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A entrada da Gare Marítima de Alcântara, do lado de terra, em setembro de 2011, com a Ponte 25 de Abril à direita. João Carvalho, CC BY-SA 3.0

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Edifício claro e geométrico, com um corpo central alto de janelas envidraçadas em faixas verticais e uma pala curva por cima das portas; à direita, ao fundo, o tabuleiro vermelho da ponte; à frente, um largo empedrado vazio.
A entrada da Gare Marítima de Alcântara, do lado de terra, em setembro de 2011, com a Ponte 25 de Abril à direita. João Carvalho, CC BY-SA 3.0

Estrela (segundo o OpenStreetMap)

Gare Marítima de Alcântara

Inaugurada em 1943 e pintada por Almada Negreiros, foi porta de partida e de chegada do império: daqui e da vizinha Rocha do Conde de Óbidos partiram soldados para a guerra colonial, e aqui se amontoaram, em 1975, os caixotes de quem regressava de África.

Hoje: Gare marítima e Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas
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História

A gare foi feita para dar a Lisboa um cais à medida dos grandes navios de passageiros. Devia estar pronta para os visitantes da Exposição do Mundo Português, em 1940, mas só foi inaugurada a 17 de julho de 1943, com a chegada do «Serpa Pinto» e de cerca de 230 refugiados ingleses: nos primeiros anos da Segunda Guerra, milhares de refugiados esperaram neste cais por vistos e por barcos que os tirassem da Europa.123 O projeto era do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro.2

Almada Negreiros acabou de pintar as paredes do salão em 1945. Em vez dos heróis que a ditadura celebrava, pintou a gente pobre do rio — marinheiros, pescadores e o trabalho duro das carvoeiras no cais —, e as pinturas causaram desconforto às autoridades.45

Por este cais partiram colonos para Angola e Moçambique e chegaram estudantes africanos para a Casa dos Estudantes do Império, e também mulheres e homens africanos que vinham trabalhar como criadas e criados em casas de patrões brancos.16 Com a guerra, a partir de 1961, partiram daqui e sobretudo do cais da Rocha do Conde de Óbidos, um quilómetro para nascente, os soldados.714 A RTP filmou embarques no cais de Alcântara em 1961, 1962 e 1964.8910

Em 1975, com as independências, chegaram de África mais de meio milhão de pessoas, e os caixotes com o que puderam trazer cobriram o cais durante meses.6 Em outubro desse ano, a RTP filmou «retornados» de Angola a levantar os seus haveres nas docas de Alcântara; em 1977 ainda havia caixotes guardados no cais.1112 O mesmo porto que viu partir os soldados, escreve a historiadora Cátia Antunes, viu chegar os «retornados» e os seus pertences, que aí se acumularam durante muitos anos.15 Hoje, a gare acolhe o Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas.13

Notas sobre as fontes1
  • Em que anos, além dos filmados pela RTP (1961, 1962 e 1964), embarcaram tropas no cais de Alcântara: o principal ponto de partida foi o cais da Rocha do Conde de Óbidos.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes15
  1. 1Cais. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  2. 2Passagens. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  3. 3Diz que disse (cronologia das pinturas murais das gares). Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  4. 4O que contam as paredes. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  5. 5Gare Marítima de Alcântara (os murais). Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  6. 6Chegadas. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  7. 7Partidas. Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  8. 8Embarque das tropas para o Ultramar (Telejornal, 24 de agosto de 1961). RTP Arquivos, 1961 — consultado a 3 de outubro de 2026
  9. 9Embarque de tropas para o Ultramar (Noticiário Nacional, 16 de julho de 1962). RTP Arquivos, 1962 — consultado a 3 de outubro de 2026
  10. 10Embarque de tropas para o Ultramar (Noticiário Nacional, 8 de janeiro de 1964). RTP Arquivos, 1964 — consultado a 3 de outubro de 2026
  11. 11Retornados de Angola (Noticiário Nacional, 16 de outubro de 1975). RTP Arquivos, 1975 — consultado a 3 de outubro de 2026
  12. 12Caixotes de retornados em Lisboa (Noticiário Nacional, 20 de setembro de 1977). RTP Arquivos, 1977 — consultado a 3 de outubro de 2026
  13. 13Bilheteira (preços e horário). Centro Interpretativo Murais de Almada nas Gares Marítimas (Câmara Municipal de Lisboa, Administração do Porto de Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026
  14. 14Partida de tropas para o Ultramar (Noticiário Nacional, 12 de janeiro de 1962). RTP Arquivos, 1962 — consultado a 3 de outubro de 2026
  15. 15Cátia Antunes, Porto de Lisboa. Centro de Estudos Sociais da Universidade de Coimbra — projeto ECHOES (exposição Lisboa) — consultado a 3 de outubro de 2026

Coordenadas: OpenStreetMap (way 98960366), consultado a 3 de outubro de 2026.

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