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A Doca de Alcântara, com o cais de contentores e a Ponte 25 de Abril ao fundo, em 2020. Lopo Pizarro, CC BY-SA 4.0

Doca de Alcântara (ataque ao cargueiro «Cunene»)

Doca comprida de água parada vista do alto, com barcos atracados, gruas e contentores do lado esquerdo, uma marina ao fundo e a ponte suspensa a atravessar o horizonte.
A Doca de Alcântara, com o cais de contentores e a Ponte 25 de Abril ao fundo, em 2020. Lopo Pizarro, CC BY-SA 4.0

Estrela (segundo o OpenStreetMap)

Doca de Alcântara (ataque ao cargueiro «Cunene»)

Primeira ação da ARA, o braço armado do PCP: na noite de 26 de outubro de 1970, cargas explosivas abriram um rombo no cargueiro «Cunene», que levava armas e abastecimentos para a guerra colonial e ficou «alagado e imobilizado na doca de Alcântara».

Hoje: Doca de AlcântaraLocalização aproximada
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História

A Acção Revolucionária Armada (ARA) foi o braço armado do Partido Comunista Português, ativo de 1970 a 1973, para lutar contra a guerra colonial, derrubar a ditadura e conquistar a liberdade. A primeira ação, estudada e decidida no comando central por Jaime Serra, Francisco Miguel e Raimundo Narciso, teve por alvo o cargueiro «Cunene», que abastecia as tropas coloniais com armamento e outras mercadorias.1 Do grupo que criou a ARA, em 1970, fazia parte Maria Machado, que participou na preparação de várias ações; o Museu do Aljube não diz quais.3

Segundo a Wikipédia, o alvo inicial era o paquete «Vera Cruz». Na noite de 26 de outubro de 1970, Carlos Coutinho e Gabriel Pedro — um velho militante comunista de 72 anos, que passara anos preso no Tarrafal — saíram a remo da doca do Poço do Bispo, disfarçados de pescadores. Junto do paquete apareceu uma patrulha da polícia marítima; com os relógios das bombas acertados para as cinco da manhã, decidiram pôr as cargas, debaixo de água, no casco do «Cunene».2

O comunicado da ARA, datado de 26 de outubro, anunciou que o «Cunene», de 16 000 toneladas, «utilizado para alimentar a guerra colonial», ficara «alagado e imobilizado na doca de Alcântara, em Lisboa, com um grande rombo».12 No dia seguinte, os jornais noticiaram uma explosão no navio — «O Século» publicou uma fotografia do rombo —, e o comandante atribuiu-a a «um encanamento de gasóleo ou gases no porão».2

Seguiram-se outras ações: a destruição, no porto de Lisboa, de material destinado ao exército colonial; a do centro cultural da embaixada dos Estados Unidos; a da frota de helicópteros da base aérea de Tancos; o corte das comunicações rádio-telegráficas e telefónicas; e a destruição de parte do quartel-general da NATO em Oeiras.1

Notas sobre as fontes2
  • Onde estava o «Cunene» quando as cargas foram postas e quando explodiram: o comunicado diz que ficou imobilizado na doca de Alcântara; a Wikipédia descreve a colocação das cargas no rio, junto ao «Vera Cruz».
  • Os pormenores da operação (a hora de partida, os nomes, a saída do Poço do Bispo) só foram lidos na Wikipédia.

Sabe mais, ou tem um documento? Conte-nos.

Fontes3
  1. 1Primeira ação da Acção Revolucionária Armada (ARA). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
  2. 2Ação Revolucionária Armada. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
  3. 3Maria Machado (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026Testemunho recolhido a 21 de outubro de 2020.

Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.

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