19 de junho de 1923, Pinhel
- Morreu
- 19 de dezembro de 1961, Lisboa (Rua da Creche, Alcântara)
Biografia
Nasceu em Pinhel a 19 de junho de 1923. Em 1942 entrou na Escola de Belas-Artes de Lisboa, primeiro em Arquitetura e depois em Escultura, e militou no MUNAF, no MUD e no MUD Juvenil.12 Organizou as Exposições Gerais de Artes Plásticas, que se faziam na Sociedade Nacional de Belas-Artes fora da tutela do SNI e onde expunham artistas desafetos ao regime.13 Preso pela PIDE a 6 de janeiro de 1949, durante a campanha de Norton de Matos, esteve dez dias incomunicável no Aljube.21
Em 1952, por ter dirigido as movimentações dos estudantes de Belas-Artes, foi demitido de professor do ensino técnico e expulso da escola, e ficou proibido de entrar em qualquer outra faculdade do país. Em 1955 passou à clandestinidade como funcionário do PCP e deixou para trás a carreira de escultor. Na casa clandestina que partilhava com a companheira, Margarida Tengarrinha, funcionou o gabinete de falsificação de documentos do partido, e a partir de 1960 os dois desenharam para a imprensa clandestina.1
Pertencia à direção da Organização Regional de Lisboa e era o responsável pelo setor intelectual do PCP quando, a 19 de dezembro de 1961, agentes da PIDE o perseguiram desde a Rua dos Lusíadas e o mataram a tiro em frente ao n.º 30 da Rua da Creche, em Alcântara.12 A rua tem o seu nome desde um edital de 17 de fevereiro de 1975.3 José Afonso evocou-o na canção «A Morte Saiu à Rua».1
Lugares
Datas
Pessoas
Cruzaram-se com ele
Margarida Tengarrinha
1928–2023 · artista plástica

José Afonso (Zeca Afonso)
1929–1987 · cantor e compositor

Agostinho Neto
1922–1979 · médico (Faculdade de Medicina de Lisboa)

Álvaro Cunhal
1913–2005 · secretário-geral do Partido Comunista Português

Domingos Abrantes
n. 1936 · dirigente do MUD Juvenil
Emídio Santana
1906–1988 · operário metalúrgico
Vídeos
Testemunho de Margarida Tengarrinha recolhido pelo Museu do Aljube a 8 de março de 2017, publicado em 2021. Pelas palavras-chave do museu, percorre o MUD Juvenil, a vida clandestina no PCP, o aparelho de falsificação de documentos, a imprensa clandestina e José Dias Coelho.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial do Museu do Aljube
Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
José Afonso canta «A Morte Saiu à Rua», a canção em que evocou o escultor José Dias Coelho, morto pela PIDE em 1961, no concerto do Coliseu dos Recreios de 29 de janeiro de 1983. O excerto foi publicado pela Associação José Afonso.
Página original Licença padrão do YouTube — embed permitido pelo canal oficial da Associação José Afonso
Associação José Afonso, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Noutros arquivos
Estes só se veem no sítio de cada arquivo.
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a 27 de setembro de 1974 · 22 minA Mulher e o Fascismo: Mulheres que Lutaram – Parte IPrograma de Antónia de Sousa e Maria Antónia Palla em que Maria Barroso, Margarida Tengarrinha e Isabel do Carmo contam como chegaram à luta contra a ditadura. Tengarrinha fala da clandestinidade e do assassinato de José Dias Coelho; Isabel do Carmo, no Barreiro, das greves e das lutas operárias que a marcaram.Abrir no arquivo
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a 27 de setembro de 1974 · 19 minA Mulher e o Fascismo: Mulheres que Lutaram – Parte IINa segunda parte, Margarida Tengarrinha fala junto à placa que lembra José Dias Coelho, na antiga Rua da Creche, e perto da prisão de Caxias; Maria Barroso, em Santa Apolónia, e Isabel do Carmo, no Rossio. As três falam do 25 de Abril e do caminho para a democracia.Abrir no arquivo
Notas sobre as fontes1
- A hora do crime: «em pleno dia» (Toponímia de Lisboa) ou «ao princípio da noite» (Voz do Operário).
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes5
- 1José António Dias Coelho (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2José António Dias Coelho. Memória Comum – Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3O pintor saiu a uma Rua de Alcântara num dia assim. Toponímia de Lisboa – CML (19/6/2013) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4A PIDE assassinou Dias Coelho há 60 anos. Voz do Operário (6/12/2021) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 5Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026

