Estrela (segundo o OpenStreetMap)
Doca de Alcântara (ataque ao cargueiro «Cunene»)
Primeira ação da ARA, o braço armado do PCP: na noite de 26 de outubro de 1970, cargas explosivas abriram um rombo no cargueiro «Cunene», que levava armas e abastecimentos para a guerra colonial e ficou «alagado e imobilizado na doca de Alcântara».
História
A Acção Revolucionária Armada (ARA) foi o braço armado do Partido Comunista Português, ativo de 1970 a 1973, para lutar contra a guerra colonial, derrubar a ditadura e conquistar a liberdade. A primeira ação, estudada e decidida no comando central por Jaime Serra, Francisco Miguel e Raimundo Narciso, teve por alvo o cargueiro «Cunene», que abastecia as tropas coloniais com armamento e outras mercadorias.1 Do grupo que criou a ARA, em 1970, fazia parte Maria Machado, que participou na preparação de várias ações; o Museu do Aljube não diz quais.3
Segundo a Wikipédia, o alvo inicial era o paquete «Vera Cruz». Na noite de 26 de outubro de 1970, Carlos Coutinho e Gabriel Pedro — um velho militante comunista de 72 anos, que passara anos preso no Tarrafal — saíram a remo da doca do Poço do Bispo, disfarçados de pescadores. Junto do paquete apareceu uma patrulha da polícia marítima; com os relógios das bombas acertados para as cinco da manhã, decidiram pôr as cargas, debaixo de água, no casco do «Cunene».2
O comunicado da ARA, datado de 26 de outubro, anunciou que o «Cunene», de 16 000 toneladas, «utilizado para alimentar a guerra colonial», ficara «alagado e imobilizado na doca de Alcântara, em Lisboa, com um grande rombo».12 No dia seguinte, os jornais noticiaram uma explosão no navio — «O Século» publicou uma fotografia do rombo —, e o comandante atribuiu-a a «um encanamento de gasóleo ou gases no porão».2
Seguiram-se outras ações: a destruição, no porto de Lisboa, de material destinado ao exército colonial; a do centro cultural da embaixada dos Estados Unidos; a da frota de helicópteros da base aérea de Tancos; o corte das comunicações rádio-telegráficas e telefónicas; e a destruição de parte do quartel-general da NATO em Oeiras.1
Onde
Mapa com a localização de Doca de Alcântara (ataque ao cargueiro «Cunene»).
Abrir no mapa de Lisboa Ir a pé até lá
Perto daqui

Gare Marítima de Alcântara
180 m · 3 min a pé

Rua da Creche (local do assassinato de José Dias Coelho)
560 m · 8 min a pé

Palácio da Cova da Moura
770 m · 10 min a pé

Datas
26 de outubro de 1970
A ARA ataca o cargueiro «Cunene»; o comunicado que reivindica a ação tem esta data.
Notas sobre as fontes2
- Onde estava o «Cunene» quando as cargas foram postas e quando explodiram: o comunicado diz que ficou imobilizado na doca de Alcântara; a Wikipédia descreve a colocação das cargas no rio, junto ao «Vera Cruz».
- Os pormenores da operação (a hora de partida, os nomes, a saída do Poço do Bispo) só foram lidos na Wikipédia.
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Fontes3
- 1Primeira ação da Acção Revolucionária Armada (ARA). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 2 de outubro de 2026
- 2Ação Revolucionária Armada. Wikipédia — consultado a 2 de outubro de 2026
- 3Maria Machado (testemunho e biografia). Museu do Aljube Resistência e Liberdade (EGEAC) — consultado a 3 de outubro de 2026Testemunho recolhido a 21 de outubro de 2020.
Coordenadas: OpenStreetMap (Nominatim), consultado a 2 de outubro de 2026.