Mulheres da resistência
Margarida Tengarrinha
1928–2023
Maria Margarida do Carmo Mendes Tengarrinha Campos Costa
Artista plástica expulsa da Escola de Belas-Artes em 1952, viveu na clandestinidade com José Dias Coelho, numa casa onde o PCP falsificava documentos. Só soube que a PIDE o matara no dia do enterro, a que não pôde ir.
- Nasceu
- 7 de maio de 1928, Portimão
- Morreu
- 26 de outubro de 2023, Faro (Hospital de Faro)
Biografia
Nasceu em Portimão a 7 de maio de 1928. Aos 20 anos entrou para o MUD Juvenil e envolveu-se nas lutas estudantis da Escola Superior de Belas-Artes de Lisboa e nas Exposições Gerais de Artes Plásticas.1 Na escola, coordenava a participação dos alunos no movimento.5 Depois dos protestos contra a reunião da NATO em Lisboa, em 1952, foi expulsa e proibida de frequentar qualquer faculdade do país e de lecionar; nesse ano aderiu ao PCP.1 Com ela foram expulsos mais 81 alunos.5
Em finais de 1954 passou à clandestinidade com o companheiro, o pintor José Dias Coelho; outras fontes dizem 1955, que foi o ano em que os dois montaram a «oficina» de documentos, e segue-se o testemunho dela.178 Na casa clandestina de ambos funcionou o gabinete de falsificação de documentos do partido — bilhetes de identidade, cartas de condução, passaportes — e, a partir de 1960, os dois desenharam ilustrações e cabeçalhos para «A Voz das Camaradas» e o «Avante!».2
A 19 de dezembro de 1961 a PIDE matou Dias Coelho a tiro numa rua de Alcântara que hoje tem o seu nome.2 Margarida, que continuava na clandestinidade, só o soube ao princípio da noite de 26 de dezembro, num encontro de rua. Quando pediu para o ver, o camarada respondeu-lhe: «Não podes, o enterro foi hoje, para o cemitério de Benfica.» A partir desse momento, escreveu, tomou a resolução de «não deixar morrer a sua memória».3
Em 1962 partiu para o estrangeiro: trabalhou com Álvaro Cunhal, em Moscovo, e depois na Rádio Portugal Livre, em Bucareste.15 Regressou em 1968 e retomou o trabalho clandestino, em Lisboa e depois no Porto.5 Em 1974 entrou para o Comité Central do PCP e publicou depois vários livros, entre eles «Memórias de Uma Falsificadora – A Luta na Clandestinidade em Portugal».1 Foi deputada pelo Algarve na III legislatura, de 1983 a 1985,9 e em 2014 recebeu o primeiro Prémio Maria Veleda.5 Morreu no Hospital de Faro a 26 de outubro de 2023, aos 95 anos.78
Lugares
Datas
Pessoas
Cruzaram-se com ela

José Afonso (Zeca Afonso)
1929–1987 · cantor e compositor

Álvaro Cunhal
1913–2005 · secretário-geral do Partido Comunista Português
José Dias Coelho
1923–1961 · escultor
Aida Magro
1918–2011 · engenheira química

António de Spínola
1910–1996 · general
Conceição Matos
n. 1936 · operária
Vídeos
Testemunho de Margarida Tengarrinha recolhido pelo Museu do Aljube a 8 de março de 2017, publicado em 2021. Pelas palavras-chave do museu, percorre o MUD Juvenil, a vida clandestina no PCP, o aparelho de falsificação de documentos, a imprensa clandestina e José Dias Coelho.
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Museu do Aljube Resistência e Liberdade, no YouTube. O leitor só se liga a esse sítio quando carregar em «Ver».
Documentário montado por Sofia Gomes para a exposição «Mulheres e Resistência – Novas Cartas Portuguesas e outras lutas», com excertos dos testemunhos que o Museu do Aljube recolhe desde 2015: dezasseis mulheres falam da resistência à ditadura e da luta pelos direitos das mulheres. Esta versão tem interpretação em Língua Gestual Portuguesa; a versão sem LGP está no mesmo canal (XmUbNbnHgKg, 2022).
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Noutros arquivos
Estes só se veem no sítio de cada arquivo.
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a 27 de setembro de 1974 · 22 minA Mulher e o Fascismo: Mulheres que Lutaram – Parte IPrograma de Antónia de Sousa e Maria Antónia Palla em que Maria Barroso, Margarida Tengarrinha e Isabel do Carmo contam como chegaram à luta contra a ditadura. Tengarrinha fala da clandestinidade e do assassinato de José Dias Coelho; Isabel do Carmo, no Barreiro, das greves e das lutas operárias que a marcaram.Abrir no arquivo
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a 27 de setembro de 1974 · 19 minA Mulher e o Fascismo: Mulheres que Lutaram – Parte IINa segunda parte, Margarida Tengarrinha fala junto à placa que lembra José Dias Coelho, na antiga Rua da Creche, e perto da prisão de Caxias; Maria Barroso, em Santa Apolónia, e Isabel do Carmo, no Rossio. As três falam do 25 de Abril e do caminho para a democracia.Abrir no arquivo
- RTP Arquivos · Vídeo · emitido a 6 de maio de 2000 · 53 minMulheresDocumentário de Luís Filipe Costa sobre as mulheres que lutaram contra o fascismo e contra a ideologia que as queria esposas e mães sem direitos. Dão testemunho, entre outras, Isabel do Carmo, Aida Magro, Cesina Bermudes, Margarida Tengarrinha, Maria Teresa Horta, Stella Piteira Santos e Conceição Matos, com imagens de arquivo de Maria Lamas.Abrir no arquivo
Notas sobre as fontes1
- A morada da casa clandestina de Lisboa onde viveu com José Dias Coelho e onde funcionou o gabinete de falsificação de documentos.
Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.
Fontes9
- 1Margarida Tengarrinha (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2José António Dias Coelho (biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Assassinato de José Dias Coelho. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 4Consulta SPARQL de identificadores e datas (P569/P570) de pessoas. Wikidata Query Service — consultado a 2 de outubro de 2026
- 5Margarida Tengarrinha. Wikipédia (português) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 6Fuga de Peniche. Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 7Morreu Margarida Tengarrinha. Sul Informação, 2023 — consultado a 4 de outubro de 2026Morreu a 26 de outubro de 2023 no Hospital de Faro, aos 95 anos; «em finais de 1954» passou à clandestinidade com José Dias Coelho, e em 1955 criaram a «oficina» de documentos.
- 8Maria Margarida do Carmo Mendes Tengarrinha Campos Costa. Memorial aos Presos e Perseguidos Políticos (Memória Comum) — consultado a 4 de outubro de 2026Nascida em Portimão a 7 de maio de 1928, morreu em Faro a 26 de outubro de 2023; dá 1955 para a passagem à clandestinidade.
- 9Biografia de Maria Margarida Carmo Tengarrinha Campos Costa (deputada). Assembleia da República — consultado a 4 de outubro de 2026Regista um mandato, na III legislatura (1983–1985).

